Fotografia: Warner Bros. / Divulgação

Crítica. ‘Wonder Woman 1984’ é um “regresso ao futuro” da DC

Wonder Woman 1984 com Gal Gadot é a aguardada sequela do filme de 2017. O Espalha-Factos já teve oportunidade de assistir e partilha o seu veredito sem spoilers significativos.

Depois de várias adiamentos, Wonder Woman 1984 chega finalmente aos cinemas portugueses e, nos Estados Unidos, a longa-metragem, para além de estrear em alguns cinemas, irá também ficar disponível na plataforma HBO Max no dia 25 de dezembro. A pandemia da Covid-19 é o principal motivo que levou a Warner Bros a tomar esta decisão.

Patty Jenkins regressa à cadeira de realizadora e é uma das argumentistas do filme. O elenco conta com Gal Gadot como a Mulher Maravilha e tem Kristen Wiig, Chris Pine e Pedro Pascal nos principais papéis. Depois de Birds of Prey, Wonder Woman 1984 é o segundo filme do universo cinemático da DC lançado em 2020.

Será esta longa-metragem um tiro em cheio por parte da Warner Bros ou é mais um filme esquecível que usa a cultura pop dos anos 1980 como isco para atrair os espetadores?

“A cor” dos anos 80

Depois da ação de Wonder Woman (2017) ter decorrido durante a Segunda Guerra Mundial, a sequela tem os anos 8o como pano de fundo. A moda, os penteados exuberantes, as máquinas de arcadas, os televisores, que em 2020 são obsoletos, servem como momentos de distração e de humor no enredo.

Chris Pine em Wonder Woman 1984
Chris Pine surge novamente como Steve Trevor (Divulgação: Warner Bros.)

Mas não são só estes elementos que pintam o argumento. As tensões políticas entre Estados Unidos e União Soviética e os confrontos do Médio Oriente estão presentes e mostram assim o lado menos “romântico” e nostálgico dessa década.

Sendo um filme baseado numa franquia de super-heróis, existe um elemento sobrenatural que é a base para o plano dos vilões. Não querendo explorar aprofundadamente este aspeto da história, o mesmo coloca Mulher Maravilha numa corrida para voltar restabelecer a “normalidade” dos tempos. Digamos que é uma espécie de Regresso ao Futuro mas à moda do universo da DC.

Os antagonistas de Wonder Woman 1984

Se há coisa que os fãs de Wonder Woman criticaram em relação à longa-metragem de 2017 foi a ausência de um vilão marcante. Patty Jenkins parece ter visto os comentários nas redes sociais e, em Wonder Woman 1984, apresenta não um mas dois vilões.

Pedro Pascal tem sido, neste último ano, uma das grandes estrelas de The Mandalorian. Neste filme, o ator chileno é Max Lord, fundador de uma companhia petrolífera que tenciona usar para se tornar num magnata sem precedentes. Ao contrário da personagem da série da Disney+, a personagem é megalómana e adora ser o centro das atenções. Os traços de personalidade realçam arquétipos de empresários multi-milionários e, em algumas instâncias, um certo presidente dos Estados Unidos.

Kristen Wig e Pedro Pascal são Bárbara Minerva e Max Lord em Wonder Woman 1984
Kristen Wiig e Pedro Pascal são Barbara Minerva e Max Lord em Wonder Woman 1984 (Divulgação: Warner Bros.)

Em vários momentos, Max Lord tem comportamentos de um simples vilão vindo das páginas de uma banda desenhada e também já visto em outros filmes do género. No entanto, o argumento de Patty Jenkins, Geoff Johns e Dave Callaham mostra também um lado mais humano de Max Lord fundamentado por laços familiares em vários momentos do filme.

Kristen Wiig, que é Barbara Minerva e Cheetah, é carismática na sua perfomance mesmo que o seu papel seja clichê na grande parte do filme. As sequências de ação com a Mulher Maravilha são um dos pontos altos da longa-metragem.

O crescimento de Wonder Woman

É a quarta aparição da Mulher Maravilha (se contarmos com as participações em Batman V Superman e Justice League) e Gal Gadot prova mais uma vez que a pele de Deusa vinda da ilha Themyscira assenta-lhe na perfeição, mesmo que as suas capacidades enquanto atriz sejam limitadas. A sua relação com a personagem Steve Trevor (interpretado por Chris Pine) é explorada de uma forma perspicaz e não é trazida sem motivos.

Mulher Maravilha mantém o registo de super-heroína. Contudo, evidencia um lado mais terra-a-terra quando seus inimigos lhe fazem frente. Apesar do seu estatuto de divindade, não é perfeita e evidencia um amardurecimento enquanto personagem.

Wonder Woman 1984 não reinventa a roda no que diz respeito aos filmes de super-heróis e não precisa de o fazer. É dos filmes mais consistentes do universo cinemático da DC. Apesar de ter alguns clichés, a longa metragem oferece vários momentos empolgantes que merecem ser vistos num grande ecrã.

Título original: Wonder Woman 1984
Realização: Patty Jenkins
Argumento: Patty Jenkins, Geoff Johns, Dave Callaham
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Kristen Wiig, Pedro Pascal
Género: Acção, Aventura
Duração: 151 minutos

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