Cifrão abriu, juntamente com Noah e Vasco Alves, a 'Arcade Dance Center'
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Entrevista. Cifrão e a ‘Arcade Dance Center’: “Acho que o sonho de qualquer bailarino é ter uma escola de dança”

A Arcade Dance Center localiza-se dentro do Jardim do Palácio Baldaya, em Benfica

Arcade Dance Centeruma academia de arte urbana, é o nome do novo projeto criado por Cifrão, Noua Wong e Vasco Alves. O espaço físico, localizado no centro de Benfica (Lisboa), foi inaugurado em outubro e está a ser promovido como “um sonho realizado, um projeto de vida” do trio, não sendo apenas mais uma típica escola de dança.

O conceito utilizado por Cifrão para descrever este novo projeto é de que se trata de um hub criativo, que tem como objetivo juntar novos artistas mas também veteranos da dança. Para além disso, vai ainda incluir outras atividades diversas como música, vídeo, fotografia, artes plásticas e medicina chinesa. As mentes por detrás desta ideia quase dispensam apresentações.

Cifrão tornou-se, nos últimos anos, uma das maiores referências de dança dos nossos dias, tendo integrado o painel de jurados de vários programas de televisão, como o Dança Com as Estrelas, o Let’s Dance, tendo sido também coreógrafo e diretor artístico de outros produtos do pequeno ecrã. Para além disso, Cifrão assumiu a direção artística da primeira companhia de dança online portuguesa, a Online Dance Company e foi responsável ainda pelo Online Dance Challenge. Noua Wong é bailarina, modelo e atriz, tendo atuado em palcos como os MTV Awards, a Eurovisão na qual foi assistente de coreógrafo e entrado em projetos diversos como Morangos Com Açúcar, A Tua Cara Não me É Estranha ou The Voice.

Por último, Vasco Alves é o fundador dos Jukebox Crew e do curso de formação Bootcamp, contando já com 16 anos de carreira profissional, tendo pisado palcos importantes europeus e representado Portugal em várias competições nacionais e internacionais. Foi igualmente coreógrafo em projetos televisivos como Achas Que Sabes Dançar?, The Voice e Let’s Dance.

Para tentar perceber o que é que as pessoas podem esperar da Arcade Dance Center, mas também para descobrir como foi o processo de começar um projeto cultural no meio de uma pandemia, o Espalha-Factos esteve à conversa com Cifrão e Vasco Alves, duas das três mentes criadoras da nova academia, num diálogo bem animado.

Cifrão, na tua publicação mais recente do Instagram, dizes que a Arcade Dance Center nasceu de um sonho. De onde surgiu a ideia do projeto?

Cifrão: Olha, eu e a Noua já tínhamos vindo a falar desde há muito tempo sobre abrir uma escola de dança com todas as condições que nós achávamos importantes uma escola de dança ter, em função dos bailarinos e das pessoas que aprendem, os alunos. Já andamos a falar sobre isto há muito tempo. Ou seja, eu acho que o sonho de qualquer bailarino é, no fundo, um dia, ter uma base, uma escola de dança. Pelo menos o meu sempre foi. E em conversa com  o Vasco, que é muito meu amigo, fez sentido abrirmos a escola os três porque é um sonho partilhado, é uma coisa que nós já temos vindo falar há muito tempo, discutimos ideias sobre isto, o que é que uma escola deve ter, não deve ter. Quando surgiu a oportunidade de abrir a escola, nós fomos falar com o Vasco, fizemos-lhe o convite e perguntámos se ele gostava de fazer isto connosco. Ele disse que sim e pronto, acabámos por realizar isto e acho que é um sonho conjunto dos três, em abrir uma escola com as condições todas que achamos que uma escola deve ter.

A base é uma escola, mas isto não é só uma escola. Nós gostamos de chamar isto um hub criativo. Nós aqui damos oportunidade e condições aos bailarinos para criarem espetáculos, para depois poderem apresentar, para poderem ensaiar. Acabámos de abrir uma agência de bailarinos, onde vamos trabalhar as carreiras deles, temos uma editora de música onde vamos poder trabalhar a parte musical, artistas novos. Temos a Moving Pictures, uma empresa de audiovisuais a trabalhar aqui dentro connosco. Ou seja, temos um rol de coisas muito grande que faz uma gestão 360º, ajuda o bailarino desde a aprendizagem até à vida profissional. Temos outras coisas que não têm a ver com este rol profissional. Imagina, temos a Bagua, que é um consultório de medicinas integrativas, tem a ortopedia, medicina chinesa, tem uma data de medicinas que eu agora não te consigo explicar todas (risos), mas que a dona é uma bailarina e reuniu um grupo de pessoas que está muito habituada a trabalhar com bailarinos e com pessoas com mazelas do género dos bailarinos. Quisemos juntar isso tudo dentro deste espaço para que fizesse sentido e abraçarmos os alunos e bailarinos de uma forma 360º.

Vasco: Pronto, ele já disse tudo…adeus. (risos)

Mas pegando nessa ideia dos 360º, parece-me ser um projeto com muitas pernas para andar e para crescer, no acompanhamento aos alunos.

Vasco: Esperemos que sim, não é? Agora, é óbvio que é uma altura muito complexa. Nós próprios temos muitas regras que temos de impor na escola e isso tem as suas consequências obviamente até a nível pedagógico. Mas, estamos também a preparar o futuro e a preparar para que eles daqui a um ano, dois anos, seja o tempo que for preciso, para passarmos todos também esta calamidade, estejam preparados a voltar àquilo que faziam, àquilo que querem fazer e em voltar às suas vidas normais, seja como bailarinos profissionais ou ligados à área do espetáculo.

Sendo o projeto dos três, como é que dividem as tarefas? Qual é o papel de cada um?

Cifrão: Eu varro e limpo os estúdios… (risos). Estou a brincar. Nós temos valências diferentes em sítios diferentes. Sendo que acho que nós, cada vez mais, somos intrusivos nas áreas uns dos outros. Porque, na verdade, o conjunto de anos de experiência que nós os três temos, dentro da área, já perfaz um senhor de uma idade bem avançada. Por isso, nós todos temos muitas experiências, algumas experiências diferentes de como gerir, trabalhar a vida de um aluno, de um bailarino, então nós todos temos opiniões muito válidas dentro de todas as áreas. Imagina, o Vasco é uma pessoa muito dedicada à parte da formação, o estudo de como é que as aulas vão ser implementadas, a gestão com os professores. A Noua é uma pessoa muito focada na parte financeira. Eu acho que eu  vivo um bocadinho pelo meio de tudo dentro da área financeira, alinho algumas coisas com o Vasco. Acho que eu perco-me um bocadinho dentro das coisas todas. Eu não gosto muito de falar destas coisas, daquilo que faço. (risos)

Vasco: Isto no fundo acaba também por ser um bocadinho nós os três trazermos o que aprendemos ao longo dos anos para implementar em todas as áreas dentro da escola. Ele acaba por ser a parte criativa da inovação, onde é que vamos inovar, onde é vamos ser inovadores nos próximos tempos, onde é que nos vamos adaptar com a realidade da Covid…

Cifrão: Sendo que é difícil dizer isto porque somos os três um bocadinho isso, percebes? Não sou eu que venho com uma ideia: “olha, tenho uma ideia genial”. Não! Na verdade os três dizemos isso. Os três temos ideias e os três ajudamos a implementar as ideias. Por isso, não há coisas muito específicas onde cada um tem que fazer. Por isso, só para teres uma ideia, deixa-me só contar-te uma história um bocadinho de como é que nós criámos este espaço.

Estás à vontade, é isso que queremos.

Cifrão: Nós apresentámos um projeto à Junta de Freguesia de Benfica. É um projeto que reúne uma data de coisas, a escola de dança, estas áreas artísticas todas que nós queremos desenvolver. Mas depois temos uma parte social muito grande. Nós trabalhamos com miúdos e com pessoas sinalizados aqui à volta, e em Lisboa, onde as instituições acham que a frequência dessas pessoas aqui dentro, a fazer aulas, a privar neste espaço connosco e estar neste espaço a aprender connosco, possa beneficiar a vida delas. Seja em termos de aprendizagem, seja a melhorar os estudos, porque um bailarino que se esforça normalmente é bom aluno, porque sabe o que é que custa trabalhar, então sabe que tem de estudar nas aulas também. Então nós abraçamos muito as crianças, mais até jovens, trabalhamos mais com jovens. Abraçamos muito esse pessoal todo, para poder oportunidade a pessoas que não têm tantas posses, que não têm condições, para poderem estar aqui connosco. Nós criámos esse projeto com a Junta de Freguesia, eles adoraram a ideia, fizemos esse protocolo com eles. Mas depois, isto era um pavilhão…tu não vieste cá, tens que vir, porque isto é um sítio muito bonito. Nós estamos ao lado de um palácio, temos um jardim incrível. E estamos dentro de um pavilhão, que está todo grafitado, uma parede toda grafitada pelo Raf [Rui Ferrreira] e que dá um ar incrível a isto. Mas não é isso que te quero dizer.

Quando nós apanhámos o edifício, estava tudo destruído, abandonado. E nós reconstruímos isto tudo. Ou seja, isto eram quatro pessoas que realmente entendiam de obras, os quatros responsáveis. E depois eram dez bailarinos, nós inclusive, a tentar reconstruir isto o mais rápido possível e da melhor forma possível. Por isso, eu gosto de dizer que isto foi feito por bailarinos para bailarinos, mais aqueles quatro anjos que tiveram aqui, que percebiam realmente de obras. O resto foi feito por bailarinos. Imagina, nós todos pusemos chão, os três mais os bailarinos, os nossos amigos que estiveram cá.

Vasco: Pintámos paredes.

Cifrão: Pintámos paredes, mandámos paredes abaixo, carregámos entulho. Por isso, não há uma coisa que um faça, há uma coisa que todos fazem a trabalhar em equipa. E acho que também só faz sentido assim. Porque, por muito que a gente ache que sabemos mais que toda a gente,  ou que sabemos muito, há sempre alguém que tem qualquer coisa para nos ensinar. E pronto e com esta…

Acabou a entrevista. (Ambos riem-se). Não, estou a brincar. Não vos querendo já atirar para a reforma mas, vocês os três têm um grande historial, não é? Sentem que é um certo culminar da carreira, abrir a Academia?

Vasco: Eu, por exemplo, não sinto tanto. Eu sinto que isto é uma nova fase para criar plataformas para nós desenvolvermos um novo mercado, para continuarmos a trabalhar. Eu sinto que isto é uma nova fase. Ou seja, Portugal tem muitas coisas boas, mas obviamente todos sabemos que culturalmente está subdesenvolvido, e não é só nesta área. É em todas as áreas, é transversal a todas as áreas culturais. A certa altura, a street dance e as áreas mais ligadas às artes urbanas, ainda estão mais atrasadas do que as restantes áreas. Então haver instituições que abrem escolas dedicadas à street dance, que dão apoio a professores dedicados à street dance, há alunos dedicados à street dance que, by the way, enchem campeonatos com cinco mil pessoas, três mil pessoas, e que ninguém ouve falar em Portugal, é uma nova fase para nós também tentarmos chegar à maior parte do público. Explicar-lhes que esta arte é linda, o que nós fazemos é muito importante para uma grande quantidade jovens e que salvou, inclusive, muitos jovens.

Cifrão, Noah e Vasco Alves são as mentes criativas por detrás do novo projeto cultural.

A certa altura, até nós, que temos uma carreira ligada ao meio comercial e etc, também tivemos um passado ligado à arte urbana e à arte cultural ligada ao hip hop. Esses fundamentos também servem para salvar vidas, e não é só dos miúdos do bairro como se costuma dizer, é de todas as pessoas que achavam que um dia não iam conseguir ser artistas e depois viram, por exemplo, meninos como o Cifrão a dançar na televisão a dançar hip-hop um dia e inspiraram-se a ter uma carreira sobre isso. Hoje em dia, muitos deles por causa disso ter acontecido. Portanto, isto é uma nova era. No fundo, o que nós estamos à espera, é que isto seja uma nova era para desenvolvermos novas plataformas, para nós próprios termos mais espetáculos, mais coisas e criarmos plataformas para outros que veem a seguir a nós.

Acham que a pandemia veio confirmar o desapoio em relação à dança? Fala-se muito no cinema, no teatro e todo esse lado da arte, mas sentem que a dança está desapoiada?

Vasco: Não, a dança está boa, porque a dança já era desapoiada. (Cifrão ri-se). Portanto, não mudou muito, continua igual. Nós, agora com a pandemia, sentimos aquela coisa de “epá, não percebo estas críticas todas, isto era o que nós já tínhamos, estava tudo bem”.

Cifrão: A verdade é que a dança costuma ser o parente pobre das artes quase todas. É uma arte muito pouco suportada, é uma arte que tem muita evidência, mas normalmente não consegue chegar aos locais que realmente precisa para lhes poderem dar o dinheiro. Isto falando no contemporâneo e no clássico, que já é difícil. Para a street dance então, é quase impossível alguém ou alguma companhia receber apoios do Estado para poder criar um espetáculo. Portanto, a street dance sempre foi uma coisa muito mais do it yourself e vamos tentar remexer nas coisas para conseguirmos fazer alguma coisa. Nós não estamos a lutar por apoios do Estado, nós estamos realmente a lutar para fazer com que as pessoas todas vejam que isto é uma potência. A street dance é uma potência da dança e que veio para mostrar que nós também temos capacidades de espetáculo, capacidade de profissionais, de profissionalizar bailarinos, de fazer com que as pessoas acreditem que ser bailarino de street dance pode ser uma profissão. Na verdade, cada vez mais, nós, e a comunidade da street dance em Portugal, está a conseguir provar isso. Claro que estamos a viver tempos conturbados e muito complicados, está difícil para toda a gente, imagina, 100% ou quase 90% dos bailarinos deixaram de fazer espetáculos. A única coisa que eles podem fazer é dar aulas e, mesmo assim, durante uma fase não puderam.

Vasco: Houve muitas contingências.

Cifrão: Dar aulas com contingências… há muitas escolas a fechar porque não são grandes o suficiente para ter o espaço entre cada aluno. Nós, graças a Deus, temos muito espaço, conseguimos que uma aula tenha pessoas suficientes para conseguir suportar a escola. Mas há muitas escolas que estão a passar mal e há muitos bailarinos que estão no desemprego. Está muito complicado, mas é como o Vasco diz, nós, na verdade, estamos muito habituados a lidar com estas complicações, e tentamos dar sempre a volta. Segurem-nos, porque quando acabar o Estado de Emergência, nós vamos entrar aí em força.

Acham que, mostrando resultados, conseguirão quebrar o estigma que existe à volta da street dance?

Vasco: Eu vou-te ser sincero, sempre que me falam disso, eu fico sempre um bocadinho na dúvida, qual é o estigma, eu não o vi e depende de pessoa para pessoa. Há pessoas que acham que a street dance é o rap e o hip-hop, etc. Há outros que são os videoclipes e os artistas da MTV e não sei quê. Portanto, a perspetiva das pessoas muda muito e, no fundo, nenhuma delas é muito complexa. Mas, a certa altura, em Portugal, sejam campeonatos, sejam espetáculos, enchem casas com mil pessoas, duas ou três mil pessoas. Os campeonatos nacionais têm às vezes seis, sete, nove mil pessoas a assistir, os campeonatos da Europa são assistidos por milhões de pessoas, inclusive em canais como a Eurosport, a Fuel, etc. Portanto, a certa altura, isto tem uma magnitude, eu diria, quase comparável à do skate e à do surf. De alguma maneira, eu sinto que não tem a mesma projeção, porque lá está, somos um país que só agora também está a descobrir esta coisa do hip-hop.

Portanto, a dança em Portugal, enquanto street dance, existe há pelo menos vinte anos e só agora está a começar a ser mainstream. Eu também sinto que estamos no nosso processo de mostrar ao público que cá também existem coisas de qualidade. Nós, neste momento, temos uma das bailarinas portuguesas que é bailarina principal do Justin Timberlake, nos Estados Unidos, que é a Diana. Temos o Hugo Marmelada, que está em Portugal, que era o principal bailarino da maior companhia da Europa, a Batsheva e que neste momento está na Netflix, num dos episódios de um programa sobre dança. Temos o Marcelino Sambé, um bailarino clássico e o primeiro bailarino da Royal em Londres. Nós, neste momento, temos potencias da dança pela Europa toda e pelo mundo inteiro. O público acaba por não saber, mas isso também vos cabe a vocês, meios de comunicação, ajudar-nos a publicar o que se passa aí, porque a certa altura, nós, que estamos dentro, sentimos que as coisas estão só a crescer e estão cada vez melhores. Obviamente que não agora na altura da Covid, estou a falar antes e possivelmente a seguir….vamos ver o que é o a seguir.

marcelino sambé

O que eu sinto é, só não chega realmente ao público em geral, mas também, lá está, se calhar é um processo. Estamos num processo de aprendizagem, todos nós, estas coisas estão a ficar cada vez mais profissionais na Europa, a própria Europa está a começar a desenvolver fundos para apoiar companhias ligadas à street dance. Ainda não chegou a Portugal, mas eu acredito que vai chegar em breve, daqui a uns anos, portanto é tudo um processo. Neste momento, o estigma que eu sinto é que as pessoas já começam a perceber que existem várias técnicas, existe uma história por trás, culturalmente uma história ligada à área e já deixa de ser um bocadinho aquela coisa do bailarino da MTV ou o “grupo gang” do bairro. Portanto, eu acho que já não existe tanto isso e nós estamos cá também para mostrar às pessoas que isto é diferente. Podem vir sempre aqui à Arcade Dance conhecerem e se gostarem, ficam cá a experimentar.

Falando agora da afluência do público, vocês abriram agora no fim de outubro. Como foi a reação das pessoas?

Cifrão: Na verdade não estávamos à espera de nada, sendo que abrimos uma escola no meio de uma pandemia. Estávamos à espera de poder abrir e ter umas aulas compostas, mas acho que, e falo por nós, superou as expectativas todas que nós tínhamos. Nós conseguimos ter as aulas todas muito compostas, temos a distância de segurança entre as pessoas, não é? Assim que não precisarmos de ter, acredito que muito mais pessoas ocupem as salas. Mas se vires os nossos vídeos no Instagram, nós temos as nossas salas grandes todas cheias.

Vasco: Esse é um dos problemas. É que, neste momento, há pessoas que não podem entrar na aula porque há uma limitação do número de pessoas por estúdio, então nós temos de fazer isto por doses, grupo 1, grupo 2, etc. Mas, it is what it is, estamos todos a passar por isto.

Cifrão: Está a correr muito melhor do que estávamos à espera, sem dúvida alguma.

Então há espaço a melhorias na Academia, quando isto passar, seja lá quando isso for.

Cifrão: Imagina, todo o nosso projeto não se foca só dentro da nossa escola. Nós estamos a preparar muitas coisas com os bailarinos para poder sair para a comunidade. Nós queremos trabalhar com uma comunidade mais velha aqui da zona, mas só podemos fazer isso quando a pandemia acalmar. Há uma data de coisas como a criação de espetáculo aqui nas zonas, neste jardim ao lado temos um palco para poder trabalhar… há uma data de coisas que temos on hold por causa do Estado de Emergência e desta confusão toda. Mas assim que isto acalmar ou parar, nós vamos começar a ir para a comunidade, a ir para fora da escola, mostrar aquilo que nós estamos a fazer dentro da escola. E há toda uma parte que neste momento está parada por causa do que se está a passar. É só por causa disso. Ou seja, dentro da escola as coisas funcionam com a sua normalidade, com as distâncias de segurança, a limpeza dos estúdios sempre, a abertura das janelas sempre que acaba uma aula para o espaço respirar. Há uma data de coisas que nós trabalhamos que as pessoas também já se habituaram, já acham normal, não se sentem que é uma coisa diferente. Tudo normal, não há stress, é só uma questão de adaptação e aprender a nova normalidade.

Cifrão, tu por exemplo, em abril, lançaste o #EuDançoEmCasa e organizaste também um festival de dança online. Sentes-te confortável no papel de chamar à atenção das pessoas de que a dança ficou também em perigo com a pandemia e a falta de apoios?

Cifrão: Como é que eu posso dizer isto? Eu tento sempre dar espaço às pessoas em quem acredito, em cujo valor eu acredito muito. Eu acho que parte do meu papel dentro da sociedade da dança é dar essa visibilidade. Eu já tive a Online Dance Company, onde pegava nos melhores bailarinos ou nalguns dos melhores bailarinos do nosso país e criava um espetáculo para o público poder ver. O #EuDançoEmCasa surgiu por causa do confinamento e mostrar que os bailarinos existem e que têm uma nova proposta para as pessoas em casa poderem trabalhar. Fomos aos Instagrams de cada bailarino para as pessoas os poderem conhecer e poderem fazer aulas com eles, para os bailarinos estarem em casa e conseguirem trabalhar na mesma. Eu tenho um projeto online também onde mostro o trabalho de alguns jovens artistas plásticos, bailarinos e onde eu acho que posso ter uma voz para mostrar a voz das outras pessoas. Eu sinto-me um bocadinho na responsabilidade de fazer isso, sim, mas eu não o faço por sentir responsabilidade.

Eu faço-o porque, para já, eu gosto muito do trabalho deles, das pessoas que eu exponho e porque acho que faz todo o sentido. A cultura é das coisas mais importantes para um povo, sem cultura nós somos uns trogloditas, não é? Não sabemos estar, não sabemos de onde é que viemos, para onde vamos, como é que funciona. Acho que a cultura deve ser uma coisa muito apoiada por toda a gente e se nós cá estivermos a fazer a nossa parte, vocês [órgãos  de comunicação social] a expor, eu a tentar puxar e mostrar as pessoas em quem eu acredito, e as que acho que representam uma mais valia para a nossa comunidade artística. Acho que faz tudo parte e acho que toda a gente deve fazer isso. Acho que um bocadinho de todos os bailarinos gostam de expor uma coisa que gostam e um ou dois amigos que dançam ou que são artistas. E acho que isso faz sentido, a internet veio trazer muito isso, nós podermos mostrar uma data de coisas. Há umas coisas menos boas, há umas coisas melhores, mas faz sentido para as pessoas também saberem o que é que existe e valorizarem as coisas realmente boas.

A Academia vai então servir de montra aos vossos valores?

Vasco: O nosso objetivo é, inclusive, que o nosso estúdio principal, a nossa black box, acabe também por ser um palco para se fazerem apresentações online, para já, e, mais tarde, apresentações ao público. É um espaço grande e que pode receber muita gente. A própria escola está-se a transformar num palco para amostras coreográficas e apresentação de novos coreógrafos.

Para pessoas que ainda não estivessem a pensar a entrar na Academia, o que é que lhes diriam acerca do que é que elas podem contar?

Cifrão: Basicamente temos aulas para miúdos desde os 6 anos e não temos limite de idade. Por isso, se estiverem dentro dessa faixa etária gigante, podem vir porque temos aulas iniciadas, aulas médias e aulas avançadas. Temos aulas para pessoas que nunca dançaram e temos aulas para pessoas que são super mega profissionais, que já estão dentro do mercado de trabalho. Por isso, é só aparecerem e escolherem a aula. Nós chamámos a Arcade Dance Center assim porque nós achamos que cada uma das aulas e cada uma das coisas é quase como um jogo, tu entras e tens vários níveis. E neste jogo de dança temos níveis para todas as pessoas, por isso venham. Eu ou o Vasco, normalmente até mais o Vasco, faz uma primeira conversa convosco, tenta ver qual é que será a aula melhor para vos orientar. As pessoas que estão a trabalhar connosco na receção são dois bailarinos que também sabem exatamente para onde encaminhar as pessoas. A pessoa que gere a escola connosco, que é a Sara, também é bailarina, cantora e atriz, é uma triple threat, ela sabe bem como ver as pessoas, encaminhá-las para as aulas certas, dependendo daquilo que elas gostam e da capacidade que têm. Por isso, é só cá aparecerem que depois é connosco, tratamos de tudo.

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