Programas que falharam em Portugal: Jogo de Todos os Jogos
'Jogo de Todos os Jogos' | Fotografia: RTP

8 adaptações de formatos de sucesso que não resultaram em Portugal

É comum, pelo mundo, as televisões de todos os países adaptarem formatos que já existem. Portugal não só não é exceção a esta prática frequente, como também é um claro exemplo deste recurso a programas internacionais.

Normalmente, o que leva um determinado canal a comprar os direitos de um programa é o sucesso do mesmo, nos países em que já foi produzido. No entanto, o facto de ter sucesso a nível internacional não é garantia de que o formato será bem-sucedido em todos os países.

Neste Dia Mundial da Televisão, o Espalha-Factos fez uma seleção de oito programas que são um sucesso internacional, mas que, por alguma razão, mostraram ser apostas falhadas em Portugal.

SuperNanny (2018, SIC)

Formato original inglês, SuperNanny foi distribuído para vários países, como Brasil e Estados Unidos. Em território brasileiro, foram para o ar dez temporadas do programa que agitou a comunicação social em Portugal.

A proposta deste formato é simples. Através de uma psicóloga especializada, pretendia-se mostrar aos telespectadores como impor disciplina e respeito a crianças, enquanto os pais recebiam também uma orientação. Na versão portuguesa, a SuperNanny era Teresa Paula Marques.

O que ditou o fim deste programa não foram os baixos resultados de audiências, até porque com SuperNanny, a SIC, conseguia liderar os domingos à noite. Em causa para o fim abrupto, após apenas a exibição de dois programas, esteve a onda de críticas que se formou. Entidades como a UNICEF e a Ordem dos Psicólogos apontaram a existência de violações à integridade das crianças visadas. Toda a polémica ficou agravada quando a SIC se tornou alvo de um processo criminal.

O programa acabou por ser cancelado depois de terem sido exibidos os primeiros dois episódios. A SIC foi ainda obrigada a retirar do website conteúdos relacionados com o formato.

Pegar ou Largar (2006, SIC)

Pegar ou Largar foi a versão portuguesa do fenómeno Deal or No Deal. Rui Unas foi o anfitrião deste programa que esteve no ar na SIC durante apenas uma temporada, em 2006.

Neste dinâmico concurso, existe uma montra com um determinado número de malas seladas, sendo que cada mala esconde uma determinada quantia. O concorrente é desafiado a eliminar malas, à escolha, até que reste aquela que o participante acha que contém o maior valor. Ao longo deste processo de eliminação, “A banca” vai oferecendo propostas monetárias que o concorrente pode aceitar, acabando ali o jogo, ou recusar e continuar a eliminar malas. No final, o participante ganha a quantia da última mala, independentemente do valor que esta esconda, ou o valor da proposta d’ “A banca”, caso tenha aceitado a mesma.

Este formato, em Portugal, dava a oportunidade aos concorrentes de ganharem um prémio máximo de 300 mil euros. No entanto, Pegar ou Largar não foi capaz de reunir a preferência do público, tornando-se mesmo um fracasso de audiências. Embora mal sucedido em território nacional, o Deal or No Deal contou com versões em mais de 70 países e, atualmente, está no ar, por exemplo, no Brasil e em França.

Survivor (2001, TVI)

Neste programa, os concorrentes são divididos em grupos e, cada grupo, representa uma tribo. As tribos são colocadas numa localização em isolamento do mundo exterior, normalmente num sítio tropical. Aí devem arranjar comida, procurar água e abrigo. À medida que o jogo avança, vão competindo entre si e realizando tarefas com o objetivo de ganharem imunidades, comida e até objetos de luxo. Os participantes vão sendo progressivamente eliminados do reality até que sobre apenas um, que se sagra o grande vencedor.

Survivor é um reality-show popular e que conta com versões em mais de 45 países. Nos Estados Unidos são 40 as temporadas transmitidas e a próxima já está confirmada. Edição atrás de edição, o programa continua com um comportamento muito positivo no que a audiências diz respeito, neste país. Também a vizinha Espanha tem no ar, há quase 20 anos, uma versão de Survivor, denominada Supervivientes. Foram já transmitidas 19 temporadas e a vigésima está a caminho.

Em Portugal o cenário é bem diferente. O realityshow, no nosso país, teve apenas uma temporada, em 2001. Depois da emissão da temporada de estreia, que ocupou os sábados à noite, a TVI não voltou a apostar em mais Survivor. A apresentação do programa ficou a cargo de Paulo Salvador e Teresa Guilherme era responsável por pequenos blocos ao longo da semana.

Apesar das audiências não terem sido assim tão fracas, esta edição passou muito despercebida. O problema apontado para a não continuação do formato diz respeito, essencialmente, ao facto de ter sido totalmente gravado, o que impossibilitou a interatividade com o público, fator importante neste tipo de programas. Além disto, Survivor estreou na ‘sombra’ de Big Brother 3, que reunia as atenções.

Shark Tank (2015-2016, SIC)

Shark Tank é um formato dedicado ao empreendedorismo. Neste programa, empresários apresentam as suas ideias e propostas de negócio aos sharks, isto é, a potenciais investidores. O objetivo dos empreendedores é só um: conseguir o financiamento que ambicionam, para pôr em prática os projetos que desenvolveram.

Shark Tank é a versão americana de Dragons’ Den, da Inglaterra. Este último pertence a uma franquia original japonesa. Shark Tank estreou nos Estados Unidos em 2009 e continua atualmente no ar com a décima segunda temporada, na ABC. Existem ainda várias versões internacionais espalhadas um pouco por todo o mundo. Espanha, Canadá e Ucrânia são alguns exemplos de países que já produziram adaptações do formato.

Marco Galinha foi um dos jurados de ‘Shark Tank’ | Fotografia: Divulgação

Em Portugal, a primeira temporada, transmitida em 2015 pela SIC, começou com resultados competitivos. No entanto, semana após semana, foi caindo, conquistando sucessivos recordes negativos de audiência. A edição de estreia foi perdendo para programas da TVI, como MasterChef Portugal e propostas de ficção. Apesar de resultados não muito positivos, o canal de Paço de Arcos encomendou uma segunda temporada que estreou em 2016. Nos episódios iniciais, a SIC conseguiu a liderança com o Shark Tank, mas a partir da estreia de A Tua Cara Não Me É Estranha, na TVI, ficou-se pela vice-liderança longínqua.

Boom! (2020, TVI)

Boom! foi um game-show transmitido pela TVI no fim do verão de 2020. Em cada programa duas equipas tinham de desativar um total de 10 bombas (cinco por cada equipa), respondendo a perguntas cujas respostas estavam representadas por fios coloridos. Assim, os concorrentes deviam cortar os fios que correspondiam às respostas erradas. Se cortassem o fio errado a bomba explodia e a equipa ficava sem um elemento, assim como uma parte do prémio.

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‘Boom!’ é um concurso de cultura geral que mete os concorrentes à prova num ambiente “explosivo”. | Fotografia: Divulgação

Boom! é um formato original israelita transmitido em mais de dez países. Em Espanha, o programa é um sucesso e consegue alcançar resultados históricos de audiências no canal onde é transmitido, a Antena 3. Em Portugal, este cenário não se verificou e Boom! não conquistou, de todo, os portugueses. O formato conduzido por Marco Horácio foi transmitido em dois horários: primeiramente, aos domingos à noite e, depois, durante uma semana, de segunda a sexta-feira ao final da tarde. Em nenhum dos horários conseguiu destacar-se e ficou no terceiro lugar das audiências durante a maior parte das emissões. O game-show teve inclusive emissões em que não conseguiu ultrapassar a marca dos 10% de share, ficando bem atrás dos programas da concorrência.

Achas que Sabes Dançar? (2010, 2015, SIC)

Achas que Sabes Dançar? foi a adaptação portuguesa do talent-show original norte-americano So You Think You Can Dance?. Neste enérgico concurso de dança, todos os concorrentes são postos à prova sendo desafiados a dançar estilos muito diferentes. À medida que a competição vai avançando, os participantes vão formando duplas que não são fixas, ou seja, a cada semana existem pares novos. Além disto, cada programa resulta na eliminação de um concorrente.

Nos Estados Unidos já foram transmitidas 16 temporadas, desde 2005, e a décima sétima foi cancelada devido à pandemia de Covid-19. Este é um formato presente um pouco por todo o mundo, tendo versões em mais de 20 países como Canadá, Austrália, Alemanha, Polónia, por exemplo.

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Rita Spider e Colin Vieira em ‘Achas que Sabes Dançar?’. | Fotografia: Facebook

A versão portuguesa chegou ao pequeno ecrã em 2010, apresentada por João Manzarra. Na estreia conseguiu liderar as audiências e com um resultado superior a um milhão e 200 mil espectadores; depois disso, foi sempre caindo nas audiências. Em 2015, a SIC decidiu voltar a apostar neste talent-show, mas com outros protagonistas. A apresentadora passou a ser Diana Chaves e o júri também sofreu alterações. Na estreia, o programa melhorou os números do horário nobre da SIC, aproximando-se da líder TVI. Com o passar das semanas o concurso foi perdendo espectadores até que ficou mesmo no terceiro lugar do pódio. Desde então, o concurso não regressou para uma terceira temporada.

Jogo de Todos os Jogos (2019, RTP1)

O Jogo de Todos os Jogos foi a versão portuguesa do programa original norte-americano Ellen’s Game of Games. Nos Estados Unidos estreou no final de 2017 e o formato consiste numa junção de todos os jogos realizados no programa de daytime de Ellen DeGeneres. Game of Games está na quarta temporada e é atualmente transmitido pela NBC. Apesar de ser um formato recente, já tem versões internacionais em pelo menos 7 países, incluindo Portugal.

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‘Jogo de Todos os Jogos’ esteve no ar na RTP1

Em território português, a condução do programa foi atribuída a Filomena Cautela, que recebeu muitos elogios pela sua prestação. Apesar do bom desempenho da apresentadora, o programa ficou aquém do esperado a nível de audiências. O episódio de estreia não reuniu sequer 500 mil espectadores. Com o passar das semanas, o formato foi crescendo, mas, de um modo geral, permaneceu no terceiro lugar do pódio. Não está previsto o desenvolvimento de uma segunda fornada de episódios na RTP1.

Lip Sync Portugal (2019, SIC)

Lip Sync Battle é um programa que junta comédia a interpretações musicais. O formato opõe duas celebridades que se enfrentam num duelo de performances de sincronia labial, o famoso playback. As performances incluem imitações das interpretações icónicas do artista original. É uma ideia introduzida inicialmente num segmento de Jimmy Fallon do programa The Tonight Show, que depois se tornou um formato independente no canal Spike TV.

O Lip Sync Battle foi o responsável por dar ao canal onde é transmitido a maior audiência da história do mesmo. O sucesso foi crescendo e, desde 2015, já quatro temporadas foram lançadas, além de programas especiais. A ideia rapidamente alargou-se ao resto do mundo e já catorze países fizeram versões de Lip Sync Battle.

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César Mourão e João Manzarra foram os apresentadores da versão portuguesa do ‘Lip Sync Battle’. Fotografia: SIC

No nosso país, Lip Sync Portugal chegou em 2019 pelas mãos da dupla de apresentadores César Mourão e João Manzarra. Em relação a audiências, cinco dos oito programas emitidos ficaram abaixo da fasquia do milhão, estando maioritariamente numa vice-liderança, por vezes, bem distante da líder TVI. Apenas a final conseguiu reunir a preferência dos telespectadores, num dia em que a concorrência mais direta, a TVI, não apostou em grandes programas de entretenimento, mas sim em ficção. Uma segunda temporada de Lip Sync não deverá estar nos planos da SIC.

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