Plutónio
Fotografia: Divulgação

À Escuta. Plutónio, Amor Electro e Beautify Junkyards em destaque nesta semana

Numa semana marcada pelo regresso ao confinamento, e pelo anúncio de novas medidas de apoio para o setor da cultura, o À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos sobre música portuguesa, apresenta uma semana recheada. É dado o destaque ao regresso de Plutónio aos singles, a nova música dos Amor Electro e o novo disco dos Beautify Junkyards.

Fala-se também dos novos trabalhos de Domi, Murais e Rope Walkers, do primeiro avanço do disco de estreia dos Dream People, da mudança para o norte de Mike el Nite, do disco de estreia de P.S. Lucas e do EP de estreia dos Salvador d’Alice.

O regresso de Plutónio aos singles, com ‘Lisabona’

Lisabona’ é o nome do novo single de Plutónio, o primeiro desde do seu último disco, Sacrifício: Sangue, Lágrimas, Suor, lançado no final de 2019.

Contando com produção de Trinz, ‘Lisabona‘ é uma faixa potente, com um beat pesado, fortemente influenciado pelo drill, que abre as hostilidades dos grandes lançamentos de rap português em 2021. Com várias referências à pandemia da Covid-19, com uma homenagem a Mota Jr., e a viagens de e para Lisboa, ‘Lisabona’ funciona quase como o resumo de 2020 para o artista. Foi um ano tremendo para Plutónio, em que conseguiu ter o primeiro disco português editado apenas em formato digital a atingir o estatuto de platina, com Sacrifício: Sangue, Lágrimas, Suor.

Analisando o impacto que ‘Lisabona’ teve no panorama musical português, Plutónio começou o ano de 2021 com o pé direito. É uma faixa que vale muito apena a ouvir, não só pelo seu instrumental, mas pelo flow e jogo de palavras de Plutónio, que é dos melhores que o rap tuga tem para oferecer de momento.

O ‘Furacão‘ dos Amor Electro no regresso às suas origens

Depois de terem apresentado o tema durante a gala final do The Voice Portugal, no passado dia 3, os Amor Electro lançam oficialmente ‘Furacão’, o seu novo single. Em ‘Furacão’, a banda regressa às suas raízes do rock, apresentando um instrumental com múltiplas variações ritmícas, ligeiramente pesado – próximo daquele rock do post-grunge, que marcou o final dos anos 90.

A voz poderísima de Marisa Liz, que se pode dizer que se assemelha a um furacão no meio do instrumental, guia a faixa, conduzindo-a pelo meio dos sintetizadores escuros e assustadores, pelas guitarras distorcidas no ponto certo entre nem serem demasiadas pesadas nem demasiadas leves, que se conjugam no jogo de ritmos criado pelo baixo e bateria. O pop não é esquecido, no entanto. Se há coisa garantida, é que o refrão energético de ‘Furacão’ é complicado de esquecer depois de o ouvir!

O psicadélico longínquo de Cosmorama, novo disco dos Beautify Junkyards

Beautify Junkyards
Fotografia: Lois Gray // Divulgação

Cosmorama é o nome do novo disco dos Beautify Junkyards, grupo constituído por João Branco Kyron (vozes, sintetizadores), Helena Espvall (violoncelo, flauta e guitarra acústica), João Moreira (guitarra acústica e sintetizadores), Sergue Ra (baixo), António Watts (bateria e percussão) e Martinez (vozes). É o quarto longa-duração do grupo e conta com gravação e mistura de Artur David, engenheiro de som que já trabalhou com nomes como Mão Morta, Cool Hipnoise, Buraka Som Sistema e Dino D’Santiago.

Em Cosmorama, e o nome já dá uma pista para os caminhos que vamos percorrer, os Beautify Junkyards transportam-nos para um mundo mágico e cósmico, onde os sons psicadélicos, surreais e etéreos reinam. É um disco eclético, influenciado por sons da tropicália e do Médio Oriente, onde o psicadélico se junta ao folk para criar uma sonoridade que surge como inovadora no contexto da discografia da banda, bem como no contexto nacional. As melodias belíssimas de Cosmorama, criadas pelo jogo de vozes e pela ampla variedade de sons criados pela banda, marcam um disco que não pode ser ignorado neste início de 2021.

As ‘Ondas da Praia’ de Domi

Domi está de regresso com ‘Ondas da Praia’, o primeiro som de vários que o artista pretende editar ao longo de 2021. O processo de criação da faixa iniciou-se em 2019, com um beat de Khapote que chamou a atenção do artista de Portimão e de Charlie Beats, colaborador habitual do artista. “Eu tinha feito um refrão, ao qual chamei Ondas na Praia, que nem era como agora vai ser editado. Depois deixei o beat um bocado em stand-by e quando voltei a pegar nele já estava a ser utilizado“, relatou Domi.

Depois do percalço com a criação do beat, Domi não desistiu e no verão de 2020 regressou à ideia de ‘Ondas da Praia’. “Nessa altura, já no estúdio com o SUPA consegui desbloquear e encaixar tudo. A música foi correndo até isto que vocês podem ouvir hoje“. O resultado, que conta com produçaõ de Charlie Beats, é uma faixa genuína onde o artista presta homenagem ao lugar de onde vem: Portimão. “Eu vivo ao pé do mar e é nas ondas da praia que me sinto bem, porque me é natural. Então, este é uma espécie de desabafo meu, de querer-me perder nas ondas da praia, de algo que me é genuíno, tal como o meu trabalho”, indica o rapper.

‘People Think‘ é o primeiro avanço do disco de estreia dos Dream People

‘People Think’ é o primeiro avanço daquele que será o novo EP dos Dream People, grupo lisboeta constituído por Francisco Taveira (voz), Nuno Ribeiro (guitarra), Bernardo Sampaio (guitarra), João Garcia (baixo) e Diogo Teixeira de Abreu (bateria). Depois de lançar o seu primeiro EP, Soft Violence, no ano passado, o próximo disco da banda, intitulado Almost Young, tem data de lançamento marcada para o próximo mês de março.

Dream People
Fotografia: Miguel Dias/Divulgação.

Nesta faixa, os Dream People revelam um amadurecimento em termos de escrita e composição. Naquela que consideram ser a “música mais alegre do nosso novo disco“, os Dream People combinam sons etéreos, vindos do dream pop de grupos como Cocteau Twins ou Beach House, com toques da pop, criando um refrão que tem tanto de sonhador como de orelhudo. É uma faixa nostálgica, onde a energia contagiante do seu instrumental se perde nas lentas contemplativas que refletem a realidade dura de que, “por vezes, em certas alturas das nossas vidas, acabamos por nos esquecer daquilo que éramos na juventude” e perdermos a essência de quem éramos.

Se ‘People Think’ é a faixa mais feliz de Almost Young, como é que irão soar as outras? Em março, descobriremos com máxima curiosidade.

A subida para o ‘Norte’ de Mike el Nite

Mike el Nite está de regresso com ‘Norte’, uma faixa produzida por Keslley, habitual colaborador de Chico da Tina. Como o nome da música indica, ‘Norte’ é uma carta de amor e homenagem à região do Porto, local para onde o rapper e produtor português se mudou depois de quase quarenta anos em Lisboa.

Eu amo Lisboa, é o sítio onde nasci, mas 30 anos lá, e os últimos 10 a ver a transformação que aconteceu, deixaram-me com vontade de mudar de ares“, contou o rapper em entrevista ao Rimas e Batidas. Sobre o beat trap criado por Keslley, Mike el Nite apresenta uma lírica com várias referências à cidade do Porto, apresentando-se como alguém que está a chegar a um novo local e a vivenciar o melhor do que o Norte tem para oferecer. É uma faixa calorosa, com toques de nostalgia, que consegue puxar-nos para o mundo habitual kitsch do Justiceiro, expandido agora para a cidade do Porto.

O conflito no novo single de Murais, ‘Até de Manhã’

Até de Manhã’ é o novo single de Murais, o projeto a solo do músico Hélio Morais (Linda Martini, PAUS). A faixa, que conta com participação de Xana (Rádio Macau), fala “do cliché e do ridículo da violência psicológica no seio das relações amorosas“.

Hélio e Xana cantam da perspetiva de duas pessoas, dois indivíduos fortes, que se aproximam um do outro, mas que quando isso acontece, apenas são presenteados com uma coisa: destruição. ‘Até de Manhã’ é uma faixa cativante, com os seus sintetizadores psicadélicos a constituírem muita da sua palete sonora. A bateria pujante, a guitarra que vai desaparecendo e aparecendo, e o saxofone intermitente adicionam todos uma sensação de insegurança à faixa, onde o refrão é orelhudo e suave na sua pop.

Além de Xana, ‘Até de Manhã’ conta com colaboração de Benke Ferraz (sintetizadores e samples), Makoto Yagyu (baixo), Fábio Jevelim (guitarra) e João Cabrita (saxofones).

A beleza quentinha de In Between, disco de estreia de P.S. Lucas

In Between é o disco de estreia de P.S. Lucas, nome pelo qual se apresenta, agora a solo, o músico açoriano Pedro Lucas. O artista, durante a década passada, foi o cérebro por trás do projeto O Experimentar e, mais tarde, fez parte de uma dupla com o músico Carlos Medeiros, responsável por assinar três discos na segunda parte da década.

P.S. Lucas
Fotografia: Marianne Harle // Divulgação

Agora, em In Between, P.S. Lucas inicia uma nova fase para a sua carreira e, para o acompanhar, conta uma larga lista de convidados: David Eyguesier, João HasselbergJoão Sousa, My Larsdotter (My Bubba), Catarina Falcão (Monday, Golden Slumbers), Florent Manevoh, Jerry The Cat, Augusto Macedo e Ian Carlo Mendoza.

E In Between é uma viagem bela, como se de um cobertor quentinho se tratasse, que nos cobrisse de forma constante com as suas guitarras minimalistas, o seu chamber pop a fazer lembrar, por vezes, os momentos mais calminhos da discografia dos The National ou, melhor comparação ainda, Destroyer. A voz de Pedro, que surge como um fator de união ao longo do disco, chega a fazer lembrar a entrega que Phil Elverum (The Microphones, Mount Eerie) utilizou nos momentos mais doces da sua carreira. É um dos discos a relembrar no final do ano de 2021, com toda a certeza.

A caxinha de amor dos Rope Walkers, em ‘Box of Love’

Box of Love’ é o novo single dos Rope Walkers, duo constituído por Carolina CostaRui Ferraz. É o segundo single daquele que será o disco de estreia da banda, com data de lançamento algures nos primeiros meses de 2021.

Nesta caixinha de amor a vida é bela, minimalista e quentinha. Quentinha como a voz de Carolina que surge pelo meio das teclas tocadas por Rui, exímias na sua composição, criando uma dinâmica semelhante a estarmos presos num aposento distante a ouvir a dupla a tocar.

Uma Série de Coices, EP de estreia dos Salvador d’Alice

Diretamente da Praia da Tocha, os Salvador d’Alice presenteiam-nos com o seu EP de estreia, Uma Série de Coices. A banda constituída por Gabriel Salvador (baixo), João Toscano (guitarra e sintetizador) e Vasco Faim (bateria) vem armada com  jazz psicadélico, cheio de groove, combinado com rock progressivo.

Salvador d'Alice
Fotografia: Bandcamp

As linhas de baixo de Uma Série de Coices são funky, e vão marcando o ritmo das três faixas – nomeadas, convenienemente ‘um’, ‘dois‘ e ‘três’ – em conjunto com a bateria, surgindo várias vezes riffs  de guitarra, ora mais melosos, ora mais estridentes, que são belíssimos ao ouvido, capazes de nos enfeiticar a cada corda que é tocada. Um pequeno EP de estreia, mas um que está cheíssimo de muitos belos dotes musicais.

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