Let Them All Talk
Fotografia: HBO/Divulgação

Crítica. ‘Let Them All Talk’: Meryl Streep presa num filme de sábado à tarde

Let Them All Talk é o mais recente filme do realizador Steven Soderbergh. O drama foi lançado na HBO Portugal a 10 de dezembro e conta com Meryl Streep no papel principal.

Alice (Streep) é uma famosa escritora que está à procura de inspiração para o seu próximo livro. Quando surge uma oportunidade de viajar num cruzeiro para o Reino Unido, Alice convida duas amigas de infância, Roberta (Candice Bergen) e Susan (Dianne West), e o seu sobrinho Tyler (Lucas Hedges).

Com um argumento meramente indicativo e, por isso, filmado sobretudo com diálogos improvisados, Let Them All Talk é um exercício de interpretação para os grande atores do elenco. Será que correu bem?

Uma longa conversa sem conteúdo

O principal problema de Let Them All Talk é o grande ênfase em improviso. Apesar de haver uma narrativa clara e simples, ela nunca se desenvolve até aos minutos finais. Em vez disso, grande parte do filme é composto por diálogos soltos entre o sobrinho de Alice e os restantes passageiros do cruzeiro.

As três veteranas do elenco são o grande destaque. Meryl Streep é sempre uma aposta de sucesso, Dianne Wiest é a mais divertida e Candice Bergen faz a melhor atuação do filme. Infelizmente, os restantes atores não conseguem livrar-se das armadilhas do improviso e apresentam interpretações pouco inspiradas.

Isto também se reflete nas personagens. Devido a não haver uma progressão planeada da história, a maioria da troca de diálogos é bastante inconsequente e não proporciona evoluções. É tudo muito superficial e pouco aprofundado, porque os próprios atores não têm uma base para ir muito além do que vemos no filme.

A cinematografia do filme está muito bem conseguida. O interior do cruzeiro Queen Mary 2 — que existe mesmo — é captado de forma que faz jus ao luxo do local. O ambiente complementa a serenidade da narrativa.

Let Them All Talk
Fotografia: HBO/Divulgação

É esse ritmo sereno que impede Let Them All Talk de ser interessante, apesar do enorme talento envolvido. São quase duas horas de conversas e trocas de impressões aleatórias, sem que se chegue a grandes conclusões. É um filme feito para passar numa televisão ao sábado à tarde, a dar de fundo enquanto nos entretemos com outra coisa e, de vez em quando, espreitamos para ver o que está a acontecer.

Sem que o elenco consiga brilhar, com uma narrativa mínima e diálogos sem substância, este filme é uma experiência esquecível. A cinematografia bonita e o nome de Meryl Streep pode alimentar alguma curiosidade, mas nem as perspetivas mais positivas fazem de Let Them All Talk uma obra imperdível. Não há nada propriamente errado, só que também não se regista nada marcante. É um cruzeiro que não vale o preço da viagem.

Um original da HBO Max, o filme está disponível no catálogo da HBO Portugal.

Let Them All Talk
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