Fotografia: Queen / DR

‘A Night At The Opera’: A “ópera” prima dos Queen faz 45 anos

A Night At The Opera é considerado um dos discos mais impactantes do rock do século XX. O Espalha-Factos faz uma breve retrospetiva sobre a importância deste álbum na carreira dos Queene não só.

Em meados dos anos 70, os Queen davam os primeiros passos do que seria uma carreira bem sucedida enquanto banda. Em 1974, já tinham editado três álbuns de estúdio, sendo o último Sheer Heart Attack. Esse trabalho contém o tema Killer Queen, o primeiro grande êxito do grupo britânico à escala mundial.

Nessa altura, a banda, constituída por Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor, ainda estava a querer destacar-se em relação no panorama musical. No entanto o lado criativo evoluía de forma desproporcional em relação à vertente financeira.

O contrato que tinham assinado com os Trident Studios não tinha sido o mais vantajoso para os Queen. Os britânicos tinham pouco retorno financeiro como recompensa pelo árduo trabalho em estúdio e nas digressões que embarcavam. Em dezembro de 1974, Freddie Mercury e companhia decidiram contratar um advogado para os ajudar a romper o contrato de forma pacífica.

Depois de uma disputa nos tribunais que durou nove meses, a banda assina com a EMI no Reino Unido e com a Elektra Records para o mercado norte-americano. Nesta altura, John Reid torna-se no novo manager dos Queen e assim começa a história do álbum que viria a tornar-se num relevante momento para a história do quarteto britânico.

Tudo ou nada

Já livres das amarras do contrato com os Trident Studios, os Queen estavam determinados de fazer um álbum para conquistar o mundo. Para isso, tiveram um orçamento a rondar de 378 mil euros (valor já com ajuste da inflação atual) de orçamento para compôr e gravar o novo disco. Na altura, os valores eram exorbitantes e, durante alguns tempos, foi um dos mais trabalhos musicais mais dispendiosos de sempre.

Depois de um mês e meio dedicados a ensaios e a escrever músicas novas, Freddie Mercury e o restante grupo começam o processo de gravação ambicioso. Em termos de recursos, o objetivo foi claro: superar Sheer Heart Attack. Utilizaram sete estúdios diferentes (em vez de quatro); usaram fitas de gravação de 24 pistas (ao invés de fitas de 16). E, por fim, a banda tocou instrumentos pouco comuns às bandas de rock, como harpa, ukelele, tímpanos entre outros.

A origem do nome A Night at The Opera para o disco vem do filme dos irmãos Marx com o mesmo título. No total, o álbum é constituído por 12 músicas, que deambulam entre o rock progressivo, a pop e o heavy metal. Death on Two Legs é a canção que abre o disco. Viria a descobrir-se mais tarde que a letra é dirigida a Norman Sheffield, ex-manager dos Queen. Sheffield chegou a instaurar um processo de queixa-crime por difamação à banda e à editora associada. No entanto, o caso foi resolvido fora dos tribunais.

Love of my Life, que viria a marcar as atuações ao vivo, é dedicada a Mary Austin, conhecida por ter sido uma paixão de Freddie Mercury. I’m In Love with My Car é uma composição de Roger Taylor e é também um ponto alto do disco. You’re My Best Friend é escrita por John Deacon e é dedicada à mulher, com quem casou em janeiro de 1975.

Apesar da solidez do álbum, há uma música que se destaca e que viria a tornar-se num hino intemporal.

Impacto de Bohemian Rhapsody

Há uma canção do álbum que mudou o rock. Essa faixa chama-se Bohemian Rhapsody e é uma das mais icónicas da carreira dos Queen. Gary Langan, engenheiro de som neste trabalho, tinha apenas 19 anos. Numa entrevista ao site Metro, Langan conta que, na altura, trabalhava nesta área há apenas 18 meses.

A sensação era assustadora. Até então eu tinha sido assistente em projetos e pequenos singles para os Bay City Rollers, David Cassidy, singles pop. Na altura, quando se percebeu que este álbum de rock ia chegar ao estúdio, designaram-me como engenheiro assistente”, revela.

Sobre a experiência de trabalhar com os Queen, mais concretamente na canção Bohemian Rhapsody, Gary Langan revela que Freddie Mercury esteve envolvido em todas as fases da sua conceção.

“A canção estava apenas na cabeça do Freddie [Mercury]”, sublinha. “Eles [os Queen] eram exigentes, perfecionistas. Então não podias aceitar meios termos. Nenhum dos membros do staff, os membros da produção, a banda, não havia males menores, sempre foi a perfeição. É muito exigente e duro conseguir isso, é necessária muita disciplina”, acrescenta Langan.

Foram usados 180 overdubs e a secção “operática” tem 100 vozes. Gary Langan recorda que isto foi feito numa era analógica, ou seja, a conceção foi díficil de montar.

Depois de quatro meses de gravações intensas, o disco é lançado nas lojas a dia 20 de novembro de 1975. A crítica especializada da época teve reações mistas, mas os fãs e o tempo catapultaram o sucesso deste trabalho.

Até hoje, foram vendidos mais de sete milhões de exemplares e Bohemian Rhapsody torna-se-ia na canção mais importante da carreira da banda.

O teledisco também teve um papel importante. É de recordar que era pouco comum, numa era pré-MTV, apostar em videoclipes. Na época, a canção ocupou a primeira posição da tabela de singles do Reino Unido.

40 anos depois, Bohemian Rhapsody tornou-se na canção do século XX com mais audições nas plataformas digitais. Em 2019, o vídeo superou também a barreira das mil milhões de visualizações no YouTube.

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