À Escuta. 20 artistas que se revelaram em 2020

2020 está, finalmente, a chegar ao fim. Num ano conturbado, a cultura foi imprescindível para nos puxar para cima nos momentos mais frágeis. Foi um ano difícil, e se navegar nesta maré de incertezas é complicado para artistas com uma carreira já conquistada, para novos artistas o desafio foi igualmente labiríntico. Neste sentido, a equipa do Espalha-Factos juntou-se para nomear os 20 artistas-revelação que marcaram 2020.

Para além dos artistas enumerados, destacamos como menções honrosas ROSSANA, cujo primeiro single foi editado em 2019 mas que lançou o primeiro EP, o belíssimo Rossana’s Little Box of Feelings este ano; Bia Maria, que lançou no ano passado o EP Mal me queres, bem te quero mas que este ano veio reafirma-se com uma homenagem à música tradicional portuguesa através do EP Tradição; e EVAYA, cujo EP de estreia, INTENÇÃO foi nomeado pelo Espalha-Factos como um dos melhores álbuns nacionais do ano.

AZAR AZAR

AZAR AZAR é o projeto com o qual se apresenta o teclista e produtor Sérgio Alves. Um nome já conhecido dentro da música portuguesa, contando com colaborações com artistas como Capicua, Marta Ren ou Dealema, AZAR AZAR é o primeiro projeto em que Sérgio se aventura sozinho.

Bebendo influências de jazz, funk, hip hop ou soul, AZAR AZAR foi responsável por assinar dois projetos em 2020. Em abril, lançou um pequeno EP, Miles Davis – Azar Reworks, em que o artista apresenta a sua versão, mais psicadélica e espaçosa, de alguns temas de Miles Davis. Psicadélica e espaçosa são dois adjetivos que também descrevem as primeiras faixas originais lançadas pelo artista, incluídas no EP AZAR EP, lançado em setembro. O EP é constituído por duas faixas originais, ‘Inner World’ e ‘Space Coconut Conspiracy’, e por três remixes.

A par dos YAKUZA ou Mazarin, AZAR AZAR é outro dos projetso de jazz português que mostra que o género está vivo e de boa saúde, e com uma capacidade incrível para se reinventar pelo meio de grooves que juntam o passado e o futuro para criar o presente.

azar azar
AZAR AZAR | Fonte: Bandcamp

Bonança

Bonança é Ricardo Barroso, que se estreou-se este ano com o EP Mui Nobres Intenções. A paixão pelo mundo da música começou cedo quando a mãe, que dirigia um grupo de teatro escolar, propôs-lhe um papel numa versão do Sweeney Todd. Desde então, a vontade de subir palcos nunca esmoreceu e Barroso se foi apercebendo que a música teria “a possibilidade de trazer algo mais ao mundo que me faça realmente feliz“.

Em Mui Nobres Intenções, Bonança revela-se eclético: explora várias sonoridades do espectro do indie para criar um vasto leque de harmonias convidativas – desde ‘Há Demasiadas Marias‘, onde confessa não ser dado à astrologia ou ‘Pé de Chumbo‘, cujo início arrevesado dá lugar a um refrão memorável a Amazonepontocome, cujo riff inicial denuncia a sua crítica suave. A qualidade musical e performativa de Bonança é indubitável, e Mui Nobres Intenções é só a primeira fresta de luz que nos apresenta.

Call Me Alice

A banda portuense Call Me Alice lançou o seu primeiro single, ‘Yellow Coat‘, uns dias antes do primeiro confinamento. Descolaram em plena pandemia, com a edição de vários singles e, mais recentemente, o álbum Cosmos, Sampled. Gravado no verão em Celorico de Basto e produzido entre agosto e setembro, o primeiro disco do quarteto conjuga harmonias oníricas corroboradas por guitarras sonhadoras e canções siderais.

A paixão pelos astros está presente no disco de estreia, sobretudo através do samples retirados do discurso “Pale Blue Dot”, de Carl Sagan, que ganha força nas canções construídas por letras bem lapidadas. Os singles anteriores ‘What If‘ e ‘Broken Glass‘ enfatizam e vertente indie-rock de Fred, Isa, Mat e Sami, nomes que vamos certamente voltar a ouvir falar em 2021.

Chica

Cuidado que vem aí cão / Brincar com o meu direito à habitação”, é o refrão do primeiro single de Chica. Escrita no seguimento dos protestos após o despejo de pessoas em situação sem-abrigo, pobreza ou precariedade, do Seara –Centro de Apoio Mútuo de Santa Bárbara, em Arroios, ‘Brincar com o Cão‘ é uma das canções mais importantes de 2020. Uma verdadeira canção de intervenção, denuncia a precariedade e a complacência das autoridades faces às injustiças cometidas através de uma melodia descomplicada e voz delicada de Chica.

Esperemos um 2021 preenchido de música de intervenção, a situação atual assim o pede. Enquanto esperamos, podemos ouvir a belíssima versão que Chica gravou para A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria.

Dispirited Spirits

Dispirited Spirits é o projeto musical de Rodrigo Dias. Em 2020, lançou o seu single de estreia, ‘Negatives of the Moon (on a Moonless Night)’.

Negatives of the Moon (on a Moonless Night)’ é uma faixa de indie rock fortemente inspirada na astronomia, notável tanto no seu instrumental, com melodias inspiradas pelo psicadélico espaçoso dos Spiritualized e pelo indie melancólico dos Car Seat Headrest ou Built to Spill, e na sua lírica, introspectiva e carregada de metáforas. 

Orelhuda e com toques experimentais, ‘Negatives of the Moon (on a Moonless Night)’ é um pequeno pedaço do universo cósmico que os Dispirited Spirits pretendem experimentar. Para 2021, é esperado que o seu disco de estreia chegue ao mundo

Filipe Karlsson

A vida há-de te sorrir” é um dos versos de ‘Bem Capaz‘, música presente em Teorias do Bem Estar, um dos EPs lançados por Filipe Karlsson em 2020. Sorte ou não, a vida sorriu ao membro dos Zanibar Aliens que se estreou a solo durante o ano apocalíptico que se vive. Uma estreia que não é só de nome, visto que é a primeira vez que luso-sueco canta em português.
Com riffs de guitarra e uma melodia que leva o corpo a mexer-se por toda a casa, Teorias do Bem Estar conta com seis músicas que nos prometem levar numa pequena viagem pelo mundo do artista. Já Modéstia À Parte tem menos uma canção, mas não é por isso que não merece atenção. Lançado no final do ano, o EP tem, tal como o anterior, elementos da música dos anos 1970 e 1980 e groove, mas dá-lhes um subtil toque de pop sueco moderno e bem positivo. Filipe Karlsson é um nome para ter em conta nos próximos tempos.
Fotografia:
Instagram | Divulgação

Good News First

Conhecidos inicialmente como 12_7, Good News First mudaram de nome, mas o núcleo continua intacto: facultar “bandas sonoras à vida das pessoas” através de canções instrumentais que incluem excertos de livros e poesia pensadas por Zé e Dô Vasconcelos e Duarte Farinha. O trio, cujo projeto descolou na quarentena, mantém-se mais ativo que nunca e estreou-se em 2020 com ‘Patterns’, onde homenageiam o escritor e filósofo britânico Alan Watts, “um dos grandes responsáveis pela interpretação e adaptação de filosofias orientais ao mundo ocidental”, ‘We Were Born Lucky‘, referência ao livro com o mesmo nome do escritor americano Ernest Hemingway e ‘Unpopular Essays‘.

Bebendo inspiração de grupos como Explosions in the Sky, ou Bruno PernadasGod Is An Austronaut, o trio tem conquistado o seu espaço na cena lo-fi e ganha pela transversalidade da literatura aplicada à música instrumental. Para , a música puramente instrumental sempre foi uma paixão porque “consegue expressar sentimentos e conceitos mesmo que sem palavras. Para além disso, a ideia de possibilitar uma espécie de banda sonora à vida de uma pessoa é interessante. Nenhum de nós canta muito bem, mas adoramos ler e dar vida aos nossos pensadores preferidos”.

Gota

Fazendo parte do Colectivo Bergado, os Gota estrearam-se em 2020 com o seu EP, Boa Vontade. A banda constituída por Bruno Duarte (baixo e vocais), Luís Gigante (guitarra e vocais), António Feiteira (bateria) e Miguel Ferreira (guitarra e vocais) veio a revelar-se como um dos projetos mais interessantes a surgir dentro do panorama do rock nacional.

Com uma estética DYI, o rock dos Gota bebe influências de vários locais. Nas linhas de baixo, profundas e carregadas de groove, o toque de post-punk brilha, enquanto que nas guitarras, cruas e melosas, o garage rock e o rock alternativo vive no seu habitat natural. Há espaço, também, para toques de jazz e rock experimental ao longo das faixas, conferindo uma conjunção de sons pouco habituais no rock português.

Homens na Piscina

Há homens na piscina / E não sabem nadar” é um bom retrato de como navegamos tempos incertos. Homens na Piscina estrearam-se este ano com a edição do single homónimo e, no dia 25 de dezembro, surpreenderam o público com uma prenda de Natal, ‘Mariana Adeus‘: uma carta de despedida repleta de referências da cultura pop.

Mistura entre hard rock e cultura ardentemente portuguesa (o melhor verso do ano: “deixa-me assar um cabrito em ti“), Homens na Piscina chegaram para incendiar o panorama do rock’n’roll português. Esperamos um 2021 com mais letras fora da caixa e harmonias para um bom head bang.

Hause Plants

Hause Plants é o nome pelo qual se apresenta a solo Guilherme Correia, membro dos Ditch Days. Contando com a ajuda de António Nobre no baixo e António Nunes da Silva na bateria, o projeto lançou dois singles em 2020, ‘City Vocabulary’ e ‘Hazy’.

A música de Hause Plants é etérea, misturando ritmos de post-punk com atmosferas encharcadas de reverb, vindas do dream pop e shoegaze. Guitarras cheias de efeitos surgem tanto em ‘City Vocabulary’, mais barulhentas, como em ‘Hazy’, mais melosas, criando um ambiente acolhedor aonde a voz de Guilherme, distante na mistura, canta sobre ansiedade social, crescer e a noite numa grande cidade povoada de luzes.

Hause Plants é um dos projetos DYI mais excitantes a crescer em Portugal neste momento. O EP de estreia estava previsto ser lançado algures durante 2020, mas tal não aconteceu. Espera-se que em 2021 haja mais para ouvir de Guilherme e companheiros.

João Não

João Não estreou-se este ano com “Nossa Regra (Rosa Negra)”, em março, no virar da página da pandemia Covid-19. A Rimas e Batidas chamou-lhe de “Camané da Geração Z”, num curto artigo logo após o lançamento do single. Com efeito, João Não admite a influência de Pedro Mafama e Conan Osiris, gosta da “ideia dos ‘novos fados’”.
Contudo, o artista independente de Gondomar dá tanto quando retira. Ou seja, embora beba destas claras influências, existe uma identidade própria.No entanto, a musicalidade de João Não estende-se para o hip-hop, também. Aliás, o primeiro single do jovem artista é gravado, misturado e masterizado pelo rapper zé menos. Para além disso, o próprio artista assume que tentou investir na música “mais como um ‘rapper’” no passado.

Esta personalidade vem nitidamente ao de cinema, numa fusão de “novo fado” e rap muito bem conseguida. Aliás, João Não aparece no álbum de Maudito, Troca Tintas, na faixa “Dá-me Espaço”, com uma voz gritante que transparece Zeca Afonso.João Não é um jovem artista promissor, que busca várias influências para formar uma personalidade única e original, de quem esperamos ouvir mais em 2021.

Querubim

Há dois anos, Querubim, nome artístico de Rodrigo Cardoso, publicava o seu primeiro vídeo no YouTube. Era o primeiro esboço de D1sn3y, single relançado em meados deste ano. Outros singles, como ‘Toca e Foge‘, ‘Canso‘ e ‘Jardim da Luz‘ seguiram-se em antevisão ao disco de estreia, lançado em novembro: Saber Estar. O LP de estreia do músico lisboeta é indie rock adocicado, com referências à infância e desgostos amorosos que se misturam com a aura pop que vigora em algumas das canções.

Querubim apresentou-se este ano como um dos mais promissores artistas da nova geração do indie português, servindo de ponte entre o passado recente do género. Querubim é puro DIY, e quando passa do quarto para os palcos é acompanhado de Ricardo Barroso (Bonança), António Fortunato, Francisco Cardoso e António Miguel.

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Querubim

Rita Onofre

A dar cartas numa carreira a solo, Rita Onofre é um nome para escrever na agenda. A artista dos Sease, abre agora uma porta que nos mostra um outro lado. Com um registo um pouco diferente do que fez no passado, Onofre lançou 2 singles,’Haja Sempre‘ e ‘Lugar Nenhum‘.
Numa vibe soft do indie pop temos a oportunidade de explorar as letras e melodias que nos fazem abanar a cabeça, cantar e refletir. Não se pode deixar de lado a forma como a produção minimalista, mas arrojada deixa que os vocais de Rita fluam suavemente e nos embalem. Apesar de distintas, ambas as faixas têm um certo elemento nostálgico e dão ao ouvinte uma sensação divertida de paz.

Rita Vian

Estreando-se em 2019, com o singleDiágonas’, 2020 foi o ano de afirmação de Rita Vian. Durante este, a cantora lançou dois singles, ‘Sereia’ e ‘Purga’, tendo a primeira destas faixas recebido um remix por parte de Branko.

Rita Vian é uma artista que, à semelhança de Conan Osiris ou Pedro Mafama, procura alterar o paradigma do fado. E consegue. Em ‘Sereia’, aonde a sua belíssima voz sobressai sobre um instrumental que contém melodias de fado, nas suas guitarras, e melodias etéreas que ecoam uma tristeza dissonante. No remix de Branko, a eletrónica ganha espaço, e é essa eletrónica que surge com grande presença em ‘Purga’, faixa aonde o fado de Rita é elevado a um nível mais experimental.

Em 2020, o público de Rita Vian cresceu e esta revelou-se – ainda mais – como um artista com vontade de explorar sonoridades e estilos de produção pouco ortodoxos dentro do género. Aguardaremos para ver, em 2021, aonde a sua criatividade a vai levar.

Rei Marte

Em 2020, os Rei Marte tiveram a oportunidade de nos presentear com quatro singles. Crescendo do projeto a solo de Simão Reis, seu vocalista, guitarrista e liricista, os Rei Marte incluem ainda Diogo Faísca no baixo e JAntónio Nunes da Silva na bateria.

Tudo começou em junho, quando ‘Sol’, uma regravação de um tema de Simão Reis, foi lançada. É uma faixa que revela a sonoridade de Rei Marte, com o seu indie rock melódico e melancólico, explorada de forma progressiva nos seus outros três singles. Em ‘Amália, meu amor’, uma homenagem a Amália Rodrigues, faz-se notar uma solidão palpitante na voz de Simão, complementada por um instrumental indie rock totalmente nostálgico. Nostalgia é um dos sentimentos mais fáceis de identificar na música de Rei Marte, fazendo-se notar também bastante no seu último single do ano, ‘Ela Sabe’, uma ode a uma “cidade que pode muito bem ser Lisboa”. Entre ‘Amália, meu amor’ e ‘Ela Sabe’, a banda lançou também ‘Verde’, uma faixa aonde o seu lado mais punk e energético é revelado.

Com o seu indie rock meloso, atrelado à poesia e entrega muito peculiar e crua de Simão Reis, os Rei Marte entram em 2021 como um dos nomes mais em crescimento dentro da cena alternativa portuguesa. É expectável que o seu primeiro EP seja lançado durante o próximo ano.

Tiago Plutão

Um single marca a discografia a solo de Tiago Plutão, nome artístico de Tiago Cunha. ‘Homem na Montanha‘ é sobre um ser sideral e mostra a paixão de Plutão pela astronomia – já o seu projeto paralelo chama-se Jupiturno. O single de estreia faz-nos viajar pelo relevo acidentado de Plutão, o planeta anão, onde vive o nosso guia estelar.

Backing vocals alucinantes e sintetizadores que nos dão a volta à cabeça caracterizam esta canção, que vem acompanhada de um videoclipe igualmente psicadélico, realizado por Waves of Youth. A gravação e masterização de ‘Homens da Montanha’ ficou a cargo de Makoto Yagyu e Fábio Jevelim (ambos de PAUS). Em 2020 os astros desalinharam, mas o desejo de um 2021 auspicioso chega com a vontade de ouvir mais Tiago Plutão.

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Tiago Plutão | Fonte: Divulgação

Tiro no Escuro

Tiro no Escuro, o projeto a solo de Artur Gomes da Costa entrou de rompante em 2020 com o lançamento de sete singles ao longo de vários meses. Começou com ‘Amordaçar‘ e ‘Ansioso‘, num registo acústico; depois apresentou-nos ‘Não Tenho Tinta’, uma viagem pela dream pop, j-pop e no funk, à aura dançável do beat que voltamos a encontrar em ‘Nunca Chego Cedo‘.

Em ‘Talvez‘, Tiro no Escuro regressa aos primeiros singles – despido de efeitos apresenta-se só com voz e guitarra. O último single foi ‘Coração Limpa Pratas, uma canção para dançar e esquecer as penúrias de 2020. Seja em singles ou num eventual disco, a verdade é que Tiro no Escuro será um dos nomes imprescindíveis na banda sonora de 2021.

Tristany

Tristany lança música desde setembro de 2015, mas é em 2020 que o aquecimento termina e entra na corrida. João Tristany descreve a sua música como “apátrida”, mas são notáveis as influências de música Africana, ou até de fados. Assim, o músico cria uma sonoridade muito própria, uma autêntica sinfonia das ruas, onde se intercalam ruídos com notas musicais.

O artista propõe-se a pintar a sua realidade, aos seus olhos e aos olhos de quem o rodeia. Ou seja, a vida e a noite da linha de Sintra, “onde a ostentação é ter o fato de treino completo do Liverpool”. Com isto, em 2018 lança o vídeo de “RAPEPAZ”, um curto documentário sobre o seu mundo. Agora, em 2020, chega com MEIA RIBA KALXAS, produzido por si e por Ariyouok. A distribuição do disco está a cargo da Sony Music. Com ecos de hip-hop, ritmos africanos e kizomba, Tristany lança um dos álbuns mais originais do ano.

Antes deste álbum, Tristany lança TIRANTE-o-o-o-o-o-Baxu ku Riba”. O EP serve como banda sonora para a minissérie, disponível no YouTube, baixo ku riba. Recentemente, Tristany lança Au Vivú. Tal como o nome indica, é um álbum ao vivo, onde o artista interpreta alguns dos temas de MEIA RIBA KALXAS. Na sequência deste lançamento, saem dois vídeos na página oficial do músico no YouTube, que documentam a gravação das faixas “Naxer do Sol (parte 1)” e “Naxer do Sol (parte 2)”.

Assim, Tristany é dos artistas mais completos de 2020. A sua arte espalha-se da música, para a imagem. No entanto, Tristany é um jogador de equipa, que colabora com amigos e outros artistas. Ouviremos (e veremos), certamente, mais deste conjunto no ano que se avizinha.

Wake Up Sleep

Nestes últimos anos, o panorama do hip hop português tem evoluído das mais diversas vertentes com. Cláudio Martins, beatmaker mais conhecido no circuito como Wake Up Sleep, lançou o primeiro álbum com este pseudónimo.
You Don’t Know Me, I’m Not Your Homie é o seu primeiro trabalho no sentido mais estrito e é também a sua afirmação como rapper. Ao todo são 18 faixas que deambulam entre sons melancólicos e rimas reflexivas. As Influências lo-fi e algo jazzísticas são predominantes neste disco.
Oriundo de Sintra, o artista já teve outras projetos como Taser e Sleepinpatterns e é co-fundador da editora/colectivo Slow Habits, mas como Wake Up Sleep consegue destacar-se e ganhar identidade própria. Para quem gosta de sonoridades mais alternativas dentro do hip-hop, este nome tem que estar no vosso radar em 2021.

Yakuza

Em 2020, os YAKUZA, grupo constituído por Afonso Serro (teclados), André Santos (baixo) e Alexandre Moniz (bateria), estrearam-se com o seu primeiro longa-duração, AILERON.

AILERON, nomeado pelo Espalha-Factos como um dos melhores discos portugueses de 2020, é um disco que vem trazer o jazz português para a ribalta. Cheio de groove, e abraçando as tendências do nu-jazz, com a influência de eletrónica e do psicadélico a fazer-se sentir ao longo do trabalho, AILERON faz-nos sentir numa verdadeira auto-estrada carregada de néons a bordo de um tuner. E, sim, esta auto-estrada é localizada no Japão.

Os YAKUZA vieram, em 2020, mostrar que há espaço para o jazz português poder evoluir. Não são o único grupo a fazê-lo, mas de todos os grupos, foram aqueles que este ano atingiram mais sucesso. Ficaremos atentos ao que o grupo poderá trazer daqui para a frente.

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