Brexit

Brexit: Parlamento discute petição para livre circulação de artistas na UE

O Parlamento britânico vai discutir a petição para que artistas e técnicos do Reino Unido possam viajar livremente pelos Estados-Membros da União Europeia após o Brexit.

A petição foi criada por Tim Brenann e já conta com quase 200 mil assinaturas. O Governo britânico tem de tomar em consideração e discussão todas as petições que atinjam um limite mínimo de 100 mil assinaturas.

Gostaríamos que o Governo do Reino Unido negoceie uma autorização de trabalho que dê liberdade de circulação entre os 27 Estados-Membros a músicos profissionais, bandas, artistas, personalidades do desporto e da televisão para digressões, espetáculos e eventos“, lê-se na petição.

Recorrer ao governo é uma “perda de tempo”

O acordo comercial permite que trabalhadores de diversas indústrias entrem na União Europeia sem visto, mas não inclui os músicos nesta clausula. Para fazerem digressões europeias, bandas e artistas podem precisar de vistos para cada país no qual têm de atuar. Se for esse o caso, realizar digressões no continente ficará cada vez mais caro e mais difícil para artistas e técnicos de equipa de suportarem“, explica a publicação da New Musical Express.

A mesma fonte avança que estas despesas acrescidas serão totalmente limitadoras para artistas novos e emergentes, que ainda não têm a mesma capacidade económica de artistas mais consolidados. Esses, em contrapartida, não serão tão afetados.

Este já era um risco que a indústria da cultura tinha previsto. O Sindicato dos Músicos britânicos lançou, em fevereiro de 2020, uma petição para criar um Passaporte dos Músicos, que conta com 90 mil assinaturas.

John Giddings, diretor do Isle Of Wight Festival, afirma que depender de ajuda do governo é a “maior perda de tempo, neste momento” e que o Brexit é uma enorme ameaça à indústria musical. “Se tens de importar e exportar o teu equipamento para dentro e para fora de cada país, então vai levar muito mais tempo. Haverão mais dias de viagem e, a cada diz que passares na estrada, terás a sobrecarga de funcionários, hotéis e tudo o que daí advém. Isso aumentará os custo geral de tudo”, explica.

Brexit: O que está em causa?

O acordo comercial assinado pelo Reino Unido e pela União Europeia, no passado dia 24 de dezembro,  entrará em vigor esta sexta-feira, no primeiro dia do novo ano.  Os trabalhadores terão liberdade de circulação para realizar viagens de trabalho e de negócios, sem precisarem de um visto. A petição foi lançada dias antes deste acordo.

O mesmo acordo permite a liberdade de permanência em estadias curtas (até 90 dias seguidos e 180 dias por ano) no Reino Unido e nos Estados Membros . O governo também não foi específico quanto a estadias de longa duração, como é o caso das digressões. Desta forma, cidadãos não podem viver nem trabalhar durante muito tempo no Reino Unido, e vice-versa, segundo a Agência Lusa.

“Enquanto o Reino Unido conta ratificar o acordo já esta semana, numa votação na Câmara dos Comuns agendada para quarta-feira, do lado europeu é necessária a aprovação formal pelo Conselho, mas também o aval do Parlamento Europeu, que só se pronunciará no início do próximo ano, pelo que a nova parceria UE-Reino Unido será aplicada a partir desta sexta-feira de forma provisória”, refere a mesma fonte.

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