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Do clima à música e ao jornalismo, o que se passou no fim da Web Summit

Chegou ao fim mais uma edição da Web Summit. Este ano, como se esperava, foi tudo diferente: em vez de múltiplos palcos num recinto cheio, mais de 104 mil pessoas estiveram atrás dos ecrãs entre 2 e 4 de dezembro, numa edição totalmente online e, mais uma vez, made in Portugal.

A conferência registou o maior número de participantes de sempre numa edição que aconteceu 100% através da internet. Foram horas de conferências, networking e a contínua discussão sobre temáticas preponderantes inseridas no contexto das inovações na sociedade – tudo Live From Lisbon.

Espalha-Factos resume o que se passou no último dia da arena digital. Podes rever o acompanhamento em direto aqui.

Mariza: “Ainda precisamos do contacto humano”

No canal 5, explicou-se a economia azul do nosso país aqui à beira-mar plantado. O salto é para a cultura: João Miguel Salvador (Expresso) está com a fadista Mariza, que nos fala de como se leva o fado ao mundo.

A primeira pergunta já era expectável: qual é o impacto da pandemia, e como é que o streaming mudou a música e os concertos durante o ano de 2020. “Nós ainda precisamos do contacto humano”, diz-nos Mariza. “Por um lado, sinto que é positivo. Temos um mundo completamente diferente para explorar com a música.

João Miguel Salvador pergunta se “os concertos virtuais vieram para ficar“. A resposta de Mariza é “porque não?!“. Embora considere que, na sua perspetiva e com a música que faz, os concertos ao vivo são o ideal, diz-nos que percebe que os concertos online possam ser o futuro para alguns músicos, especialmente os mais recentes na indústria.

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Fotografia: Reprodução

20 anos passaram desde o primeiro álbum de Mariza, e Amália Rodrigues foi sempre uma figura de inspiração para a cantora. “Amália deixou-nos um legado. Trouxe tanto para a história do fado. Ela mostrou Portugal quando não era suposto viajar e mostrar o país. (…) Ela continua a ser a nossa alma.” No seu álbum mais recente, de tributo à fadista, Mariza pretende agradecer à embaixadora de Portugal por tudo o que fez pela música portuguesa.

Malala: “Dêem espaço às mulheres e elas mudarão o mundo!”

Lisa Jackson (Apple) e Malala Yousafzai estiveram no palco principal da Web Summit. A Vice-Presidente da Apple para o ambiente, política e iniciativas sociais, e a vencedora do prémio Nobel da Paz (2014) juntam-se para discutir como é que a desigualdade e a injustiça do sistema afetam as alterações climáticas.

Voltar ao antigo normal não é suficiente” é o kick-off que Malala nos dá. É preciso fazer mais.

Lisa Jackson cresceu numa cidade desenvolvida, mas destruída por poluição e desastres: uma New Orleans destruída pelo conhecido furacão Katrina. O seu interesse pelas ciências, primeiro Medicina, depois Engenharia e, finalmente, o Ambiente, poderão ter surgido com a sua experiência.

Fotografia: Reprodução

Malala Yousafzai não é estranha a catástrofes climáticas, e diz-nos que a injustiça climática se reflete (e é refletida por) também na educação, um dos grandes marcos da sua luta por todo o mundo. Mais do que na educação, a injustiça climática reflete-se também nas mulheres, especialmente em países em desenvolvimento. Os três temas (clima, mulheres, educação) são inseparáveis para Malala. Por isso, o Malala Fund está, até março, a fazer investigação sobre a relação entre a educação das mulheres e as alterações climáticas.

Ambas as mulheres do painel congratulam a Web Summit por dar a oportunidade a mais mulheres, no mundo da tecnologia, a expor o seu trabalho. “Dêem espaço às mulheres e elas mudarão o mundo!“, diz-nos Malala, enquanto fala das suas iniciativas com várias ativistas pelo mundo fora, como é o caso do Malala Fund, onde se encontra, também, a adolescente Greta Thunberg.

Daqui a 10 anos, a Apple pretende ser neutra em emissões de carbono em todos os seus produtos, lojas e fornecedores. Mais ambiciosos, a marca norte-americana pretende também garantir que os seus consumidores consigam utilizar energia limpa nos seus equipamentos e que os seus produtos tenham mais durabilidade, bem como a possibilidade de serem reciclados.

Mas dentro ou fora da Apple, o que Malala quer saber é como é que Lisa Jackson vê a responsabilidade das empresas e do Governo no impacto das relações climáticas. “Temos de ser honestos connosco: perdemos tempo.“, é a resposta que segue uma breve explicação de como as coisas mudaram entre a Administração Obama e a Administração Trump.

Há esperança com Biden, e no que respeita aos negócios, Lisa Jackson está também positiva que é possível fazer a transição para técnicas mais saudáveis para o ambiente. Se a Apple, uma empresa com trocas comerciais e produtos complexos, consegue fazê-lo, então a maioria das empresas no mundo consegue também.

Pode a tecnologia ‘verde’ salvar o planeta? Talvez.

A cientista e ambientalista Jane Goodall (fundadora do Jane Goodall Institute e mensageira da Paz das Nações Unidas) junta-se a Pieter Van Midwoud (chefe de platação de árvores da Ecosia) no palco central. Ambos juntaram-se para plantar árvores no Uganda. A conferência fala sobre como ambas as organizações estão a utilizar tecnologia para travar a crise climática.

Jane Goodall começa por referir que a pandemia de Covid-19 foi “trazida por nós” por vários motivos: “desrespeitamos completamente os animais, a natureza. Ao matá-los, vendê-los, obrigarem-nos a comunicar com humanos”.

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Fotografia: Reprodução

A grande visão do trabalho de ambos centra-se nas reservas naturais do Uganda. O objetivo é “trabalhar com as pessoas locais para restaurar os corredores de árvores” e “melhorar a vida de quem lá vive”, de forma a combater a desflorestação no país,, refere Midwoud. A cientista explica que esta ação é “tremendamente importante” para ajudar espécies como os chimpazés, em risco de extinção. A ação está a decorrer também noutros países, como a Tanzânia.

Para conseguir pôr em prática estes esforços, as equipas trabalham com pessoas locais e monitorizam questões como os distúrbios na natureza. Foi também criada uma aplicação que regista os locais onde as árvores foram plantadas, para que mais tarde se possa verificar o seu estado. Foram já plantadas milhares de árvores, que podem ser monitorizadas para assegurar a eficiência do projeto, explica Peter.

Plantar árvores através da internet? Sim, é possível

Ecosia é um motor de busca que usa o dinheiro dos anúncios para plantar árvores onde mais são precisas. O diretor explica que a ideia do motor de busca surgiu para usar o dinheiro gerado pelos motores deste género, que é “muito”, para o utilizar nessa plantação – cerca de metade dos rendimentos, que no próximo ano deve atingir 8 ou 9 milhões de euros exclusivamente para esse fim.

Jane Goodall acrescenta que espera que todas as pessoas na sua organização estejam em breve a usar o Ecosia em detrimento de outros sistemas de busca e incentiva outras organizações a fazê-lo.

Porque é importante um projeto como este de plantação de árvores?

Goodall explica que plantar árvores é extremamente importante porque, apesar de demorar algum tempo até que atinjam o estado em que conseguem captar grandes quantidades de dióxido de carbono, é algo “que todos podem fazer” e que pode ter um impacto importante a longo prazo.

“As pessoas perceberam agora que proteger o ambiente também afeta o seu futuro”, confronta a cientista. “A tecnologia e o intelecto humano são razões para ter esperança. A resiliência da natureza – estas árvores podem sobreviver se foram plantadas no lugar certo na hora certa e fazer algo para combater as alterações climáticas”, diz Jane Goodall.

E que formas temos para salvar o planeta?

A cientista explica que é preciso atuar de forma rápida e precisa. As soluções não-tecnológicas da agricultura, por exemplo, são “extremamente importantes” também, pelo que é preciso uma atuação conjunta de meios tecnológicos e outros não tecnológicos para travar a problemática. Midwoud acrescenta: “isto não é só sobre alta tecnologia, há tecnologias muito simples que podem ser muito eficazes”.

E deixa o apelo urgente: “Se não respondemos, se não temos uma melhor relação com a natureza (…), se continuamos com os negócios como fazemos até agora, se a economia não for verde – reparem nos danos que fizemos ao planeta. Somos parte do mundo natural, temos de o salvar. Precisamos de tecnologia, das comunidades tradicionais, de tudo”.

Mais discussões sobre jornalismo

Os vários canais da Web Summit digital, em especial aquele relativo aos temas de sociedade, voltaram a prestar especial atenção aos desafios do jornalismo em época de pandemia.

A informação é a melhor vacina para a Covid-19?

Daniel Catalão (RTP) e Ricardo Baptista Leite (PSD) juntam-se no canal 5 da Web Summit para falar sobre como os media e a desinformação podem afetar as pessoas durante uma pandemia.

A informação é a melhor vacina para a Covid-19? O político confirma: a informação é uma das chaves para lidar com uma crise de saúde pública. As notícias são capazes de nos levantar as expectativas, e outras o contrário. “Isso cria ansidedade“, considera Ricardo Baptista Leite. Os media inconvencionais, bem como as redes sociais, contribuem para espalhar informações incorretas, que pioram a situação.

Outro ponto destacado pelo deputado foi a forma como comunicamos: a comunicação não pode ser igual para idosos e para jovens, que se guiam por fontes diferentes. O deputado, que também é médico, e cujo campo de trabalho são as doenças infeciosas, sente-se hoje mais responsável quando fala publicamente. “Tenho o cuidado de verificar que o que digo tem base na ciência (…)“.

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O jornalismo no centro da “sociedade”

Brian Shelter (CNN) e Brian Morrissey (Digiday) explicaram na Web Summit como é lidar com uma emergência da verdade, nos EUA, em 2020. Shelter não deixou por explorar os conflitos entre a FOX News, que se autoconsidera a única fonte confiável de informação nos EUA (e Donald Trump concorda), e os outros media norte-americanos.

Agora juntam-se a nós Ann Curry, que fez, durante a sua carreira, várias reportagens em zonas de conflito. Hoje, junta-se a Neil Brown (Poynter Institute) para falar de como o jornalismo pode voltar a ser (considerado) excelente, quando os modelos de negócio e a falta de confiança estão a explodir com as Redações.

A confiança está no seu ponto mais baixo de sempre, no jornalismo“, Brown menciona. Para Curry, a razão para isso acontecer foi a perda da claridade quanto às motivações dos jornalistas. Um dos desafios para a recuperação desta confiança centra-se também na quantidade de pessoas que considera que os jornalistas não estão a fazer um trabalho rigoroso e factual, incluindo pessoas no poder.

Para Ann Curry, a reportagem em zonas de conflito é de extrema relevância, e faz com que o mundo conheça todas aquelas histórias, quando muita gente tende a ignorar as histórias internacionais.

A despedida com Marcelo Rebelo de Sousa

A encerrar a edição deste ano, Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, subiu ao palco digital para ressalvar a necessidade de proximidade humana num ano como 2020.

“Temos de nos unir”. Chega ao fim a Web Summit mais ‘web’ de sempre

Viver num mundo sem carne – será Impossible?

Patrick Brown, CEO da Impossible Foods – companhia que desenvolve substitutos de carne totalmente vegetais – esteve no palco central da Web Summit. A Laura Reiley, jornalista do The Washington Post, respondeu à questão: é possível viver num mundo sem consumo de carne?

Brown reitera que a indústria animal é, neste momento, uma das principais causas do rápido deteriorar do cenário climático e do “colapso da diversidade biológica”. O problema, explica, não está no consumo de carne per si ou no facto de haver pessoas a gostar de produtos animais, mas sim nas formas e tecnologias utilizadas para o seu efeito.

“É o fim desta indústria, eles é que ainda não perceberam”, diz, acrescentando ambiciosamente que a Impossible Foods tem como objetivo eliminar o uso de animais para criação e consumo até 2035. Como? Ao criar comida “deliciosa, de origem vegetal”, de preferência sem o impedimento de regulações em certos territórios, que ainda não deixam determinadas marcas entrar – por exemplo, a UE vetou no ano passado a entrada da Impossible na União por conter produtos geneticamente modificados.

Patrick Brown acrescenta na Web Summit que espera que os produtos da marca sejam atrativos até para quem gosta de produtos animais ou não queira saber de questões sustentáveis. Como fatores de sucesso exemplifica a textura e composição dos produtos, que imitam a carne como antes não era possível. E diz: os seus hambúrgueres, entre outros produtos, podem ser “ser tão bom como eles, é ser mais deliciosos, e mais nutritivos”.

Diversidade e sustentabilidade no e-commerce é possível? Com a Etsy, talvez.

No canal 2 da Web SummitMaghan McDowell (Vogue Business) conversa com Josh Silverman (CEO da Etsy) sobre a companhia de e-commerce cuja particularidade, em comparação com as grandes companhias do mesmo método, é a venda de produtos manufaturados, de artesanato e de produtos usados.

A empresa de Brooklyn, Nova Iorque, existe desde 2005 e tem apostado tanto na criatividade como na sustentabilidade nas suas trocas comerciais. Um dos temas de conversa foi a redução das emissões de carbono.

Em conversa com McDowell, Silverman destaca o facto da Etsy garantir a diversidade, nomeadamente referindo que a maioria dos funcionários que a Etsy empresa são mulheres, inclusive na área de Engenharia, tradicionalmente associada ao outro género.

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Qual o futuro da Eurovisão ou vivo?

Eurovisão é um dos maiores eventos do mundo, com mais de 180 milhões de espectadores todos os anos. Martin Österdahl, da União Europeia de Radiodifusão (EBU) e supervisor executivo do festival, junta-se a John Offman (GSMA) e Steffi Czerny (DLD) para falar na Web Summit do futuro dos eventos ao vivo depois de 2020.

Pela primeira vez em 64 anos, o festival teve de ser cancelado devido à pandemia de Covid-19. A organização já prometeu que no próximo ano vai haver certame, embora com muitas adaptações para o tornar possível no meio de uma pandemia.

“Estamos a regressar aos básicos agora. O principal é assegurar que temos um concurso e uma canção vencedora. Temos um plano elaborado em movimento, mas não estávamos preparados para uma crise como esta”, explica Österdahl.

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O palco projetado para a Eurovisão de 2020. Fotografia: EBU/Divulgação

Portugal, sustentabilidade e cultura – o que têm todos a ver?

No último dia da maior conferência de tecnologia da Europa, Ana Bacalhau, José Luís Peixoto e Hugo Vau juntaram-se para falar sobre um Portugal sustentável.

Web Summit. Portugal, sustentabilidade e cultura – o que têm todos a ver?

Mark Zaid: “Denunciantes, não se tornem no vosso próprio inimigo”

No palco principal da Web SummitMark Zaid (Whistleblowers Aid) e Andrew Bakaj (Compass Rose Legal Group) juntam-se a Versha Sharma (NowThis) para falar sobre a situação jurídica dos conhecidos whistleblowers (ou, em português, denunciantes).

whistleblower é quem divulga informação secreta, a nível estadual ou de agências estaduais, o caso mais comum, que contenha evidência de práticas que ameaçam a ordem pública e podem constituir crimes. Rapidamente, lembrar-nos-íamos do mediático Edward Snowden – mas, de acordo com os juristas do painel, é o pior exemplo.

De acordo com Bakaj, a proteção que é aferida a estes denunciantes não é suficiente, e o nível de proteção varia conforme o tipo e a quantidade de informação revelada. Bem como quem foi magoado com essa divulgação ao público. Um dos erros comuns que menciona é que os denunciantes pensam estar imunes de qualquer ato de retaliação mal caem na categoria de whistleblowers, o que nem sempre acontece. Zaid reforça: Denunciantes, não sejam os vossos próprios inimigos“.

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Quando Sharma pergunta se sentiram alguma diferença no volume de casos de whistleblowers nesta Administração (de Trump), Zaid diz-nos que a diferença não se sentiu tanto, visto que a maioria dos casos vem de agências estaduais (como a CIA) e não propriamente da Casa Branca. No entanto, a forma como Trump lidou com processos que o poderiam ter implicado, pode ter deixado uma mensagem diferente para o futuro.

Por fim, Sharma traz para a mesa o nome de Edward Snowden, um dos casos mais mediáticos da década no que respeita à divulgação de informações secretas. Porém, Zaid diz que, legalmente, Snowden não pertence à categoria de que estão a conversar.

Ele divulgou informação sem o consentimento público. Francamente, o que ele fez magoou a proteção dos denunciantes.“, reiterou. Bakaj tem a mesma posição, e acrescenta ainda que a imagem que agências de inteligência têm, hoje, do whistleblower, alterou: veem-nos como alguém que não sabe lidar com informação classificada do seu próprio país.

Depois da denúncia, nos media, de tudo aquilo a que teve acesso durante os anos em que trabalhou para a CIA, Snowden fugiu para o Oriente, e vive na Rússia desde então, tendo adquirido residência permanente no país este ano.

Os desportos digitais durante a pandemia

Ralf Reichert, da ESL (a maior liga de esports do mundo), fala no canal dos criadores sobre os desafios dos esports durante a pandemia. Reichert explica que a prioridade foi a segurança. “Fazer tudo online seria a escolha óbvia. Mas estamos habituados a grandes torneios cheios de pessoas” e foi complicado fazer a adaptação de eventos que vivem deste espírito.

Com algum progresso na evolução pandémica, explica que agora tem sido mais fácil lidar com o que antes foi “mindblowing”.

Sobre o futuro dos esports, diz que procura oferecer “os melhores festivais de jogos”, tornando-os mais completos e sustentáveis, por exemplo. “Há um futuro depois disto. Não importa se é melhor ou pior, vamos fazê-lo melhor” .

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Fotografia: Reprodução

A passagem dos eventos para o mundo digital

Douglas Emslie (Presidente da SISO), Carina Bauer (Diretora Executiva do IMEX Group) e Jochen Witt (Membro do Conselho na JWC) juntaram-se no canal de criadores para debater o futuro da organização de eventos

Douglas Emslie começou por apontar as diferenças na organização de eventos na China e nos Estados Unidos. Na China, a SISO voltou a estar operacional em Julho e já conseguiu organizar 10 eventos ao vivo. Na China não se fala de eventos virtuais ou mistos, ao contrário do que acontece no resto do mundo. Em relação aos Estados Unidos, voltaram nas últimas três semanas ao trabalho ao vivo e fizeram dois.

Jochen Witt falou um pouco sobre a importância dos locais onde se realizam os eventos, e como estes têm de fazer parte dos eventos virtuais. Acredita que organizadores e locais têm de se juntar e mostrar ao consumidor uma frente unida.

Carina Bauer explicou à audiência que o modelo de negócio ainda está a ser trabalhado, de modo a juntar o virtual e os eventos ao vivo. Defendeu que tem de ser adotada uma mentalidade digital para que o modelo possa fazer sentido. Douglas acrescentou que deve ser criado conteúdo especifico para o meio digital, em vez de trazer conteúdo já feito. Carina concluiu a palestra com a afirmação de que os eventos ao vivo vão voltar. Ainda assim, esta é uma oportunidade de inovar e criar novos modelos.

O futuro do marketing: influencers vs media tradicionais

Caspar Lee (youtuber), Ben Jeffries (co-fundador e diretor executivo do Influencer.com) e John Saunders (diretor executivo na FleishmanHillard) apresentaram-se no placo de criadores para falar sobre o futuro do marketing e a sua relação com os influencers.

Caspar Lee revelou um pouco da sua experiência enquanto Youtuber, e afirmou que não tem uma grande equipa, o que é notável em comparação com grandes grupos. Acrescenta que isto é algo que audiência aprecia, devido ao sentimento de proximidade e autenticidade. Explica também que tenta não fazer muitas parcerias com marcas, e que escolhe apenas aquelas com que mais se identifica. Completa que já existem outras formas de monetizar o conteúdo. Quando questionado sobre a diversificação de plataformas e a necessidade de estar presente em todas, respondeu que não quer ser um criador de conteúdo super profissional e que se tenta focar nas suas aplicações favoritas. Realça que muitas pessoas se estão a juntar às novas plataformas que sabem estar a ser bem sucedidas. Para alargarem a sua presença criam um determinado tipo de conteúdo “central” que depois distribuem.

Ben Jeffries esclareceu que as marcas tendem a investir nas plataformas online porque estas geram muito dinheiro. Quanto ao marketing feito por influencers, acredita que é um marketing complementar e não deve ser o foco.

Neste ponto, John Sanders ressalvou a importância dos microinfluencers. Defende que o objetivo não é chegar a milhões de pessoas, mas sim chegar a um público específico para que os produtos são direcionados. Ben acrescenta que funciona quase como o “passa a palavra”, visto que existem vários influencers com as mesma marcas e acabam por passar a mensagem. É também importante que seja feita uma boa representação da marca pelo influencer, que quem representa a marca se adeqúe à imagem da mesma.

Foi também mencionado o papel dos media tradicionais. John acredita que foi um erro descurar os media tradicionais para se focar nos novos media, visto que considera que os media tradicionais voltaram a ganhar importância. Acha ainda que o marketing de influencers está aqui para ficar, e que para o manter deve existir um foco em encontrar os influencers certos. Ainda assim, conclui com a crença de que há um grande mercado para os media tradicionais.

Por Tiago Serra Cunha, Matilde Costa Alves e Andreia Santos

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