Mulan é o novo filme da Disney+.
Fotografia: Disney / Divulgação

Crítica. Sem espírito e essência, ‘Mulan’ é só mais um remake da Disney

Mulan chega esta sexta-feira (4) ao Disney+, naquele que era um dos lançamentos mais aguardados do ano. A história da guerreira chinesa que se tornou heroína num mundo de homens foi um enorme sucesso no seu lançamento original, mas o live-action não prende da mesma forma. Dentro de uma longa lista de remakes que a Disney tem feito nos últimos anos, Mulan cai diretamente num dos piores lugares.

Disney e magia são quase sinónimos, mas não na nova versão de Mulan. O clássico da Disney ganhou uma nova roupagem mais de vinte anos após o lançamento original, com alguns das suas características lendárias a ficarem esquecidas. As músicas, várias personagens e até algumas cenas memoráveis ficaram de fora do novo remake da Disney. Não, não temos Mushu nem Gri-Li, nem a cena inesquecível de Mulan a cortar o seu cabelo para se fazer passar por um comum rapaz. Na nova vida do clássico, nada disso ganha um renascimento. Mas não é por isso que o filme é fraco.

Mulan é a história de uma jovem corajosa que desafiou a sociedade da sua época para combater na guerra, no lugar do seu idoso e frágil pai. Uma inspiração para várias crianças, em 1998, Mulan mostrava que as princesas da Disney não eram sempre frágeis e que precisavam do seu príncipe para serem salvas. A protagonista da história era o seu próprio príncipe, capaz de tudo, destemida e corajosa, sem nunca deixar de ser mulher. O live-action tinha de manter a essência, sem esquecer a importância de que toda a história carrega. Nesse requisito, a nova Mulan não falha. Continuamos a ter uma heroína destemida, dona de si, capaz de tudo para salvar a sua família e até o seu próprio país. Continua a ser um exemplo de um princesa forte, tal como o mundo agora precisa.

Mulan é o novo filme do Disney+
Fotografia: Disney / Divulgação

No entanto, a nova Mulan perdeu grande parte da sua essência enquanto filme da Disney. Se O Rei Leão (2019) manteve praticamente todos os pontos do filme original, desde diálogos às músicas, a nova Mulan reformula-se por inteiro e quase que parece um novo filme em que, simplesmente, vemos uma história semelhante. O filme resulta minimamente como um filme de ação, com algumas cenas memoráveis e personagens de fácil identificação, mas não cumpre o propósito de homenagear um dos mais importantes filmes da Disney. No meio de tantos, é só mais um.

A níveis técnicos, Mulan também parece regredir. Apesar das cenas de ação serem boas, não passam do nível satisfatório, tal como o resto do filme. Não estamos perante um evento de grandes efeitos ou de uma celebração do cinema moderno e visual, mas sim de uma obra que embora nos prenda pela sua história, nos perde por não corresponder à expectativa.

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Após lançamentos como Cinderella, Maléfica, A Bela e o Monstro, Aladdin e O Rei Leão, Mulan não se destaca e não faz jus ao seu passado. É importante salientar que não estamos perante um mau filme nem uma obra catastrófica, mas sim de um lançamento antecipado cujo resultado final faz as expectativas caírem por terra. Nunca se esperou um remake revolucionário como o primeiro filme, nem uma nova roupagem que fizesse a diferença dentro dos já vários remakes da Disney, mas é impossível deixar de sentir que a nova adaptação simplesmente não traz o espírito antigo de Mulan. Não é mau, não é bom, é apenas um filme.

Mulan é o novo filme do Disney+.
Fotografia: Disney / Divulgação

O problema principal de Mulan vai, no entanto, muito mais além da sua própria criação. A adaptação parece ser resultado de uma crise de exercício de pouca imaginação, com o estúdio a cair na falta de procura de melhores histórias para contar. Mulan é um clássico, tal como grande parte dos filmes que a Disney readaptou recentemente. E não há nada de mal em contar uma história de novo, se existir algo novo por contar. Foi o que aconteceu com Maléfica, cuja abordagem a A Bela Adormecida foi inédita e surpreendente, e o que aconteceu com A Bela e o Monstro que, apesar de se manter fiel à obra original, apresentou mudanças e estruturas mais modernas e cativantes para o espectador do século XXI. Com Mulan, a Disney falha porque apresenta desgaste.

Após algumas apostas bem sucedidas, a Disney manteve a mesma fórmula e começou a imprimir os mesmos resultados, esquecendo-se que o público já não responde com o mesmo entusiasmo a histórias que já viu. Em Mulan, a história é a mesma, mas perdeu o brilho essencial que tinha. Longe de ser um tiro no pé, Mulan é uma aposta que não fracassa, mas que também não convence.

Depois de atrasos e incertezas nas estreias nos cinemas, devido à pandemia de Covid-19, Mulan chega finalmente a terras portuguesas esta sexta-feira (4), pela mão do Disney+.

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