Demi Lovato
Fotografia: Demi Lovato / Facebook

Demi Lovato. O cimentar da autoestima após anos de distúrbios e recaídas

A cantora norte-americana está num processo de "recuperação do distúrbio alimentar"

Demi Lovato, cantora premiada e atriz que ganhou reconhecimento no Disney Channel, é uma das figuras públicas de relevo que diminui o estigma de um dos assuntos mais importantes da atualidade: a saúde mental.

A discussão sobre a saúde mental em pleno século XXI fica ainda muito aquém daquilo que poderia ser. A cabeça manda no corpo, portanto quando não se encontra bem, tudo o resto entra em falência. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que os indivíduos que sofrem de alguma doença do foro mental são propícios a uma morte prematura, até duas décadas, devido a condições físicas provocadas pela mesma. Por ser um parasita, escondido e invisível a um primeiro olhar, a saúde mental pode passar despercebida mas impacta da forma o mais real possível.

Intimamente ligados às doenças mentais, encontram-se os distúrbios alimentares. Segundo a OMS, um distúrbio alimentar constitui-se quando os comportamentos da pessoa em questão podem constituir-se como um perigo para a própria. Aqui, inclui-se a bulimia. Nesta condição, os pacientes “ingerem grandes quantidades de comida e depois eliminam as calorias ingeridas através de laxantes, clisteres, diuréticos, pelo vómito e pelo exercício físico”.

Como tudo na vida, muitas vezes só são dadas mais luzes sob um determinado assunto quando está associado a uma cara. Como seres humanos empáticos, conseguimos relacionar-nos com figuras públicas e mediáticas que vivam com estas dificuldades. Neste caso, Demi Lovato serve de exemplo de autossuperação.

Desde distúrbios alimentares a vícios em substâncias ilícitas, Demi Lovato tem-se visto a braços com vários desafios ao longo da sua carreira, todos sob o olhar de um público atento. Em 2010, entrou em reabilitação, explicando, mais tarde, que estava a lidar com bulimia, transtorno bipolar e adição a álcool e drogas.

No seu documentário de 2017, Simply Complicated, abriu-se aos fãs e confidenciou os detalhes das dificuldades que sofreu, chamando à comida “o maior desafio” da sua vida. Na altura, afirma não ter tido recaídas em relação ao álcool e drogas, mas não diz o mesmo no que concerne à bulimia.

Vergonha. Esta é a palavra que Demi utiliza para descrever o que sente em relação a si mesma, depois de ter uma recaída. Este sentimento é generalizado a todos aqueles que sofrem de bulimia. A unidade hospitalar CUF declara que “todos os comportamentos são realizados em segredo e existe um forte sentimento de culpa e de vergonha após o ato de ingestão de alimentos”. No entanto, continua a repetir-se, num verdadeiro ciclo vicioso, pois “permite aos pacientes aliviar toda a tensão e carga emocional negativa que sentem quando o estômago está de novo vazio”.

Para a cantora, segundo afirma no documentário, uma das suas recaídas teve a ver com ao término da sua relação de seis anos com o ator Wilmer Valderrama. São momentos de tensão como estes e muitos outros que despoletam atitudes prejudiciais para o corpo. Em 2018, depois de anos sóbria, Lovato teve uma recaída, sendo hospitalizada devido a uma overdose de heroína.

A luz ao fundo do túnel

Desde aí, Demi Lovato tem vindo a reerguer-se. Aparentemente, recuperou e estabilizou-se, e em canções como ‘I Love Me’ canta sobre a importância de se valorizar a si própria e não se auto-sabotar.

Largou presenças tóxicas na sua vida, que lhe inspiravam comportamentos destrutivos, neste caso, o seu antigo agente Phil McIntyre. Segundo a atriz, a ex-agência chegava a controlar-lhe a comida, para que não estivesse inchada em eventos e sessões fotográficas. Declarou à revista Bustle que não queria que a sua carreira estivesse relacionada com o seu corpo e atribui a responsabilidade desta mudança de mentalidade a Scooter Braun, o seu novo agente, que parece ter sabido como lidar com os desafios da artista.

Partilhou, ainda, na véspera de Natal, uma série de fotografias no Instagram onde as suas estrias eram visíveis, fazendo-se acompanhar de uma mensagem de esperança e positividade.

A posar em biquíni, Demi começa por afirmar nunca ter acreditado que seria possível recuperar de um distúrbio alimentar. Confessa ter acreditado, a sua vida inteira, “que toda a gente estava a fingir ou secretamente a ter recaídas”.

No entanto, anuncia orgulhosamente aos seus 95 milhões de seguidores que a sua nutricionista declarou que as suas estrias eram “sinal de uma recuperação do distúrbio alimentar”. Então, Lovato decidiu fazer uma sessão fotográfica em celebração destas marcas no seu corpo, “em vez de estar envergonhada delas”. Nas fotografias, cobre-as com glitter, dando a justificação bem-disposta de que “elas [as estrias] não vão a lado nenhum, portanto mais vale cobri-las de glitter, não é?”.

Num tom mais sério, relembra os seus fãs de que uma recuperação é, de facto, possível, incentivando-os a acreditar em si próprios. “Sê gentil contigo próprio e se deslizares, lembra-te de voltar a erguer-te porque és merecedor do milagre da recuperação”, aconselha.

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