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Fotografia: Divulgação

Spotify prepara-se para incorporar detetor de plágio

O Spotify procedeu ao registo, concedido pela União Europeia, de uma patente para incorporar um método de inteligência artificial capaz de detetar “valores de similaridade” entre faixas musicais na plataforma de streaming, avançou, esta segunda-feira, o jornal britânico Independent.

Designada Plagiarism Risk Detetor And Interface, a ferramenta será, explicou a gigante tecnológica, “treinada com uma pluralidade de folhas de chumbo codificadas pré-existentes”, aptas a especificar a melodia, letra e harmonia das novas faixas e comparar com as existentes na base de dados do Spotify.

Esse método de inteligência artificial será capaz de, “em tempo real”, localizar semelhanças passíveis de violar direitos de autor de um outro músico ou banda. Se for esse o caso, os artistas que pretendam inserir música na plataforma serão notificados pelo Spotify.

Dessa forma, os criadores musicais vão ser instados a proceder a ajustes e, como pretensão definida pela gigante norte-americana, vão poder evitar potenciais processos judiciais.

O Spotify defende que a técnica manual de deteção de plágio, “executada por peritos e advogados”“é impraticável” pois “requer conhecimentos especializados e não são adequados para operações de artistas e compositores, (…) interessados em detetar o plágio durante o processo de composição”.

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A gigante norte-americana lembrou o benefício da informatização do processo de verificação de conteúdo escrito. “A deteção assistida por software para o plágio de texto permite a comparação de vastas coleções de documentos, tornando muito mais provável a bem-sucedida deteção do plágio”.

A incorporação do detetor de plágio, porém, não reuniu o consenso da comunidade afeta à indústria musical, por considerá-la uma forma de o Spotify reforçar a própria proteção na defesa perante a Justiça.

“A música e os podcasts são o seu produto. Se esse é o seu trabalho, isto [detetor de plágio] torna-se uma ferramenta para se protegerem de litígios ou gerarem mais obras pelas quais não têm de pagar royalties. Como artista e músico, ambos me parecem ofensivos. Não creio (…) que o motivo do Spotify seja ajudar os artistas”, referiu George Howard, professor de negócio musical no Berklee College e co-fundador do Music Audience Exchange e Tunecore.

Por agora, o Spotify ainda não confirmou se o registo da patente do detetor de plágio vai resultar na implementação na plataforma de audio streaming e não há previsão de quando poderá entrar em funcionamento.

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