Videoclube do Sr. Joaquim
Fotografia: Videoclube do Sr. Joaquim/Facebook

‘Videoclube do Sr. Joaquim’: um livro com humor, cinema e solidariedade

Videoclube do Sr. Joaquim existe desde 2017 como uma página no Facebook que reúne humor e cinema de uma forma pouco habitual. Todos os anos, os autores da página lançam um anuário com textos sobre a sétima arte, mas em 2020 a edição é mais especial do que em qualquer outro ano.

Carlos Reis, um dos criadores do anuário, falou com o Espalha-Factos sobre este projeto que, no dia 25 de dezembro, irá doar a totalidade dos lucros da venda desta edição à Acreditar — Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro.

Em 2017, Carlos Reis, Miguel Ferreira e Pedro de Alarcão Lombarda criaram o Videoclube do Sr. Joaquim. Os três autores criam textos exclusivos para a página do Sr. Joaquim, de forma a que, no final de cada ano, sejam compilados num anuário. Assim, inspirados por um cartaz, um trailer, ou um pormenor de um filme, Carlos, Miguel e Pedro dão asas à imaginação e libertam “alegrias e frustrações, anseios e devaneios em torno da sétima arte” ou de questões relacionadas com o quotidiano do país e do mundo.

“Do empubescimento da extrema direita em Portugal ao humor complicado do Nilton, da pancadaria que os críticos de cinema do Público levam sempre que sai um filme do Christopher Nolan, ao vírus que mudou o mundo ao ponto do Jorge Jesus ter tido positiva pela primeira vez num teste desde a segunda classe. Tudo tem servido como base para desabafar, com mais ou menos piada, com mais ou menos pertinência social, com mais ou menos relevo cinematográfico do “lançamento” em causa.”, explica Carlos.

Videoclube do Sr. Joaquim
Capa do anuário de 2020

Quanto ao trabalho, os autores não fazem qualquer tipo de divisão, escrevendo assim quando lhes apetece e sobre o tema que quiserem. Contudo, este não é o único projeto dos três cinéfilos que se conheceram “através da blogosfera”, há cerca de dezassete anos. Juntos têm ainda um podcast de cinema, intitulado Nas Nalgas do Mandarim, onde partilham ideias e pensamentos sobre inúmeros filmes.

Com a aproximação da época natalícia, a equipa por detrás deste projeto teve a ideia de doar os lucros do livro à Acreditar, uma associação que ajuda a enfrentar o cancro infantil. “A nossa única preocupação sempre foi não dar prejuízo [produção dos livros e custos com os envios], de modo a podermos continuar ano após ano. Por isso, num ano que tem sido tão difícil para tanta gente, porque não fazermos a nossa parte e ajudarmos quem mais precisa?”, conta o autor.

A criação do Sr. Joaquim

Durante o podcast que fazem juntos, os autores começaram a usar o termo Sr. Joaquim para definir as plataformas de download “ilegal” que disponibilizavam filmes inacessíveis em Portugal. “Por exemplo, ‘O Rambo V já está disponível no Sr. Joaquim’, era como dizíamos que o filme já estava disponível para sacar da net.”, explica.

Autores do Videoclube do Sr. Joaquim
Carlos, Miguel e Pedro têm um podcast de cinema, intitulado Nas Nalgas do Mandarim

Deste modo, quando tiveram de criar a figura principal do livro, “fez sentido ser um velhote queijeiro com um videoclube numa terrinha do interior”. A terra da personagem ficcionl é a aldeia de Picha, em Leiria. Mas o Sr. Joaquim não é a única personagem do livro, sendo que outras pessoas foram aparecendo, como as ajudantes. Surge então Eliete e Guilhermina, que ajudam a gerir e a limpar o videoclube. “Recentemente apareceu um vilão chamado Ivan Diogo — inspirado no Ivan Drago —, que abriu outro videoclube [plataformas de streaming] na aldeia.”, refere Carlos.

Este ano, a terceira edição do Videoclube do Sr. Joaquim conta com mais de 150 filmes, mas, ainda assim, Carlos Reis não consegue escolher o seu favorito. “Há um pouco de tudo neste anuário, de todas as décadas e de todos os géneros”, declara. “Mas se fossemos a votos ia ficar entre o RoboCop do Verhoeven ou o Hard Ticket to Hawaii do mítico Andy Sidaris.”

O livro já se encontra à venda no site oficial de Nas Nalgas do Mandarim e tem um custo de 13 euros. Esta edição tem cerca de 260 páginas, e conta com uma edição especial para colecionadores (já esgotada) e uma edição normal.

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