Fotografia: Lucasfilm / DR

Crítica. ‘The Mandalorian’: Um final estonteante e um futuro surpreendente

A segunda temporada de The Mandalorian chega ao fim e o Espalha-Factos faz uma análise desta temporada da série passada no universo de Star Wars.

Depois de ter estreado no dia 30 de outubro e o Espalha-Factos ter dado o seu veredicto do primeiro episódio, The Mandalorian termina o season finale com a promessa garantida de regressar em dezembro de 2021.

O futuro de Star Wars foi revelado neste mês e esta série é, nos dias que correm, um dos principais pontos de interesse enre os fãs da franquia. Será que as aventuras do The Mandalorian corresponderam às expectativas? Ou o sucesso terá levado a cometer erros comuns numa tentativa de agradar fãs de longa data de Star Wars?

Aviso: Este artigo tem spoilers

É preciso constatar que a segunda temporada superou, em grande medida, a fasquia em relação à anterior. O surgimento do dragão de Krayt no planeta Tatooine no primeiro episódio é um claro exemplo dessa afirmação. A grandeza do monstro e as sequências de ação que o envolvem deram o tom que iria ser recorrente nos oito episódios: de epicidade.

O facto de terem realizadores tão distintos como Robert Rodriguez, Rick Famuyiwa e Bryce Dallas Howard foi crucial para dar diferentes visões ao enredo escrito maioritariamente por Jon Favreau (as excepções são Dave Filloni e Rick Famuyiwa no quinto e setimo episódio desta temporada).

Apesar de alguns episódios seguirem uma fórmula elementar que consiste no Mandalorian ter que completar uma missão com diferentes objetivos num planeta distinto, tal como se tratasse de um nível num videojogo, a execução é bem feita e podemos “fechar os olhos” em relação a este aspeto.

A aparição de Ashoka Tano, Boba Fett e Bo-Katan enriqueceram o argumento da série e a mitologia de Star Wars. A forma como foi executada não pode ser rotulada como um simples ‘fan-service’. A franquia tem várias ramificações que se estendem para além dos filmes da saga Skywalker e, tendo em conta que a série decorre cinco anos depois dos eventos do Episódio VI: O Regresso de Jedi, é quase inevitável que existam alguns pontos de convergência entre as histórias deste universo.

Din Djarin e Grogu (Divulgação: Lucasfilm)

Din Djarin, o mandalorian que dá nome à série, tem um crescimento notório enquanto personagem. Na primeira temporada, era um caçador de prémios sem escrúpulos e crente convicto da filosofia do clã Mandalore que, quando acolhe Grogunome oficial da Criança revelado no quinto episódio – cria um forte laço de amizade com a pequena criatura.

Ao longo da segunda temporada, o guerreiro, que jurava não tirar o seu capacete por respeito ao seu povo, deixou as suas crenças de parte para ajudar no resgaste de Grogu. Na derredeira despedida, Djarin remove novamente e não consegue conter a emoção no momento.

A evolução é notória. Din Djarin passa de um caçador de prémios sem escrúpulos para uma figura parental de uma criatura peculiar. O tratamento da personagem por Jon Favreau e Dave Filoni foi brilhatemente delineado.

Moff Gideon interpretado por Giancarlo Esposito (Divulgação: Lucasfilm)

Moff Gideon, interpretado por Giancarlo Esposito, volta novamente a dar brilho aos vilões da franquia. Um aspeto que foi decisivo para dar credibilidade a esta fação foi, sem dúvida, ilustrar o lado mais humano. Num vasto universo de Star Wars, nem sempre há lugar para heróis e vilões no seu sentido mais estrito e, nesta série, somos confrontados com isto.

Em várias instâncias, é apresentado que o Império tem várias perdas, evidenciando o lado mais trágico e inevitável que, independentemente do lado, a guerra custa vidas humanas na busca de um ideal utópico.

Futuro da série…

Pela primeira vez em Star Wars, o desfecho da segunda temporada teve uma cena pós-creditos (inspirada claramente pelo universo cinematográfico da Marvel). Nela, vemos Boba Fett a reclamar poder na organização criminosa que já foi liderada por Jabba The Hutt. Fett aniquila Bib Fortuna, antigo conselheiro de Jabba e seu sucessor nessa organização, tornando-se assim no novo chefe com Fennec Shand a seu lado.

Depois de fechar a história de Din Djarin em 16 capítulos, Jon Favreau vai abrir o livro de Boba Fett em dezembro de 2021. Não deixa de ser irónico que a morte do ator que deu corpo à personagem na trilogia original tenha acontecido algumas horas antes da estreia deste último episódio. Um virar de página que sem dúvida irá ficar presente na memória dos fãs da franquia.

O conceito de ter Boba Fett como protagonista – interpretado por Temuera Morrison – é surpreendente e entusiasmante, pois as possibilidades de enredo são quase infinitas tal como o universo de Star Wars. No entanto, Jon Favreau e Dave Fillioni têm de ter cautela a gerir o uso desta personagem, agora que vai ser, ao que tudo indica, o centro das atenções numa série spin-off intitulada The Book of Boba Fett.

É verdade que existem pontas soltas entre Din Djarin e Bo-Katan relativamente ao clã Mandalore por causa da posse de sabre negro. Nessa vertente, há possibilidade de a história ser explorada numa série futura (mesmo que seja em The Mandalorian).

Se for tão bem planeada como esta – ao contrário da trilogia mais recente – é seguro dizer que os fãs de Star Wars vão ter mais uma série de excelência.

As duas temporadas de The Mandalorian já estão disponíveis no Disney+. A terceira irá estrear em dezembro de 2021.

Artigo atualizado às 14h15 de dia 21 de dezembro com a confirmação da série spin-off The Book of Boba Fett por parte da Disney.

 

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