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Cancelada, mas porquê? 11 séries que mereciam outra oportunidade

Aconteceu com todos nós, num momento ou noutro: tropeçaste numa série e apaixonaste-te perdidamente por ela. Assististe avidamente cada episódio o mais rápido que pudeste, tornaste-te incrivelmente investido nos personagens e começaste a criar suas próprias teorias malucas sobre o que vai acontecer a seguir. Então, sem qualquer aviso, a tua nova série favorita é cancelada.

Porque é que as séries chegam ao fim sem motivo aparente? Em casos, talvez seja porque o número de audiência tenha sido menor do que o esperado, porque os protagonistas conseguiram um grande contrato para o cinema ou porque o canal ou plataforma de streaming voltaram a sua atenção para outros projetos.

O Espalha-Factos reuniu algumas dessas séries que, para muitos dos fãs de televisão, mereciam uma segunda oportunidade.

The Society (2019)

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The Society estreou em maio de 2019 e foi um sucesso na Netflix. Por isso mesmo, foi confirmada uma segunda temporada. No entanto, a Covid-19 acabou por colocar as esperanças em recolher obrigatório, com a plataforma de streaming a cancelá-la inesperadamente.

Talvez por isso tenha sido tão difícil aceitar o destino da série. A versão moderna de Lord of the Flies, que colocou jovens entregues à sua própria sorte sem nenhum adulto a supervisionar o que acontecia, abandonados numa réplica perfeita da cidade onde cresceram, levantou questões importantes sobre a vida em sociedade quando surge a hipótese de se construir, do zero, todas as regras de convivência entre pares, e revelou um elenco talentoso e capaz, onde sobressai Kathryn Newton, mas também Toby Wallace e Rachel Keller.

Muitos finais ficaram por conhecer, mas sobretudo ficamos a sentir a falta de melhor concretização de várias boas ideias que, na primeira temporada, muito centrada em dar a conhecer cada uma das personagens e a complexidade do enredo, não foi possível entender com clareza. Num mundo de reboots, haverá espaço para voltar até West Ham?

Anne With an E (2017-2019)

Anne e Gilbert no final de Anne with an E
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O cancelamento de Anne With an E surpreendeu os fãs e originou a petição mais assinada de sempre para renovação de uma série, que conta com quase 1 milhão e 500 mil assinaturas. Se ainda não conheces esta produção da CBC e da Netflix, nunca é tarde para começar, já que os fãs continuam a lutar para que a série volte a ser produzida.

Oficialmente cancelada em novembro de 2019, nunca houve uma explicação que os fãs aceitassem para o final da série. Inicialmente, estavam previstas cinco temporadas, mas a série teve apenas três temporadas, lançadas entre 2017 e 2019. Pensa-se que tenham existido pressões económicas para terminar a produção, falta de audiências, ou até um conflito legal entre as criadoras de Anne With an E e o realizador de um filme anterior sobre o mesmo tema.

Anne With an E baseia-se nos livros clássicos de Ana dos Cabelos Ruivos, de L. M. Montgomery. Segue a vida da jovem orfã Anne, à medida que encontra uma família incomum e vai descobrindo o seu lugar no mundo.

Hannibal (2013-2015)

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Hannibal é uma série americana de terror e suspense psicológico, emitida pela NBC. A série é fortemente baseada nos romances Red Dragon, Hannibal e Hannibal Rising, de Thomas Harris. A série foi cancelada em 2015 pela estação norte-americana, mas ainda é vista pelos antigos fãs e novos telespectadores por todo o mundo.

Apesar da ampla aclamação da crítica a Hannibal e de um público cult leal, o drama serial killer foi cancelado depois de apenas três temporadas. A razão para esta decisão foi, supostamente, as baixas avaliações à produção. Na verdade, as críticas a Hannibal eram perigosamente baixas e continuavam a cair a cada temporada desde a estreia, em abril de 2013.

Hannibal foca-se em uma estranha relação entre o investigador especial do FBI Will Graham, interpretado pelo ator Hugh Dancy, e o psiquiatra forense Dr. Hannibal Lecter interpretado por Mads Mikkelsen. Lecter está destinado a tornar-se o inimigo mais astuto de Graham; ao mesmo tempo, torna-se a única pessoa que o consegue entender Graham. O elenco de Hannibal inclui ainda Caroline Dhavernas como Alana Bloom, Hettienne Park e Laurence Fishburne.

The Carrie Diaries (2013-2014)

série
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A história sobre a jornada de Carrie Bradshaw (Anna Sophia Robb) enquanto adolescente passa-se em 1984 e é explorada nesta prequela de Sexo e a Cidade, que durou apenas duas temporadas.

Carrie tem 16 anos e acaba de perder a mãe. A lidar com a rebeldia da irmã mais nova, Dorritt (Stefania Owen), e as dificuldades do pai em cuidar das duas filhas sozinho, só os amigos deixam a vida da jovem mais tolerável. Para superar a rotina de Connecticut, o pai de Carrie consegue que a filha vá estagiar numa empresa de advocacia em Manhattan, cidade que lhe vai despertar uma grande paixão pelo glamour, a agitação e o encanto de Nova Iorque.

Criada por Amy B. Harris, apesar de ter tido um grande sucesso aquando da sua estreia em 2013, o certo é que um ano e 26 episódios depois, a emissora The CW cancelou a série e acabou demasiado cedo com as inocentes aventuras de Carrie em Manhattan.

Freaks and Geeks (1999-2000)

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Transmitida nos Estados Unidos em 1999 e 2000 – em Portugal, passou em 2003 na SIC Radical -, Freaks and Geeks é uma série sobre adolescentes de dois espetros distintos e que lidam com as suas angústias no dia-a-dia. O elenco conta com Jason Segel (How I Met Your Mother) Linda Cardellini James Franco muito anos antes de se tornarem estrelas à escala mundial.

A ação decorre na década de 80, período pouco explorado em projetos audiovisuais da altura. Ao longo de 18 episódios, Freaks and Geeks segue a história dos irmãos Weir. Lindsay (Linda Cardellini) faz parte dos rebeldes Freaks e Sam (John Francis Daley), é orgulhoso membro dos Geeks. O carisma do elenco é um dos pontos fortes e os dilemas vivenciados pelos jovens apimentam a trama da série.

Criada por Paul Feig e produzida por Judd Apatow, a série teve apenas uma temporada. Foi cancelada devido aos maus números de audiência e, em parte, devido à má colocação na grelha televisiva da NBC.

The OA (2016-2019)

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The OA, da Netflix, foi cancelada em agosto de 2019, quatro meses e meio depois da estreia da segunda temporada. A série foi pensada para ter cinco temporadas, o que impulsionou o choque dos fãs com a decisão do seu cancelamento.

A criadora e protagonista, Brit Marling, assim como Jan Isaacs (que interpretou o cientista Hunter), deixaram bem claro que a série não vai voltar. Em resposta, a dedicada base de admiradores de The OA criou uma tempestade nas redes sociais, de forma a chamar atenção para que alguém salvasse a série através da hashtag #SaveTheOA. Um conjunto de fãs chegou mesmo a conseguir um ecrã na Times Square de Nova Iorque a promover a iniciativa.

Em The OA , Prairie Johnson (Marling) é uma mulher cega adotada que desapareceu por sete anos. Quando de repente reaparece viva, consegye ver, tem cicatrizes inexplicáveis ​​nas costas e refere-se a si mesma como OA (Original Angel). Em vez de explicar o que se passou aos pais ou às autoridades, revela os seus segredos a moradores da sua cidade e pede a sua ajuda para encontrar outras pessoas desaparecidas. Só que, como fica claro desde o início, aqui nada é bem o que parece.

Mindhunter (2017-2019)

Mindhunter
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Mindhunter estreou na Netflix em 2017 e, apesar de ser considerada uma das melhores séries originais da plataforma de streaming, não conseguiu atingir o sucesso esperado.

Inspirada no livro Mind Hunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit, retrata a Unidade de Análise Comportamental do FBI na década de 70. Acompanha a forma como os agentes Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany) tentam incorporar a psicologia criminal na resolução de assassinatos, recorrendo a entrevistas a alguns dos mais terríveis serial killers da história, como Ed Kemper ou Charles Manson.

Inicialmente pensada para ter cinco temporadas, a série vê o seu fim chegar após a segunda temporada. Ao contrário de muitas outras séries que foram canceladas este ano pela Netflix, Mindhunter chega ao fim por decisão do próprio produtor, David Fincher, que sentiu que não fazia sentido prosseguir para uma terceira temporada, uma vez qye as audiências não estavam a justificar o orçamento elevado da série. Para além disso, Fincher acabou de lançar o primeiro filme na plataforma, Mank, com a qual ainda mantém o projeto Love, Death and Robots.

Humans (2015-2018)

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Humans estreou em 2015 no Channel 4 britânico. Provavelmente muitos não ouviram falar da série – embora tenha sido transmitida em Portugal na AMC, canal que passou a fazer parte de uma produção conjunta com os Estados Unidos a partir da segunda temporada.

Um drama sci-fi, passa-se numa versão alternativa do nosso mundo em que foram desenvolvidos robôs (ou synths) cuja aparência é idêntica à de um humano. Algumas famílias tornaram-se dependentes destes humanóides que fazem tudo por eles; outras sentem-se desconfortáveis pela sua presença. A família Hawkins divide-se entre estas duas posições e não dá para mentir – Anita, a robô que foi parar lá a casa, causa alguns arrepios na espinha por não se saber de que lado realmente está.

Dizer mais que isto seria spoiler, mas a primeira temporada tem um enredo que se desenvolve de forma surpreendente. O elenco é bom, com atuações impecáveis – principalmente quando se fala dos robôs, em especial a Anita de Gemma Chan (atriz que pode ser reconhecida do seu papel em Asiáticos e Podres de Ricos). As duas temporadas seguintes não tiveram o mesmo impacto da primeira, especialmente a última, que acabou por cair em enredos que não fazem jus à sua origem.

Mesmo assim, é pena que não tenha existido pelo menos uma temporada final. Teria sido bom um fecho mais real depois dos acontecimentos menos desejados e mais trágicos de onde a trama forçadamente se despediu. Seria uma oportunidade para redimir o que começou por ser uma história inteligente e que apela aos nossos desejos e (simultaneamente) medos mais profundos de quando a tecnologia se começa a confundir com a nossa própria génese.

Firefly (2002)

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Firefly é um space western que talvez seja conhecido por gerações mais novas por estar constantemente a ser mencionado nas sitcoms A Teoria do Big Bang e Big Mouth. Sheldon Cooper (Jim Parsons), repete continuamente que Firefly foi injustamente cancelada, enquanto Missy (Jenny Slate) tem fantasias com Nathan Filion, estrela da série. No entanto, não estamos aqui para falar de A Teoria do Big Bang, mas sim para dar razão a uma das suas personagens principais e, talvez, não julgar as ideias de Missy.

Esta pérola esquecida dos (também esquecidos) space westerns estreou no começo do século, em 2002. À semelhança de Smallville, a série pareceu ser uma aposta certeira num programa de um meio nerdy, meio esse que anos mais tarde ganharia uma popularidade inesperada. No entanto, devido baixas audiências, numa altura em que a Comic-Con não era um evento tão popular como agora, a FOX decidiu cancelar a série. Apenas uma temporada, com 14 episódios, foi para o ar.

A série, criada por Joss Whedon, conta a história dos nove tripulantes a bordo de Serenity, uma nave espacial renegada do tipo Firefly, que chegaram a um novo sistema de estrelas, no ano de 2517. Na visão de Whedon, a série pretendia captar “nove pessoas a olharem para a escuridão do espaço, enquanto veem nove coisas diferentes”.

Com um leque de personagens tão vasto e original, Whedon planeava que a série tivesse sete temporadas; tal não foi possível. Ao longo dos anos, fãs recordaram a série e esperavam que, com a onda crescente de popularidade, a FOX retomasse o projeto. Não aconteceu, mas ficamos com catorze episódios que valem a pena ser vistos e revistos.

The Whispers (2015)

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The Whispers (não a banda, mas a série, que sim, existiu) teve 13 curtos episódios e deixou os fãs sem qualquer conclusão lógica – a única lógica da decisão sendo o budget e as audiências fracas, embora não haja nada claro quanto à decisão.

Baseada num conto de The Illustrated Man, e produzida por Steven Spielberg, a série acompanhou crianças que comunicavam com um amigo imaginário, uma força invisível que lhes dava instruções maléficas, cujas consequências perturbavam os pais.

Protagonizada por Lily Rabe, uma das imensas rainhas do horror e do drama norte-americano (ou assim nos diria American Horror Story), esta série ficou pelo caminho daquilo que seria uma década recheada de sci-fi aliado às pessoas mais inocentes do mundo: as crianças. Ou assim o vimos com os exemplos de Stranger Things e Dark, que estreavam nos dois anos seguintes.

Selfie (2014)

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Esta comédia romântica do canal ABC estreou em setembro de 2014 e, como muitas outras séries, não sobreviveu dada a baixa audiência que teve nos seus primeiros episódios. Protagonizada por Karen Gillan (Guardiões da Galáxia, Doctor Who) e John Cho (Star Trek), a comédia tinha o elenco certo – com a química perfeita – para ser um sucesso, acerca de uma fútil Eliza Dooley (Gillan), que pretende tornar-se famosa nas redes sociais, nomeadamente no Instagram, e que acaba por procurar a ajuda de Henry Higgs (Cho), um colega que trabalha no departamento de marketing da mesma empresa e que é, aparentemente, o seu oposto.

O nome das personagens e o enredo desta curta série eram uma referência à peça Pygmalion (1912), de George Bernard Shaw, tornada célebre pela adaptação musical My Fair Lady (1956), sobre Henry Higgins e Eliza Doolittle. Em ambos, Henry assume a tarefa de ajudar Eliza a melhorar o seu status social e, no processo, apaixona-se por ela. Na altura, John Cho foi o primeiro americano de origem asiática no papel de protagonista masculino de uma sitcom romântica, e o cancelamento deitou por terra a esperança que o público tinha de ver, nas suas televisões, um casal interracial que parecia positivamente promissor.

Artigo coordenado por Marina Monteiro com escolhas de Pedro Miguel Coelho, Carolina Correia, Matilde Costa Alves, Tiago Serra Cunha, João Pardal, Márcia Rénio, Diogo Oliveira, Ana Silva e Mariana Nunes.

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