The Prom
Fotografia: Netflix/Divulgação

Crítica. ‘The Prom’: Um musical de muito espetáculo e pouco mais

The Prom é o novo musical da Netflix. Baseado numa produção da Broadway de 2018, o filme é a mais recente colaboração entre o realizador Ryan Murphy e a plataforma de streaming.

Um grupo de estrelas da Broadway vê-se numa maré de azar profissional. Depois de uma vila do Indiana proibir a realização de um baile escolar de finalistas por razões homofóbicas, as celebridades veem nesta causa uma oportunidade de reconquistar a atenção do público. O elenco conta com os grandes nomes de Meryl StreepNicole KidmanKerry WashingtonJames Corden.

Será que este musical é um hino pela igualdade? Ou as suas notas nunca chegam a estar afinadas?

Muitas cores, muita música e nada de novo

Há muitas armadilhas na adaptação de um musical para o Cinema. A tradução entre as duas linguagens artísticas pode falhar por diversos fatores — Cats que o diga. The Prom sofre pela narrativa. O musical bem humorado sobre a comunidade LGBTQ+  e o ativismo de celebridades transforma-se num filme cliché, do género das outras comédias-românticas que se podem encontrar no repertório da Netflix.

A história é previsível e as personagens bastante superficiais. Apesar das estrelas da Broadway serem intencionalmente um estereótipo, por questões de sátira, até elas acabam por ter um desfecho bastante típico para este género de filmes. Mesmo assim, o caráter simplista de The Prom torna-o acessível e leve. O espetador não precisa de pensar e pode descansar no sofá, enquanto se diverte com os números musicais.

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Este aspeto é a melhor parte do filme, em que Ryan Murphy recria e potencia da melhor forma os visuais das várias canções da banda sonora. O realizador é conhecido pela sua estética extravagante e este estilo faz um par perfeito com o musical. Cada segmento é criativo nos enquadramentos, nas coreografias e nas piadas estritamente visuais que complementam o humor das letras. A cinematografia é enérgica e recheada de cores vibrantes.

The Prom sofre, porém, de outro problema que já não é culpa da adaptação, mas sim do material original. Apesar de ter um grande conjunto de canções, a maioria não é muito diversa. Existem, no fundo, dois estilos musicais: canções animadas com múltiplas vozes, ou baladas individuais ou em dueto. Duas horas seguidas em que este estilo se repete constantemente, ou em variadas ocasiões com os mesmo intervenientes, acaba por desgastar.

The Prom
Fotografia: Netflix/Divulgação

Um musical com boas intenções

Como já foi dito, as letras são bem humoradas e a fonte mais consistente de entretenimento do filme: piadas sobre o egocentrismo superficial de certas celebridades, brincadeiras dentro da comunidade LGBTQ+ e ainda sátira às figuras habituais do highschool americano. A comédia resulta, porque é escrita por pessoas do meio a divertirem-se à custa delas mesmas e todos nós somos convidados a divertirmo-nos com elas.

O elenco de grandes estrelas dá tudo de si por estas personagens e números musicais. Meryl Streep é fantástica, como sempre, James Corden é o cúmulo da arrogância (encarnando a visão que os seus críticos têm dele próprio) e Kerry Washington é um boa vilã. A estreante Jo Ellen Pellman (é o primeiro filme da carreira) não deslumbra, mas faz de Emma — a estudante lésbica que lhe vê negada a possibilidade de levar a namorada ao baile — uma personagem modelo para outros adolescentes e a sua voz é impressionante.

The Prom é bem intencionado. Mesmo que goze com celebridades e os arquétipos do teatro musical, o objetivo final é valorizar o poder desta arte para nos transportar longe dos problemas do nosso dia a dia. Acima disso, é uma história de celebração da comunidade LGBTQ+ e de sermos fiéis à nossa identidade, contra todos aqueles que não a aceitam.

A narrativa familiar e previsível e as personagens que nunca chegam, verdadeiramente, a parecer pessoas a sério impedem o novo musical da Netflix de brilhar. É puro espetáculo — divertido, bem intencionado — e pouco mais.

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