Arctic Monkeys lançam álbum ao vivo num ano pandémico

A banda inglesa lança álbum com vendas a reverter para a War Child UK

A banda inglesa Arctic Monkeys lançou esta sexta-feira (4) o álbum ao vivo do concerto de beneficência no Royal Albert Hall. Tal como o concerto, as vendas e royalties do álbum irão reverter para a War Child UK. O álbum está disponível em todas as plataformas digitais de streaming, assim como para venda no site da banda e em lojas.

A War Child é uma instituição de beneficência fundada pelos britânicos Bill Lesson David Wilson, em 1993. Tal como o nome indica, o objetivo da associação é ajudar crianças em zonas de guerra. Com efeito, chocados com as imagens devastadoras da guerra na Jugoslávia, os dois decidem usar os seus filmes como meio para ajudar. Presentemente, a War Child atua no Reino Unido, Países Baixos e Canadá.

A banda de Sheffield não é o primeiro grande nome que se liga à associação. Artistas como Paul McCartney, Elton John e Oasis já se juntaram à causa. Por exemplo, em 1995, os Radiohead lançaram uma das primeiras músicas a serem escritas para Ok Computer no álbum The Help Album, o primeiro grande projeto da War Child.

Curiosamente, no mesmo ano em que o setor cultural é tão afetado, os Arctic Monkeys lançam um álbum ao vivo. Enquanto vários artistas aproveitam o confinamento para escrever material novo, como é o caso de Billie Eilish e Taylor Swift, ou até mesmo o veterano Paul McCartney, os “macacos” de Sheffield voltam atrás no tempo. Por oposição a estes artistas, um álbum ao vivo com gritos e cantos da plateia, deixa saudade pelos tempos de normalidade que parecem cada vez mais próximos.

Arctic Monkeys, ao vivo no Royal Albert Hall

Um álbum ao vivo num ano de pandemia

O primeiro álbum ao vivo dos Arctic Monkeys foi bem recebido pela crítica britânica. A NME , The Independent e a Far Out Magazine dão classificação máxima ao álbum. Do mesmo modo, o The Guardian atribuiu uma classificação positiva.

Num comunicado no site oficial, agora inteiramente dedicado a esta causa, a banda escreve que “uma situação que era má em 2018 é agora desesperante e estas crianças e as suas famílias precisam da nossa ajuda mais do que nunca“. A banda já tinha atuado no Royal Albert Hall em 2009, também num concerto solidário, para a Teenage Cancer Trust, uma liga inglesa contra o cancro.

Este projeto diferencia-se de outros álbuns ao vivo que foram lançados este ano. Por exemplo, os Metallica lançaram uma sequela do álbum ao vivo S&M, intitulado S&M2. Do mesmo modo, em junho deste ano, Liam Gallagher lança um álbum com a sua performance no MTV Unplugged. Ainda no campo do metal, os Iron Maiden lançaram Nights of the Dead, Legacy of the Beast: Live in Mexico City. No entanto, nenhum destes projetos teve um cariz solidário.

Contudo, a banda de Sheffield não é a única a lançar um álbum ao vivo com cariz solidário. No mesmo género musical, os australianos King Gizzard and the Lizard Wizard lançaram uma trilogia de álbuns ao vivo, via BandcampAs receitas revertem a favor da Animals Australia Wires Wildlife. Deste modo, a banda dá resposta às necessidades do país devido aos incêndios florestais no início do ano.

Uma tradição que vem desde os anos 70

No entanto, a esmagadora maioria de álbuns ao vivo lançados este ano não revertem para uma associação solidária. A tradição de cocnertos de beneficência começa no rock e na música folk americana. Em 1971, logo após a separação dos The Beatles, George Harrison organiza o Concert for Bangladesh. Com isto, o concerto surge no contexto da Guerra de Independência de Bangladesh. A situação chegou até ao ouvidos de Harrison por meio de Ravi Shankar, um tocador de sitar indiano, seu amigo.

Sendo assim, Harrison recrutou vários músicos para o ajudar, como Ringo Starr e Bob Dylan. O concerto foi um sucesso, e o álbum dele resultante foi galardoado com o Grammy para Álbum do Ano. Atualmente, as receitas do disco revertem para o George Harrison Fund for UNICEF.

Anos mais tarde, inspirados pela iniciativa de Harrison, Bob Geldof e Midge Ure organizam o Live Aid. O festival teve um magnitude, assim como um impacto, muito maiores. Com isto, podemos concluir que estes eventos têm tendência para alcançar públicos e resultados cada vez maiores.

Em anos mais recentes, Ariana Grande organizou o One Love Manchester, em 2017. Na sequência do atentado em Manchester, a cantora reuniu vários nomes da música pop contemporânea. Com isto, o concerto juntou nomes no palco, como Coldplay e Miley Cyrus. Os lucros do concerto reverteram para a We Love Manchester Emergency Fund, fundad pela Cruz Vermelha e pelo município.

Num ano de pandemia, os Arctic Monkeys retomam uma tradição do rock que em 2021 será cinquentenária. Num momento desesperado, músicos colocam de parte as suas diferenças e egos, numa causa que é maior do que eles, ou que o lucro para a editora. Por entre os gritos da multidão do Royal Albert Hall, o ouvinte recorda tempos normais. No entanto, a mensagem do álbum é mesmo essa. Embora exista saudade de voltar às salas de espetáculo, existem causas que provavelmente são mais importante, sendo assim possível juntar o últil ao agradável.

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