Kiernan Shipka em As Arrepiantes Aventuras de Sabrina
Sabrina em dose dupla. (Fotografia: Divulgação © Netflix)

‘As Arrepiantes Aventuras de Sabrina’: Um final digno de binge-watching

A quarta e última temporada de As Arrepiantes Aventuras de Sabrina estreou no dia 31 de dezembro na NetflixAs Arrepiantes Aventuras de Sabrina gira em torno da vida de Sabrina Spellman (Kiernan Shipka), uma meia-bruxa e meia-mortal que tenta conciliar as duas partes da sua vida enquanto enfrenta perigos sobrenaturais.

Este artigo tem spoilers sobre a terceira e quarta temporadas da série.

A nova solidão de Sabrina

Kiernan Shipka e Salem em As Arrepiantes Aventuras de Sabrina
Sabrina e Salem (Fotografia: Diyah Pera/Netflix © 2020)

A quarta temporada começa onde ficámos na terceira. Depois de passar a última temporada dividida entre a sua vida como herdeira do trono do Inferno e a sua vida como bruxa, o início da quarta temporada traz uma aparente paz a Sabrina. Depois de deixar Sabrina Morningstar, a sua dupla de uma linha temporal diferente, encarregue do trono do Inferno, Sabrina Spellman pode voltar a dedicar-se aos seus amigos e à sua família. 

No entanto, Sabrina descobre rapidamente que nem tudo está igual. O seu grupo de amigos tem as suas próprias relações e, sem as ameaças em Greendale, não têm motivos para se juntarem. Com os amigos sem tempo para ela e com o fim da sua relação com Nicholas Scratch (Gavin Leatherwood), Sabrina sente-se sozinha e sem propósito.

Esta solidão de Sabrina é um dos grandes focos da temporada e algo que serve como força para outros acontecimentos. Depois dos acontecimentos das temporadas anteriores, esta é uma mudança bem-vinda e que torna a história mais real, dentro de todo o sobrenatural.

Os terrores sobrenaturais

JAZ SINCLAIR, TATI GABRIELLE e SKYE MARSHALL em As Arrepiantes Aventuras de Sabrina
Rosalind, Prudence e Mambo Marie (Fotografia: Liane Hentscher/ Netflix © 2020)

Os grandes antagonistas da temporada são os terrores sobrenaturais. Libertados por Faustus Blackwood (Richard Coyle) no final da terceira temporada, os terrores sobrenaturais têm como objectivo o fim de todas as coisas. Cada episódio desta temporada apresenta um terror: a Escuridão, o Sem Convite, o Estranho, o Perverso, o Cósmico, os Retornados, o Sem Fim e, por último, o Vazio, que traz consigo o fim de tudo.

Os terrores acabam, de alguma forma, por estar relacionados com Sabrina, seja por se aproveitarem da sua fragilidade ou por serem provocados pelas suas ações. Esta é uma das características torna os terrores sobrenaturais no vilão perfeito: estão relacionados com a protagonista e com as suas fraquezas, mas não são uma entidade viva com emoções, o que faz com que não precisem de motivações. O facto de serem oito terrores que aparecem em ordem, um por episódio, dá uma sensação de evolução do enredo e do perigo que se aproxima, já que o último terror (o Vazio, que terminaria com tudo o que existe, incluindo os outros terrores) é o mais temido e o mais perigoso. Desta forma, o espectador consegue sentir o acumular da tensão até ao último episódio, quase como se fosse afetado pela trama.

Uma relação endgame

Gavin Leatherwood e Kiernan Shipka em As Arrepiantes Aventuras de Sabrina
Nick e Sabrina (Fotografia: Diyah Pera/Netflix © 2020)

Desde a primeira temporada que vemos Sabrina numa relação, seja com Harvey (Ross Lynch) na primeira temporada ou com Nick na segunda e na terceira. Depois do fim da relação com Nick na terceira temporada, provocado pelo trauma que foi servir de prisão para Lucifer Morningstar (Luke Cook), Sabrina está pela primeira vez completamente solteira. Ainda que isto não signifique que Sabrina não tenha pretendentes, esta é uma mudança que torna Sabrina uma personagem mais “humana”. Com todas as reviravoltas da série e todo o perigo sobrenatural, é fácil esquecer que Sabrina é apenas uma adolescente de 16 anos. A sua preocupação com estar ou não numa relação e o aprender a estar sozinha traz um equilíbrio ao teor dramático do enredo.

Ainda assim, o desfecho final no que diz respeito à vida amorosa de Sabrina é bastante satisfatório. O casal endgame da série conseguiu manter a atenção e concretizar o que estava destinado, ainda que não como seria de esperar. A surpresa é, no entanto, bem recebida e feita de forma a deixar o espectador entusiasmado pelo resolver da situação.

O final de uma história

Kiernan Shipka em As Arrepiantes Aventuras de Sabrina
Fotografia: Divulgação © Netflix

As Arrepiantes Aventuras de Sabrina não foi pensada como uma série com quatro partes. A série foi cancelada em julho deste ano, o que fez com a conclusão tivesse que ser apressada. Ainda assim, foi possível fechar a maior parte das linhas de enredo de forma coerente. No geral, esta temporada, apesar de ter de concretizar um final não planeado, manteve o interesse e qualidade a que a série nos habituou. Manteve a temática obscura e de suspense com uma mistura de drama adolescente que dá gosto ver.

O final dado à história é tanto óbvio como completamente inesperado. Óbvio, porque não fazia sentido que a trama se resolvesse de forma diferente, especialmente depois de passar tanto tempo a ameaçar este desfecho. Inesperado, visto que é algo completamente diferente daquilo a que fomos habituados. Por muitas ameaças que tenham sido apresentadas, nunca algo do género tinha ocorrido na história.

Apesar de muitas vezes existir diálogo que provoca uma certa vergonha alheia ou decisões questionáveis por parte das personagens, a quarta temporada proporciona ao espectador cerca de oito horas de puro entretenimento que te mantém colado ao ecrã. A história foi concluída com o mesmo tom com que começou: um drama adolescente obscuro digno de binge-watching.

Kiernan Shipka em As Arrepiantes Aventuras de Sabrina
8

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
Sara Pinto
Sara Pinto assume condução do ‘Jornal da Uma’ na TVI