Alicia Keys
Fotografia: Divulgação

Alicia Keys: 40 anos divididos entre música e ativismo

Alicia Keys celebra 40 anos de vida e o Espalha-Factos faz uma retrospectiva da carreira da artista norte-americana.

Veio ao mundo como Alicia Augello Cook, mas é conhecida no mundo do espetáculo como Alicia Keys. Filha de pai com descendência afro-americana e mãe de descedência irlandesa, escocesa e italiana, o nome Alicia provém da sua madrinha de nacionalidade porto-riquenha. Nascida e criada em Hell’s Kitchen, em Nova Iorque, a jovem habituou-se, desde tenra idade, a estar em contacto com uma realidade “nua e crua” da vida de bairro.

Alicia enfrentou problemas relacionados com a sua auto-estima. No entanto, a sua mãe foi um grande pilar de apoio emocional nestes momentos difíceis. Ao mesmo tempo, o seu crescimento em Hell’s Kitchen seria determinante na sua carreira musical, no que diz respeito a ter ferramentas de auto-defesa.

O contacto com o mundo de artes começou bem cedo na sua vida e serviu como escapismo da realidade nas ruas nova-iorquinas. Em casa, impulsionada pelos gostos de seus pais, ouvia discos de jazz de músicos como Thelonious Monk, Billie Holiday e Ella Fitzgerald. Aos seis anos de idade, começou a ganhar o gosto pelo piano, no ano seguinte, começou a ter aulas de música clássica para esse instrumento.

Ensaiava seis hora por dia usando o método pedagógico Suzuki — uma abordagem que junta um lado pedagógico e lúdico de aprendizagem — tendo contacto com compositores como Beethoven, Mozart e Chopin, entre as peças que praticava.

Quando um amigo de infância se encontrava num processo de mudança de casa, ofereceu a Alicia, com 10 anos, um piano velho mas funcional. A partir deste momento, a relação de Alicia com o instrumento iria ganhar outras propoções.

As primeiras notas e os primeiros passos

Influenciada pelo filme Philadelphia, Alicia compõe a sua primeira canção dedicada ao seu falecido avô. Ingressa na Professional Performing Arts School em Hell’s Kitchen e, durante a adolescência, é motivada em participar em atividades extra-curriculares como dança, teatro e aulas de coro e fazer jam sessions com colegas de escola. Aos 14, a jovem começa a estudar jazz e a absorver outros géneros musicais como R’n’B, soul e hip-hop. Isto deve-se ao facto de frequentar a zona de Harlem, um “melting pot” cultural e étnico.

Quando chegou o momento de decidir como se iria apresentar em termos musicais, Alicia queria escolher Wilde como apelido artístico. No entanto, é dissuadida pela sua progenitora e a sua segunda escolha debruça-se no nome artístico Keys, tal como as teclas do piano [em inglês: piano keys]. E assim, é dado o primeiro passo para uma carreira internacional.

Foi com essa idade que foi descoberta pelo manager Jeff Robinson. Aos 16 anos, Alicia conseguiu um contrato com a Columbia Records, no entanto, a editora era pouco flexível no que diz respeito à sua capacidade enquanto compositora. Anos mais tarde, numa entrevista ao The Guardian de 2004, Alicia Keys chega a contar mais detalhes sobre este período da sua vida. “Havia sexismo, mas [o mais predominante era] o preconceito de idade — ‘és muito jovem, como poderias saber o que queres fazer?’ (…) isso irritou-me até à morte, eu odiava isso”, realça.

Os entraves na concretização do seu primeiro álbum eram evidentes. Com a Columbia Records, apenas lançou duas músicas. Uma versão de ‘Little Drummer Boy numa compilação natalícia e ‘Dah Dee Dah (Sexy Thing), incluída na banda sonora de Men in Black (MIB) protagonizado por Will Smith e Tommy Lee Jones.

Nesta altura, estabelece uma relação profissional e afetiva com Kerry “Krucial” Brothers. A dupla “voltou as costas” e começou a trabalhar no que viria a tornar-se no disco de estreia de Alicia Keys.

Canções em Lá Menor

Após um processo moroso e difícil, Alicia Keys, com a ajuda de Krucial e do seu agente, quebra o contrato e consegue reter os direitos legais às composições originais que escreveu. Em 1998, assina pela Arista Records. Apesar de ter contribuído com duas canções para a banda sonora dos filmes Shaft e Dr Dolittle 2 viria a tornar-se num outro beco artístico.

Clive Davis, na altura presidente da Arista, sai da posição executiva para fundar a sua própria editora, a J Records, e leva consigo Alicia que se encontrava frustada com a Arista.

Em 2001, Alicia Keys lança o seu primeiro disco. Intitulado Songs in A Minor, o álbum viria trazer as luzes de ribalta à artista. graças a temas como ‘Woman’s Worth’, ‘How Come You Don’t Call Me’ — versão original de Prince — e sobretudo ‘Fallin’.

O disco foi um sucesso na crítica e em vendas. Estima-se que tenha vendido mais 12 milhões de exemplares em todo o mundo. Songs in A Minor valeu a Alicia Keys as suas primeiras cinco estatuetas Grammy: Canção do Ano, Melhor Performance feminina de R’n’B, Melhor Canção R’n’B, Melhor Álbum R’n’B e Melhor Nova Artista.

(Empire) State of Mind

O sucesso enquanto artista musical continuou nos anos seguintes da década de 2000. Álbuns como The Diary of Alicia Keys — que lhe valeu mais quatro estatuetas Grammy — e o concerto-álbum Unplugged da MTV mantiveram a fasquia de Alicia em alta, depois do sucesso estrondoso do seu disco de estreia.

Em 2006, Alicia Keys esteve à beira colapso mental durante uma sessão fotográfica. O episódio fez com que se isolasse no Egito durante uns tempos e é nesse país que descobre a ioga e a meditação como ferramentas para conseguir o tratamento mental que necessitava. Anos mais tarde, conta, numa entrevista, as suas inseguranças. “Eu queria encaixar-me  tão desesperadamente. Era tão cega, tão dependente da opinião de todos, tão desconfortável, tão confusa”. Considera que a sua “fuga” para um país estrangeiro foi mesmo necessária. “Era sair [de tudo] ou simplesmente explodir“, realça.

Recuperada do sua saúde mental, Alicia Keys estreia-se como atriz em Smokin’Aces de 2006 — com Ryan Reynolds e Ben Affleck — e The Nanny Diaries no ano seguinte protagonizado por Scarlett Johansson e Chris Evans.

Em 2010, Alicia Keys casa-se com Kasseem Dean, mais conhecido como Swizz Beatz, tendo depois consumado esta relação com dois filhos. Em termos musicais, a artista contnua com álbuns marcantes como As I Am e The Element of Freedom. Destaque também para a canção ‘Another Way to Die’ acompanhada por Jack White para o filme 007 Quantum of Solace, o tema ‘Empire State of Mind com Jay-Z Girl on Fire‘ como pontos altos de uma carreira musical já bastante recheada de sucessos.

Ativismo (Sem Maquilhagem)

Paralelamente à sua carreira musical ter atingido sucesso à escala mundial, Alicia Keys sempre teve um lado consciente sobre causas sociais. É co-fundadora e embaixdora da organização não governamental Keep a Child Alive que visa dar apoio a crianças com VIH/SIDA e suas famílias em África e Índia.

Apesar do seu estrelato, Alicia Keys fez questão de participar em vários vídeos de campanhas contra racismo sistémico nos Estados Unidos e em diversas manifestações. Um das suas presenças mais impactantes aconteceu na marcha das mulheres em 2017 como voz opositora às políticas de Donald Trump. “Queremos o melhor para todos os americanos. Sem ódio, sem preconceito. Valorizamos educação, saúde, igualdade”, proferiu Alicia no seu discurso.

Outro “statement” de Alicia foi o facto de ter deixado usar maquilhagem desde 2016. Numa publicação online, a artista explica os motivos pelos quais deixou usar esse tipo de produtos. “Eu não quero mais encobrir. Nem o meu rosto, nem a minha mente, nem a minha alma, nem os meus pensamentos, nem os meus sonhos, nem as minhas lutas, nem o meu crescimento emocional. Nada”, escreve.

2020, apesar do surgimento da pandemia de Covid-19, prova ser um ano muito importante para Alicia Keys. Lança o seu sétimo álbum de estúdio com canções com letras que refletem a sua veia ativista mais que nunca e uma sonoridade um pouco mais electrónica. A artista edita também More Myself, um livro “parte auto-biográfico e parte narrativa documental”.

40 anos de idade e quase uma vida inteira dedicada à música e causas sociais, Mais que reconhecimentos pela imprensa e pelos seus fãs, Alicia Keys é, sem dúvida, uma das maiores e mais influentes artistas e compositoras norte-americanas do século XXI.

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