Christina Aguilera

Christina Aguilera: 40 anos de música e feminismo

Christina Aguilera dispensa apresentações pelo seu trabalho extenso na música, que se estende a vários géneros. A sua voz poderosa e versatilidade deixaram marcas no mundo do cinema e da televisão, desde muito pequena. Ao longo da sua carreira, nunca deixou de ser ativa na luta contra a discriminação e na defesa de uma sociedade mais justa.

Infância e início de carreira

Christina María Aguilera nasceu a 18 de dezembro de 1980, em Stanten Island, Nova Iorque. Devido ao trabalho do pai, militar do exército norte-americano, a família mudou-se muitas vezes, tendo vivido três anos no Japão. Christina admite não ter tido uma infância fácil, marcada pela violência física e verbal do pai sobre a mãe, que eventualmente conduziu ao seu divórcio. A mãe pegou nas duas filhas, Christina e Rachel, e mudaram-se para os arredores de Pittsburg onde, entretanto, voltou a casar. Do segundo casamento nasceu o irmão mais novo, Michael.

Com apenas seis anos, Aguilera começou a atuar em programas de talento locais até pisar os palcos do programa de televisão norte-americano Star Search. A sua carreira musical ganhou um impulso definitivo quando, em 1992, se tornou uma das caras do The Mickey Mouse Club. O programa terminou em 1994 e contou com a participação de personalidades atualmente bem estabelecidas no mundo da música como Britney Spears e Justin Timberlake.

Entre o cancelamento de The Mickey Mouse Club e o lançamento do primeiro álbum, Christina trabalhou com o cantor japonês Keizo Nakanishi no single ‘All I Wanna Do e representou os Estados Unidos no Golden Stag Internacional Festival. Em 1998 participou no soundtrack de Mulan com a música ‘Reflection‘ (que conta com uma nova versão para o live action de 2020). Esta participação foi muito importante para a artista porque lhe proporcionou o primeiro contrato discográfico com a RCA Records.

Da Disney a Liberation

‘Genie in the Bottle’ foi o seu primeiro single, pertencente ao álbum de 1999, Christina Aguilera, que atingiu os primeiros lugares dos tops norte-americanos. Seguiram-se outros hits como ‘What a Girl Wants e um Grammy para Artista Revelação com ‘Come on Over Baby (All I Want Is You).

Em 2000, lançou dois álbuns: Mi Reflejo, que obrigou a que a cantora aprendesse a falar espanhol, e My Kind of Christimas. No ano seguinte, participou no soundtrack do filme Moulin Rouge com a música ‘Lady Marmalade, que juntou Aguilera com outras vozes bem conhecidas da pop como P!nk, Mya e Lil’ Kim.

Com o álbum Stripped (2002), Aguilera adotou a alcunha Xtina e arriscou com sons R&B e temas acerca da liberação e sexualidade femininas, especialmente evidentes no single ‘Dirrty. Este contou com a participação de Redman, e foi nomeado para o Grammy de Melhor Colaboração Pop em 2003.

A artista voltou a vencer um Grammy com o singleAin’t No Other Man’, do álbum Back do Basics (2006). A música foi inspirada no relacionamento com Jordan Bratman, com quem casou em 2005. O álbum foi influenciado pelo jazz e blues e figuras como Nina Simone.

Já com quase uma década de carreira, lançou Keeps Gettin’ Better, a primeira coleção discográfica da artista, que incluiu duas novas versões electropop dos seus maiores singles: ‘Genie 2.0’ e ‘You Are What You Are [Beautiful]’, em 2008. No mesmo ano, deu à luz o seu primeiro filho.

Os fãs tiveram de esperar quatro anos até ao lançamento do quarto álbum, Bionic (2010), com uma sonoridade mais eletrónica e participações de artistas como Nicki Minaj, M.I.A e SIA. Seguiram-se Lotus (2012) e Liberation (2018), o seu mais recente trabalho que, como refere em entrevista à Apple Music, é um regresso ao que mais gosta de fazer, para além da maternidade, onde conta a sua história, pelas suas palavras.

Uma carreira para além da música

Christina Aguilera estreou-se no cinema com o musical Burlesque, em 2011, em que deu vida a Ali Rose, uma jovem que sonha viver da música e, para perseguir esse objetivo, demite-se e muda-se para Los Angeles. Nova na cidade, encontra o clube de burlesco de Tess Scali (Cher) e aí começa a servir às mesas, até que os seus colegas se apercebem da sua capacidade vocal que pode salvar o clube da ruína financeira. O filme venceu um Globo de Ouro e o soundtrack foi um sucesso de vendas, atingindo a 18.ª posição no Billboard 200. Depois de se divorciar, anunciou o início do relacionamento com Matthew Rutler, que conheceu enquanto trabalharam juntos no filme.

Entre 2011 e 2012, foi mentora nas primeiras temporadas do concurso de talentos The Voice, juntamente com Adam Levine, vocalista dos Maroon 5, com quem colaborou no single ‘Moves Like Jagger. Ainda entre os anos em que foi mentora no The Voice, participou na música ‘Say Something com a dupla A Great Big World (Ian Axel e Chad King), que se viria a tornar num sucesso e vencer o Grammy para Melhor Colaboração Pop, em 2014.

Ausentou-se algumas vezes do programa, ora para se produzir o quinto álbum, ora para se focar na família, numa altura em que ficou noiva e deu à luz a segunda filha. Acabou por vencer na décima temporada, em 2016, com a concorrente Alisan Porter. Recentemente, criticou o formato televisivo, acusando-o de ser menos acerca da música e dar mais importância ao entretenimento, em entrevista à Billboard. A artista não voltou a participar no programa.

A sua carreira na ficção não se limitou a Burlesque. Aguilera articipou ainda em três temporadas da série da ABC, Nashville (2015), colaborou na banda sonora da série The Get Down (2016), da Netflix, e fez parte do elenco do filme Zoe (2018).

Entre as notas e o ativismo

Christina Aguilera sempre foi defensora dos direitos LGBT. Em 2017, escreveu e enviou à Billboard a Carta de Amor à Comunidade LGBT, na qual reconheceu as várias dificuldades que a comunidade enfrenta todos os dias. “Os obstáculos que cada um de vós enfrenta diariamente a um nível individual e no espectro político e cultural são inimagináveis, porém, vocês continuam a lutar e a seguir em frente, ultrapassando e vencendo todas as probabilidades com amor nos vossos corações”, escreveu.

Uma das músicas mais conhecidas da artista, Beautiful, que fala sobre “saúde mental, particularmente depressão, stress pós-traumático, ansiedade e rejeição social”, segundo o site Genius, foi dedicada pela própria à comunidade LGBT e valeu-lhe o GLAAD Media Award, em 2011, pela representação positiva de pessoas gay e transgénero. O prémio foi criado pela ONG Gay & Lesbian Alliance Against Defamation para premiar celebridades que aumentam a visibilidade e compreensão em torno de temas LGBT através do seu trabalho.

A cantora também promoveu o fim da discriminação e do estigma em torno da HIV/SIDA quando, em 2004, foi a cara da campanha da MAC Cosmetics, que angariou cerca de 500 milhões de dólares para o combate à doença. Também defendeu publicamente o casamento de pessoas do mesmo sexo, em 2008, quando surgiu a “Proposta 8” na Califórnia, uma tentativa de eliminar esse direito. Mais recentemente, em 2016, dedicou a música Change às vítimas do tiroteio na discoteca Pulse, em Orlando, onde 49 pessoas foram assassinadas.

21 anos depois da estreia do seu primeiro álbum, o que é que nos deixou?

2020 marca o aniversário dos 21 anos do lançamento do primeiro álbum de Christina Aguilera. Em entrevista no The Kelly Clarkson Show, no ano passado, a cantora refletiu sobre o legado que deixou na indústria musical e porque é que o seu trabalho continua tão relevante hoje:

Não nos devemos desculpar pelo nosso lado sexual, pela nossa vulnerabilidade, somos lutadores que ultrapassam objetivos. Acho que essas são as mensagens que foram realmente importantes para mim e ainda são”.

São 40 anos de uma artista versátil, que continua a inspirar os fãs a assumirem-se tal como são, confiantes ou não, abraçando as suas inseguranças e afirmando a sua sexualidade e emancipação.

 

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.