Cláudio Ramos, Cristina Ferreira, Maria Botelho Moniz e Manuel Luis Goucha
Fotografia: Maria João Silva / Espalha-Factos

Entre sonhos e desejos antigos, o daytime da TVI renasce a 4 de janeiro

O novo daytime da TVI está quase à porta, com estreia marcada para o dia 4 de janeiro de 2021, uma segunda-feira. Cláudio Ramos e Maria Botelho Moniz são os novos rostos das manhãs, com Manuel Luís Goucha a viajar para as tardes. O Espalha-Factos esteve à conversa com os apresentadores e com os diretores da TVI, Cristina Ferreira e Nuno Santos.

Ao fim de 30 anos, Manuel Luís Goucha despede-se do ciclo matinal para abraçar o horário que pertencerá, até ao dia 31 de dezembro, a Fátima Lopes. Questionado pelo EF sobre a sensação de abandonar as manhãs, Manuel Luís Goucha confessou não sentir nada, porque “embora seja um ciclo muito longo, eu não tenho saudades de nada. Eu parto do princípio que irei sentir o mesmo que senti quando saí da Praça da Alegria e da RTP ao fim de dez anos e passei na semana seguinte para a TVI, sem sentir nada. Eu não sou agarrado emocionalmente, não me agarro emocionalmente aos projetos que faço. Agarro-me sim, com unhas e dentes profissionalmente. Acabou, acabou, as manhãs não mais são minhas, passam a ser as tardes. Tranquilo“, explicou.

Manuel Luis Goucha nas tardes da TVI.
Fotografia: Maria João Silva / Espalha-Factos

Sem saudades do que já lá vai, Goucha confessou ainda que não lhe é difícil dizer adeus ao Você na TV!, apesar de reconhecer que está numa posição confortável: “Eu digo adeus a um projeto para no dia seguinte iniciar outro. É muito mais aliciante começar uma coisa do zero, do que dizer adeus a uma coisa que tem 16 anos.” O último Você na TV! vai ao ar no dia 31 de dezembro de 2020, sem grandes alaridos e de forma discreta, num programa gravado como um best-off dos melhores momentos do programa, para facilitar a montagem dos novos cenários do daytime. Para Manuel Luís, “Programa morto, programa posto“.

Goucha – o novo programa das tardes da TVI – é descrito como um formato de conversas intimistas, mas o apresentador garante que “a boa disposição estará lá sempre“. “Mesmo que a conversa seja algo trágica, eu tento sempre animar as pessoas. O programa está a ser pensado, delineado, é um programa de mais conversa, com conversas com mais tempo e com segmentos muito interessantes, que não posso desvendar para já. Mas o Goucha de sempre estará presente“, explicou diretamente ao Espalha-Factos.

Para já é apenas um programa de dois anos

Relativamente ao futuro na TVI, o apresentador não tem grandes dúvidas e não se vê a renovar o contrato que mantém até 31 de dezembro de 2022. “Quando acabar o contrato terei 68 anos. É natural que eu aos 68 anos não queira fazer programas todos os dias. Não me importo de fazer um semanal, ou não, isso é tranquilo para mim. No dia em que sair da televisão, saí, não há problema nenhum. Eu tenho outras coisas para fazer na vida, nomeadamente gozar o tempo e gozar o Alentejo, sem o andarilho ainda. Para já, é apenas um programa de dois anos, até ao final de 2022, e depois logo se verá“, contou.

Apesar de não fechar as portas a poder continuar com Goucha para lá de 2022, caso o programa seja um sucesso, o apresentador deixou expressa a ideia de que deseja “diminuir o ritmo“, para poder aproveitar o seu tempo para escrever e desenvolver outros interesses pessoais. Porém, para já, Goucha é um projeto para dois anos.

No entanto, nem tudo no novo formato parecia ser do agrado do apresentador inicialmente. O nome do novo programa não agradou Manuel Luís Goucha, que se confessou incomodado com a ideia de se tratar de um exercício de “um exercício de pouca humildade”. “Eu sinceramente não achei muita graça. Porquê olhar para o meu umbigo através de um nome de programa? Mas os argumentos eram muito fortes e fazem todo o sentido, porque ao longo destes quase 30 anos, eu sempre ouvi dizer ‘Eu vi o Goucha, eu estive no Goucha, eu vou ao Goucha’. Já na Praça da Alegria era ‘Eu vou ao Goucha’, até entre os técnicos. Quando usaram os argumentos, fez sentido. Goucha vs. Júlia.”.

Nunca fui abaixo, eu não vou abaixo”

A fechar, o apresentador confessa que já não se preocupa com as audiências e que nem sabe os números que faz, embora esteja consciente de que tem “ganho várias manhãs“. “Eu ganhei com A Praça da Alegria, perdi todas as manhãs com o Olá Portugal, perdi vários anos com a Cristina com o Você na TV!, eu ganhei durante dez anos, eu perdi ano e meio com a Cristina do outro lado, eu estou a ganhar muitas manhãs nos últimos tempos. Mas não é isso que importa, eu tenho é de ser feliz a fazer televisão. Claro que as televisões portuguesas vivem de acordo com as audiências, mas não é isso que me aflige. Aliás, há outros exemplos. A Júlia Pinheiro esteve nas manhãs a perder durante oito anos, não ganhou uma manhã e nunca a viu triste nem desmotivada. Eu estive ano e meio a perder e a levar pancada das revistas e algum digital… Nunca fui abaixo, eu não vou abaixo“, relembrou o apresentador.

Goucha tem estreia marcada para 4 de janeiro, nas tardes da TVI.

Já segues o Espalha-Factos no Instagram?

Maria Botelho Moniz: “Não podia estar mais feliz

Claudio Ramos e Maria Botelho Moniz na TVI
Fotografia: Maria João Silva / Espalha-Factos

Depois de vários anos à espera de um salto para programas de grande importância, Maria Botelho Moniz junta-se a Cláudio Ramos nas manhãs da TVI como o substituto de Você na TV!: Dois às 10. O novo talk-show das manhãs da Quatro é um desafio não só pessoal, como profissional, mas Maria Botelho Moniz confessa não estar nervosa, por ser a altura de “meter em prática tudo o que [aprendeu] ao longo de 15 anos de televisão“. Surpreendida e entusiasmada, a apresentadora “não podia estar mais feliz“.

Já Cláudio Ramos, que se estreia ao lado de Teresa Guilherme logo no dia 3 de janeiro para se estrear nas manhãs logo no dia seguinte, explica que este sempre foi o seu maior desejo em televisão. “É uma coisa que eu quero fazer há muito tempo. Quando eu penso que queria fazer televisão, é isto, não há outra coisa. Eu trabalhei muito, não cheguei ontem, eu trabalhei muito para chegar aqui. Não tenho dúvida nenhuma do foco que está em mim de há dois anos para cá. Mas há um caminho que se faz. E agora há outro caminho“, explicou o apresentador, que referiu também que continuará igual a si mesmo.

Habituado a substituir Cristina Ferreira no extinto O Programa da Cristina na SIC, o novo apresentador das manhãs da TVI considera que o importante para um apresentador de daytime é “conseguir tocar vários instrumentos e meter-se no lado do espectador, aquilo que ele queria ver, o que queria perguntar. Se tiveres capacidade para isso, é meio caminho andado“.

Sobre a responsabilidade de substituir Manuel Luís Goucha, Maria Botelho Moniz confessa que sente “um peso muito grande. Não podemos negar. Goucha e Cristina foram a maior dupla, arrisco-me a dizer. Eu não me lembro de ver televisão sem estas duas pessoas na televisão. Portanto, ocupar esse horário, em dupla… Agarra-te“. Já o apresentador, é incapaz de ignorar a história e o legado do formato das manhãs da TVI que agora fecha um ciclo. Cláudio “não quer comparações”, porque “a Maria não é a Cristina e o Goucha não é o Cláudio“.

Porém, substituir o formato não é a única coisa que acontece nas manhãs da TVI a partir de janeiro. Dois às 10 é o novo programa das manhãs da TVI e manterá, segundo Nuno Santos, “alguns elementos de programas de dia que são comuns em Portugal. São programas de companhia e isso é muito importante para as pessoas. Nós que somos da cidade, damos menos importância a isso, mas mesmo nas cidades grandes, estes programas são muito importantes. E ainda mais nos últimos anos. Eles agregaram – e a Cristina tem muito mérito nisso – conteúdos e convidados que até há uns tempos julgava-se que eram menores nestes horários. São programas de companhia que tocam a vida de milhões de pessoas todos os dias. Os ingredientes são tocarem em temas do quotidiano, tocarem em histórias de vida… É óbvio que estas coisas estarão no programa“.

Cristina Claudio e Maria
Fotografia: Maria João Silva / Espalha-Factos

Já a Diretora de Entretenimento e Ficção, Cristina Ferreira, deixou a ideia de que “cada dupla impõe os conteúdos de uma forma muito dinâmica e particular. O formato vai estar muito adaptado àquilo que eles são os dois, àquilo que eles vão construir em antena, portanto o caminho vai sendo encontrado ao longo dos tempos“. Aproveitando para relembrar o seu percurso com Manuel Luís Goucha, a apresentadora referiu que foram “adensando tudo ao longo dos anos“, portanto também Cláudio e Maria “tentarão fazer isso e vão fazê-lo naturalmente“.

A apresentadora relembrou ainda que é “impossível fazer um programa de daytime sem verdade. O filtro que nos separa de quem nos vê do outro lado é muito ténue, portanto eles sabem exatamente quando estamos bem-dispostos, mal-dispostos, quando estamos com um problema, quando queremos chorar, quando queremos rir… Portanto, não vale a pena estar a inventar num programa de manhã. Tu és aquilo e é aquilo que ali está todos os dias. E só assim faz sentido”, finalizou.

Sobre as audiências, a dupla não parece muito assustada para já, pois garantem que o foco “é divertir quem está em casa e fazermos o nosso melhor“.

Com gratidão por ter sido escolhida para o futuro da TVI, Maria Botelho Moniz confessou ter recebido várias mensagens a agradecer por terem feito o seu próprio caminho. “Há muita gente que luta muito tempo para chegar a um lugar, pode até nem ser na televisão, mas que às vezes precisa e gosta de ter exemplos de persistência e resiliência. De pessoas que vão fazendo o seu caminho não em linha reta, mas com curvas e contra curvas por necessidade, porque têm de agarrar uma oportunidade aqui e ali na esperança de darem dois passos à frente, e tenho recebido muitas mensagens de pessoas a dizer que é merecido. Ainda não estreámos e eu sinto as pessoas genuinamente felizes por nós“, concluiu.

Dois às 10 tem estreia marcada para 4 de janeiro, na TVI.

Mais Artigos
Casa Feliz
Casa Feliz. João Baião e Diana Chaves infetados com Covid-19