Tino de Rans - CNE
Pedro Pina/RTP

CNE tenta travar debates com Vitorino Silva no Porto Canal

A cumprir-se o atual calendário, Vitorino Silva fica com o dobro dos frente a frente dos outros candidatos

Comissão Nacional de Eleições (CNE) quer impedir os debates com o candidato Vitorino Silva no Porto Canal. O órgão independente considera, em nota divulgada pelo próprio canal, que existe “uma linha editorial que privilegia, em exclusivo, uma das candidaturas“.

A tomada de posição da CNE acontece depois de uma queixa apresentada pela candidatura de João Ferreira, candidato presidencial apoiado pelo Partido Comunista Português (PCP). Para a entidade responsável por fiscalizar os sufrágios eleitorais, o Porto Canal, “apesar de não omitir qualquer candidato, confere apenas a um a oportunidade de debater com os restantes“.

Considerando que o canal faz, assim, “tábua rasa do princípio da igualdade de tratamento e da não discriminação“, a CNE propõe à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) que “recorra à determinação de uma medida provisória que impeça que a situação se concretize, sem prejuízo da decisão que venha a tomar no final“.

Canal tinha intenção de alargar debates

Em declarações ao espaço informativo do canal, Tiago Girão, diretor de informação, frisou que os debates foram convocados para “impedir que fosse cometida uma injustiça relativamente a uma candidatura encabeçada pelo Vitorino Silva“, recordando que a mesma “foi excluída numa primeira fase de todos os debates televisivos“.

Tínhamos toda a intenção de podermos realizar mais debates para além daqueles que já estavam agendados entre Vitorino Silva e os restantes candidatos“, revelou o responsável. “Acho que essa nota também é importante para as pessoas perceberem que o Porto Canal não teve só intenção de realizar os debates entre Vitorino Silva e os restantes candidatos, também tivemos intenção de realizar muito mais debates além desses“, pontuou.

Na exposição que fez à CNE, o candidato presidencial João Ferreira alegou “que havia uma injustiça porque o candidato Vitorino Silva iria ficar com mais seis ou sete debates do que os restantes candidatos“, entendendo que o mesmo “ficaria em vantagem face aos outros candidatos“, esclareceu Tiago Girão.

Numa peça emitida no Jornal Diário desta terça-feira (12), o candidato popularmente conhecido por Tino de Rans relembrou a importância do convite do Porto Canal. “Foi o Porto Canal que me abriu as portas que as televisões todas me tinham fechado“, afirmou, considerando que, mesmo na RTP, foi empurrado “para a porta dos fundos, a RTP3“.

Tino de Rans com o dobro dos debates

Inicialmente, o presidente do partido Reagir, Incluir, Reciclar (RIR) fora excluído dos debates presidenciais na RTPSIC TVI entre 2 e 9 de janeiro. Decisão que gerou muita polémica, uma vez que a candidatura do partido foi legitimada pelo Tribunal Constitucional. No entanto, as estações televisivas argumentaram que o candidato ficaria de fora por critérios editoriais.

Depois da polémica inicial, o candidato anunciou um debate com Marcelo Rebelo de Sousa, marcado para 20 de janeiro, no Porto Canal, deixando ainda um convite a quem se quisesse juntar em sinal fechado. “Esse debate está confirmado, mas também quero discutir com outros. Quem quiser debater com o `Tino` pode fazê-lo no Porto Canal ou noutro sítio qualquer. Eu só entro em casas em que as pessoas me abram a porta. Não mando na SIC, TVI nem RTP e não vou pedir esmolas. Eles é que mandam na casa deles“, sinalizou, na altura, à agência Lusa.

RTP acabou por alargar o calendário inicial de debates, colocando Vitorino em frente a frente com cada um dos outros candidatos no canal informativo da estação, a RTP3. No final de 2020, o jornal Público apontava que Tino de Rans acabaria por participar em mais debates do que todos os outros candidatos, incluindo o atual detentor do cargo.

Contas feitas, de um debate televisivo (com todos os candidatos presidenciais, que terá lugar na RTP a 12 de Janeiro), Vitorino Silva passa a estar presente em 13 debates (incluindo 12 frente-a-frente). Por comparação, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa, actual Presidente da República, que estará em seis frente-a-frente e no debate com todos os candidatos“, indicava o diário informativo.

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