Oscar Wilde

Oscar Wilde: 120 anos depois da morte, permanece um legado rico e complexo

Esta segunda-feira (30) marca 120 anos da morte de Oscar Wilde, escritor e dramaturgo irlandês, especialmente ativo na escrita de peças de teatro e contos. Wilde nasceu em Dublin, a 16 de outubro de 1854, sob o nome de batismo Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde. Estudou em Oxford, mudando-se mais tarde para Londres de modo a prosseguir uma carreira literária. Casou-se com Constance Lloyd, em 1884, com quem teve dois filhos.

Wilde deixou um vasto conjunto de obras, na sua grande maioria contos, como o  O Fantasma de Canterville (1887), e peças de teatro, como A Importância de Ser Ernesto (1895). Apesar de ter publicado apenas um romance, O Retrato de Dorian Gray (1890) é considerado por críticos como “a melhor obra de Oscar Wilde“. Sobre a veia autobiográfica do romance, Oscar Wilde escreveu, em correspondência: “Basil Hallward é quem eu acho que sou: Lord Henry é quem o mundo pensa que sou: Dorian é o que eu gostaria de ter sido—noutras gerações, talvez”.

Oscar Wilde e o “Retrato do Dandismo”

O romance conta a história de Dorian Gray, jovem aristocrata belíssimo por quem o pintor Basil Hallward se apaixona. Tomando-o como a “musa” inspiradora para a sua arte, Basil pinta um retrato de Dorian. É neste contexto que o jovem conhece Lord Henry Wotton que o torna no seu “discípulo” e ensina-lhe o seu modo hedonista de ver a vida, que deve ser vivida com o objetivo de procurar sensações e apreciar a beleza das coisas acima de tudo, sem pensar nas consequências.

Com medo da passagem do tempo, Dorian vende a alma em troca de beleza eterna, passando o retrato a envelhecer por si. À medida que é influenciado e que põe em prática os ensinamentos de Lord Henry, o quadro torna-se cada vez mais hediondo, como se fosse o reflexo da sua própria alma.

Um livro profundamente psicológico que explora os recantos mais negros e complexos da natureza humana. Quem quiser compreender a corrente de pensamento de Wilde não pode ignorar as várias referências à filosofia dandi, expressas em pouco mais de 200 páginas.

A filosofia dandi é o culto do “luxo dos sentidos, do Belo e das artes decorativas“, que o escritor personificou na “através do seu humor frio e sem esforço, da sua indiferença e a originalidade de postura, cabelo e vestuário, que o ajudaram a projetar um ar de superioridade“, de acordo com site Hyperallergic. Este movimento associa-se ao Esteticismo, corrente do século XIX, defensor da Arte e do Belo como antídotos  para o ambiente da sociedade vitoriana britânica. Wilde dedicou-se-lhe depois do fim os estudos em Oxford, tornando-se numa das figuras mais importantes.

Fim de vida

A vida privada de Oscar Wilde foi escrutinada pela imprensa e justiça, ao ser acusado de homossexualidade, crime de indecência à época. O caso foi indicado pelo Marquês de Queensberry, pai de Lord Alfred Douglas, com quem Wilde manteve um caso extraconjugal. O escritor tentou retaliar e acusou o Marquês de difamação, porém, sem sucesso. Como consequência, cumpriu dois anos de prisão, o que prejudicou gravemente a sua saúde.

Foi liberto em 1897 e saiu do país sob o pseudónimo Sebastian Melmoth. Três anos depois, morreu em Paris, a 30 de novembro de 1900, de meningite. Com apenas 46 anos, deixou um testemunho rico, tanto em termos literários e estéticos, como em conhecimento, que marcaram irremediavelmente a história e cultura ocidentais.

Sobre a morte escreveu, em O Fantasma de Canterville“Sim, morte. Deve ser tão bonita. Deitar-me na terra confortável e castanha, com a relva a balançar por cima da minha cabeça, e ouvir o silêncio. Não ter nem ontem nem amanhã. Esquecer o tempo, esquecer a vida, estar em paz”.

Lê também: 85 anos da morte de Fernando Pessoa: A inesgotabilidade de um poeta “múltiplo”

 

Mais Artigos
Presidenciais
Presidenciais. Sabe como as generalistas vão acompanhar a noite eleitoral