MF DOOM

Rapper MF DOOM morre aos 49 anos

A morte da lenda do 'hip-hop' foi anunciada hoje pela esposa

rapper Daniel Dumile, mais conhecido como MF DOOM, morreu a 31 de outubro, aos 49 anos. A morte foi anunciada esta quinta-feira (31 de dezembro) pela esposa, Jasmine, no Instagram

O melhor marido, pai, professor, aluno, parceiro de negócios, amor e amigo que eu poderia ter. Obrigado por todas as coisas que mostraste, ensinaste e deste, tanto a mim, como aos nossos filhos e família. Obrigado por me ensinares a perdoar os outros, a não fazer julgamentos tão rápidos e descartar as pessoas. Obrigado por me mostrares a não ter medo de amar e a ser a melhor pessoa que consigo ser. O meu mundo nunca vai ser o mesmo sem ti“, escreve Jasmine.

O post continua, fazendo referência ao filho do casal, Malachi, que faleceu em 2017. Assim, Jasmine escreve que “as palavras nunca vão conseguir expressar o que tu e o Malachi significam para mim, eu amo-vos e irei sempre adorar-vos“.

Contudo, a causa de morte ainda não foi anunciada. Mesmo assim, a indústria musical, em especial nomes do hip-hop, já reagiram à notícia. Por exemplo, Run the Jewels, Playboy Carti, ou Kenny Beats já expressaram as suas condolências no Twitter.

MC mascarado mais respeitado do hip-hop

MF DOOM é um dos maiores e mais respeitados nomes do hip-hop, numa escala internacional.

Dumile nasce em Londres, em 1971. No entanto, muda-se com os pais para Nova Iorque, durante a infância. Assim, em Nova Iorque, forma o grupo KMD. Na década de 1990, assina com a Elektra Records, editora responsável por lançar nomes como The Doors. Contudo, a morte do irmão e colega de banda, em 1993, DJ Subroc coincide com o arranque da sua carreira.

Mesmo assim, em 1997, ressurge na música, com uma máscara que relembra o vilão Dr. Doom, da Marvel. Assim, com esta nova imagem, o artista lança Operation Doomsday. A capa do álbum ilustra a imagem de marca do artista.

MF DOOM álbum
Capa do álbum de estreia de MF DOOM

O álbum ilustra a sonoridade que viria a preencher o trabalho a solo do músico. Ou seja, um esquema de rimas intrigante, em conjunto com uma samples de jazz. É Dumille quem produz quase todos os instrumentais deste disco.

No entanto, é o álbum Take Me to Your Leader, de 2003, que lhe traz reconhecimento universal, tanto da crítica, como do público. Contudo, Dumille abandona temporariamente o nome MF DOOM, lança o álbum sob o pseudónimo King Geedorah. Mesmo assim, o nome de MF DOOM aparece em duas faixas do disco.

Madvillainy, um álbum histórico do hip-hop 

Ainda durante as gravações de Take Me to Your Leader, Dumille junta-se com o produtor Madlib, Otis Jackson Jr. Assim, em conjunto criam uma das duplas mais famosas de sempre do hip-hopMadvillain. 

Entre 2002 e 2004, Dumille e Jackson gravam o álbum Madvillainyproduzido intereiramente por Madlib, com exceção de uma faixa. Embora o álbum tenha atingido apenas a 179.ª posição da Billboard 200, atrai atenção de várias publicações de música e não só, como a New Yorker, ou The New York Times.

O álbum é recebido com críticas positivas unânimes, de publicações que vão desde a Pitchfork à Rolling Stone. Assim, o álbum influencia uma geração de artistas durante as próximas décadas, como Joey Bada$$, Tyler, The Creator, ou até mesmo Thom Yorke. Do mesmo modo, Earl Sweatshirt diz que o álbum influenciou a sua geração do mesmo modo que os Wu-Tang Clan influenciaram os rappers do anos 90, com Enter The Wu-Tang (36 chambers).

Com isto, o álbum é elogiado pelo lirismo carismático e pelo inteligente uso de samples. Assim, o álbum não é só incluído em listas de “Melhores Álbuns da Década”, mas sim em listas de “Melhores Álbuns de Sempre”. Por exemplo, é eleito o 411.º melhor álbum de sempre pela NME, em 2013, e na 365.ª posição da Rolling Stone, em 2020.

A capa do álbum é igualmente louvada. Por exemplo, o rapper Mos Def, Yasiin Bey, contemporâneo dos Madvillain, conta que comprou o disco só para olhar para a capa, sem o pôr a tocar, pois disse que “compreendia” o álbum só ao olhar para ele.

MF DOOM - Madvillainy
Capa do álbum ‘Madvillainy’

MF DOOM um pouco por todo o mundo da música

2004 traz o regresso de MF DOOM, com o álbum MM… FOOD. O álbum traz mais uma conquista para o artista, estreando no décimo sétimo lugar da tabela da Billboard de artistas independentes.

Em 2005, Dumille lança The Mouse and the Mask, pelos DANGERDOOM. Tal como em Madvillainy, o artista faz equipa com outro produtor, desta vez, DJ Danger Mouse, Brian Burton. O álbum é um sucesso, elevando cada vez mais o estatuto de Dumille na indústria musical. Nesse mesmo ano, Dumille aparece em Demon Days, da banda Gorillaz, na faixa “November Has Come“, ainda sob o nome de MF DOOM.

Em 2010, lança o álbum Gazzilion Ear, um álbum de remixes da música homónima, com J Dilla. Assim, o álbum inclui trabalhos de Thom Yorke e de Dr Who Dat?. Neste mesmo ano, o artista tem os seus primeiros concertos fora dos Estados Unidos, chegando a atuar em palco com Gorillaz e Portishead.

Depois dos concertos na Europa, Dumille é impedido de entrar nos Estados Unidos, fixando-se no Reino Unido. Assim, faz par com Jneiro Jarel, para formar os JJ DOOM, lançando Keys to the Kuffs, para a editora Lex. Ainda para esta editora, o artista colabora novamente com Thom Yorke, assim como o guitarrista dos Radiohead, Jonny Greenwood, numa compilação para celebrar os 10 anos da Lex.

Em 2014, Dumille estreia-se no campo dos videojogos para compor uma música ao lado do rapper Flying Lotus. Deste modo, os dois lançam a faixa “Masquatch“, para o jogo Grand Theft Auto V (GTA V).

A par de CZARFACE, Dumille lança o álbum Czarface Meets Metal Face, em 2018. Um ano depois, lança a versão expandida do disco BORN LIKE THIS, para celebrar o décimo aniversário do álbum.

Em 2020, Dumillie lança os seus últimos singles, enquanto MF DOOM. Assim, o rapper trabalha ao lado da banda BADBADNOTGOOD, para compor um tema para Grand Theft Auto Online. Deste modo, lançam ‘The Chocolate Conquistador’.

Uma das maiores carreiras de sempre do hip-hop

Em 49 anos, Dumille tem uma das carreiras mais preenchidas do hip-hop. Embora não tenha editado discos de platina, como alguns dos seus contemporâneos, o rapper atinge um status invejável e merecido, tanto no panorama underground, como mainstream. Mesmo assim, Dumille colabora com alguns nomes contemporâneos, como Ghostface Killah, dos Wu-Tang Clan, que atingiram sucesso comerical considerável.

Assim, a pegada de MF DOOM é vista por toda a música, por ter colaborado com artistas de vários polos da música, como rock alternativo, por exemplo, Thom Yorke, dos Radiohead, ao jazz contemporâneo de BADBADNOTGOOD.

MF DOOM morre como uma lenda do rap, cuja morte é lamentada pelos seus maiores nomes, como Tyler, The Creator, Ty Dolla $ign e Run The Jewells.