Gastão Reis
Gastão Reis é o segundo a contar da direita. Foto: Instagram

Gastão Reis. A curta carreira do baixista dos Zarco que dos palcos chegou a Cannes

O corpo desaparecido do baixista da banda foi encontrado hoje

Gastão Reis, baixista e vocalista da banda lisboeta Zarco, faleceu na sequência da explosão e desabamento de um prédio em Lisboa, aos 24 anos. Os Zarco, projeto musical que, entre outros, integrava a editora Cuca Monga, faziam de Gastão um dos músicos que do Conjunto Cuca Monga, formado pelo conglomerado dos artistas produzidos pela editora. O conjunto atuou no festival SBSR. FM em Sintonia, na quinta-feira (17).

No passado domingo (20), uma fuga de gás num prédio em Lisboa causou uma forte explosão, que culminou no desabamento do mesmo. Entre cinco feridos, é encontrado o corpo de Gastão Reis, sem vida, por volta das 02h45 da madrugada de segunda-feira (21). O pai de músico está hospitalizado, sendo considerado ferido grave. A Blitz avançou que o desabamento causou mais quatro feridos, todos eles com alta médica entretanto concedida. Assim, os trabalhos de busca no prédio da Rua de Santa Marta estão dados por concluídos.

No Instagram, a editora escreve que “a Cuca Monga está a partir de hoje e para sempre incompleta, perdeu uma das suas mais fundamentais peças. O Gastão partiu sem aviso, mas aqui ficaram muitos amigos, ensinados pela sua enorme capacidade de amar, pela sua imparável determinação e incalculável talento”.

Uma carreira curta mas preenchida

A banda lisboeta Zarco, que o próprio fundou, tomou conta de grande parte da carreira musical de Gastão Dias. Contudo, foi o recém-fundado Conjunto Cuca Monga que ocupou a sua agenda nos seus últimos dias.

Em entrevista para o Observador, o baixista conta que os Zarco começam “a tocar quando fui convidado para tocar nos anos de um tio meu. Não tinha banda, já tinha tido uma antes mas tinha acabado. Tive de juntar um grupo. Lembrei-me do ‘Joe’, que já tinha tocado comigo na banda anterior. Precisava de um baterista e já conhecia o Pedro (Santos), ‘Pete’ não sabia como tocava mas chamei-o. O ”Joe trouxe o Manuel, que já saiu; foi o teclista antes do (João) Sala. Formámos o grupo, tocámos nessa festa e começámos a tocar. Mais tarde, o Sala entrou para o lugar do Manuel e em 2016 juntou-se o Fernão (Biu), que conheci na faculdade (de Letras da Universidade de Lisboa)”. 

A banda lança o primeiro EP em 2017, intitulado Zarcotráfico. O produtor José Moz Carrapa, que trabalhou em Anjo da Guarda, de António Variações, e Guardador de Margens, de Rui Veloso, colabora pela primeira vez com a banda neste projeto.

No passado ano de 2019, os Zarco lançam o primeiro álbum de estúdio, Spazutempoeditado pela Cuca Monga. A editora foi fundada pela banda Capitão Fausto. Afim de promover o disco, os Zarco realizam um pequeno concerto online, de nome Zarco Ao Vivo e a Cores. Com a banda ¡VENGA, VENGA!, lançam o singleHá Fruta para Todos“. A letra foi escrita inteiramente por Gastão Reis.

Além fronteiras, Gastão Reis, com os Zarco, trabalha com a realizadora polaca Sonja Orlewicz-Zakrzewska, afim de escrever a banda-sonora para um curta-metragem que foi transmitida no Festival de Cinema de Cannes. A parceria luso-polaca culminou na película Krzyz na Droge que foi exibida em 2019, naquele que é um dos maiores festivais de cinema do mundo.

Do mesmo modo, músico trabalha na composição de canções para espetáculos teatrais e performativos ao vivo. No começo do ano de 2020, os Zarco trabalham com a companhia de teatro lisboeta As Crianças Loucas. Assim, lançam os temas “LisboaWood” e “A Menina do Arame”.

Ainda no ano de 2020, o músico participa no álbum colaborativo da editora Cuca Monga, Cuca Vida. O disco, assinado pelos 20 músicos que juntos formam o Conjunto Cuca Monga, foi composto durante a quarentena obrigatória. O primeiro single, “Tou na Moda” é lançado a 18 de junho deste ano, seguido pelo restante álbum, que saiu doze dias depois, a 26 de junho.

Na passada quinta-feira (17), o Conjunto Cuca Monga subiu a palco no SBSR. em Sintonia, com Gastão Reis no baixo. Foi a última atuação ao vivo do músico.

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