Fotografia: WarnerMedia/Divulgação

HBO Max chega a Portugal na segunda metade de 2021

Casey Bloys e Andy Forssel falaram na Web Summit sobre os planos de expansão internacional da marca

HBO Max, plataforma de streaming da HBO até agora apenas disponível nos Estados Unidos, vai chegar a Portugal já no próximo ano. O anúncio foi realizado esta quinta-feira (3) na Web Summit de Lisboa por Andy Forssell, diretor da HBO Max Global.

O serviço chega a vários territórios do continente europeu na segunda metade de 2021. O diretor global considera que a plataforma “tem de ser um serviço global” e é imperativo querer atingir uma escala maior. Os planos de expansão passam também por ter a plataforma na América Latina, algo que deve acontecer já durante a primeira metade de 2021.

Em comunicado, a HBO Portugal explicou que as plataformas de streaming da marca na Europa – entre as quais a portuguesa, lançada no início de 2019 – vão evoluir para a marca HBO Max. Na Web Summit, Forssell revelou que as plataformas europeias vão ser atualizadas com novas funcionalidades para e que irão “oferecer o dobro do conteúdo”.

A plataforma, lançada em maio nos EUA, tem investido em conteúdo original e na disponibilização de exclusivos. Além de um especial de reunião de Friends ou de um novo projeto de Conan O’Brien, assim como a estreia de uma nova versão de Liga da Justiça (entre várias outras apostas), vai receber a estreia simultânea com os cinemas dos filmes de 2021 da Warner Bros..

The Undoing
Fotografia: Divulgação/HBO

Tal como a plataforma congénere espanhola, o serviço da HBO Portugal é até ao momento providenciado pela HBO Nordic, filial da delegação europeia da cadeia.

HBO Max em discussão na Web Summit

Andy Forssell, juntamente com Casey Bloys, diretor de conteúdo da HBO Max, falaram no evento sobre como foi o processo de lançamento durante uma pandemia e sobre os planos de expansão internacional.

O duo começou por discutir como foi planear o lançamento da plataforma num contexto marcado pela pandemia. Inicialmente planeado para maio, acabou por ser afetado pelo desenvolver da pandemia, que culminou em confinamento no mês de março. Forssell explicou que estavam a concluir o marketing da plataforma em março e acabaram por ter de alterar para maio, altura em que acabou por ser lançada. Acabou por ser dada uma orientação mais digital à estratégia, que deixou de estar tão focada em eventos que não podiam acontecer. 

Bloys explicou que a programação de novidades para a plataforma foi também complicada. Apesar de só ter ficado responsável pela programação da HBO Max em agosto, revela que existiam programas que iam começar as gravações (ou estavam mesmo em processo de gravação) e não puderam ser mantidos. Na sua opinião, isto prejudicaria sempre o lançamento por não terem todos os títulos que queriam disponíveis. “É difícil não poder fazer o lançamento com tudo o que tinhas planeado”, confessa.

A dupla abordou também as ideias que foram colocadas em prática no que diz respeito à experiência do utilizador na plataforma. “A experiência não são só os programas que se vêm, mas também como são vistos”, defende Andy. Na HBO Max, a experiência de visualização anda de mão dada com a forma como os programas são apresentados na plataforma. A dupla menciona ainda que queria alargar o tipo de programas que disponibilizam aos espectadores. Exatamente por isso, na HBO Max há conteúdo fora daquilo que é considerado o núcleo da HBO.

hbo max
Fotografia: WarnerMedia/Divulgação

Algo que não podia faltar era a menção da recolha de dados e das sugestões dadas pela plataforma. Apesar de os dados recolhidos continuarem a ter um papel importante, a dupla afirma que quer introduzir pessoas reais no processo. Considera que havia um um grande investimento em dados para se fazer recomendações de programas e que isso não resultava. Agora, continuam a apresentar recomendações através de dados, mas também são criadas coleções de filmes e programas, feitas por pessoas reais para pessoas reais.

Por fim, o duo falou da confiança necessária para levar a cabo uma produção. De acordo com Casey, todos os programas em que esteve envolvido foram sujeitos a críticas e tinham pessoas que não acreditavam no seu sucesso. Quanto a isto, o diretor de conteúdo afirma que é necessário acreditar na ideia e ultrapassar as críticas. Algo que considera essencial para ter um programa bem sucedido é ter um realizador que conheça a história ao pormenor; alguém que possa resolver qualquer problema e que saiba sempre o que deve acontecer e porquê.

Quando questionado sobre como saber se uma série vai ser bem sucedida, Casey declarou que “tudo parece correr bem quando visto pelo espelho retrovisor“. Revela que as suas escolhas são muitas vezes questionadas e exemplifica-o com a série Chernobyl, que foi alvo de discussão por ser referente a um grande desastre. “Nunca se sabe se algo vai resultar ou não, confessa. Andy acrescentou o exemplo de Game of Thrones, visto que não sabiam se seria apropriado para a HBO. Mais recentemente, revelam que tiveram as mesmas dúvidas em relação a Euphoria. Casey afirma que as dúvidas surgem quando se vai na direção certa, porque “a HBO não pode ser estática“.

No que diz respeito a lançamentos de Natal, além das novidades para a Europa e a América Latina, parece que não existem novidades. Apesar dos anúncios de outras plataformas, a dupla não tem nada planeado para a HBO Max. Como justificação, Andy deixa claro que apesar de estar a haver evolução nas gravações, estas estiveram paradas durante um tempo considerável.

A palestra foi concluída em tom de piada, com a afirmação de que a dupla arruinou o Natal. A isto, Andy respondeu que “ainda não é Natal. Dá-nos tempo”.

com Tiago Serra Cunha
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