Valete

À Escuta: Valete regressa sem alarido e causa estrondo

Nesta edição do À Escuta, rubrica semanal do Espalha-Factos que dá a conhecer os lançamentos mais recentes da música portuguesa, destacamos o lançamento surpresa de cinco canções de Valete, o novo single de Call Me Alice e o novo single de Branko com EU.CLIDES.

Numa semana recheada, as novidades não param por aí – a nova canção de Peluche, que conta com a participação de Adolfo Luxúria Canibal; os novos singles de Bonança, Luiz Caracol, Tiro no Escuro, Mirai e Lefty e, ainda, o novo EP de Narciso.

Lê também – Crítica. ‘Sol Posto’: arte e bucolismo ao som de Capitão Fausto

O regresso silencioso de Valete que veio causar estrondo

Sem aviso prévio e quando menos esperávamos, Valete regressou, trazendo com ele cinco canções originais lançadas separadamente, cada uma com o seu teledisco. O rapper sublinha que não se trata de um EP, apenas cinco músicas sem um todo nem ordem pensada. São elas ‘Olimpo‘, ‘Viaja‘, ‘Ilha de Honshu‘, ‘Rua do Poço dos Negros‘ e ‘Indústria dos sonhos‘.

O que Valete pretendia era atingir a versatilidade entre estas cinco canções: “Um dos objetivos era fazer com que os sons soassem todos diferentes“, comentou o rapper num vídeo publicado no seu Facebook. Para atingir esta meta, Valete contou com a participação de vários artistas, como DJ Link, Andrezzo,  X-Tense e Phoenix RDC, Dino D’Santiago, NBC,  Mia, Loromance, Virgul, Lila e Sérgio Mota.

Apesar de todas as canções revelarem um cunho de crítica social, ‘Rua do Poço dos Negros‘ é aquela que ressalta à primeira vista. Nela, Valete denuncia o racismo e o fascismo em ascensão no país: “quantos George Floyds já tivemos em Portugal?“, ouve-se a certa altura na canção, que critica, ademais, o facto de fecharmos os olhos às injustiças que acontecem debaixo do nosso nariz.

Call Me Alice editam ‘Last Call‘, o single de antevisão do LP Cosmos Sampled

Last Call‘, é o novo single da banda portuense Call Me Alice, uma antevisão do longa-duração de estreia Cosmos Sampled, cuja edição está prevista para o dia 4 de dezembro. A canção é sucessora de ‘Yellow Coat‘, que ganhou uma nova versão durante a quarentena e ‘What If‘.

A harmonia onírica denuncia o tom indie de ‘Last Call, corroborada por guitarras ora ligeiras, ora morosas, que juntas constroem a aura devaneadora da canção. “Estamos muito felizes por finalmente poder mostrar-vos o que temos vindo a desenvolver nos últimos meses – músicas que têm tocado exclusivamente nos nossos ouvidos por demasiado tempo“, anunciou a banda na sua conta de Instagram.

Branko e EU.CLIDES juntam-se em ‘Tempo Torto

Após a edição de Enchufada na Zona Vol. 2 e do single ‘Sereia Remix‘, que conta com a participação de Rita Vian, Branko regressa com mais uma novidade: ‘Tempo Torto‘, uma canção partilhada com o cantor e compositor EU.CLIDES. Com a edição deste single, Branko continua a mostrar a exploração da dinâmica e diversidade “das tradições musicais portuguesas com aliadas ao fenómeno urbano global“.

A música conta com letra de EU.CLIDEs e Jónatas Pereira, produção de Branko. A canção reafirma aquilo que Branko tem vindo a fazer desde Nosso – colaboração com artistas promissores da língua portuguesa, criando canções transversais e com uma identidade única na nossa língua-mãe.

Alma Congelada’ é o novo single de Mirai

Alma Congelada‘ chega finalmente às plataformas digitais, após ter sido apresentada num teaser de apresentação da coleção Primavera/Verão 2021 do designer João Magalhães na Moda Lisboa. Produzida por Fumaxa, a canção revela Mirai como um rapper promissor que, rapidamente, conquistou o seu lugar no mundo do hip-hop português.

O artista, que para além deste projeto criou, com Lostnot o coletivo SHIN SEKAI, tem mostrado a sua veia inovadora e considera que esta canção “reflete um sentimento de incerteza daquilo que se quer, espera ou sente, face a alguém que o bombardeia com perguntas, mas que está a lutar para que isso não o deixe cair.”

Há Demasiadas Marias‘ é o single de estreia de Bonança

Bonança é Ricardo Barroso, que se estreia esta semana com ‘Há Demasiadas Marias‘. A ingressão no mundo da música já vai longe: percebeu que até tinha algum jeito para cantar quando a mãe, que dirigia um grupo de teatro escolar, propôs-lhe um papel numa versão do Sweeney Todd. Desde então, a vontade de subir palcos nunca se esgotou e foi-se apercebendo que a música tem “a possibilidade de trazer algo mais ao mundo que me faça realmente feliz“.

Quanto a ‘Há Demasiadas Marias‘, Bonança explica que tem por ela um especial carinho. A música já estava pronta “há uns dois anos, e marcou a descoberta de uma identidade enquanto músico, a de Bonança. A música preenche o lacuna das grandes histórias de amor que o artista ainda não viveu, o que “não me impede de as sonhar“. Assim, nasceu esta canção sobre os dissabores do amor platónico e a “esperança desesperada das paixões não correspondidas“. No fundo, Bonança procura contar uma história que não é só dele – “todos temos as nossas Marias.

Vai Lá‘, o single feel-good de Luiz Caracol

A nova canção de Luiz Caracol, ‘Vai Lá‘, é o segundo single do EP que está por vir, só.tão, cuja primeira apresentação ao vivo está prevista para o dia 17 de dezembro no Centro Cultural da Malaposta. A mais recente canção de Luiz Caracol é uma reafirmação da identidade única que o cantor tem construído ao longo dos últimos anos.

Sobre o disco, refere que “este só.tão foi talvez uma das minhas mais emocionantes e importantes viagens musicais. Ter conseguido construir e concretizar os três temas do só.tão, sozinho e durante o período de isolamento, foi tão desafiador quanto intenso”.

Sede‘ é o single de estreia de LEFTY

Sede‘ é a canção que apresenta LEFTY, o mais recente projeto de Ella NorJoão Nobre (Da Weasel), Pablo Banazol (Annie Road) e Dani (Bandex /Bicho do Mato). Bebe inspiração dos anos 1980 e 1990, mas conta com a robustez das texturas sonoras que os (loucos) anos 2020 nos trouxeram. Assumidamente assente no pop rock, a banda “aposta na conciliação da experiência com irreverência, uma mescla de novos talentos da música portuguesa e artistas de carreira sedimentada.”.

A inspiração surgiu numa altura conturbada da vida da vocalista, onde a sede por sentir alguma coisa invadia os seus sentidos: “o conceito do tema debate-se com a vontade de me sentir conectada emocionalmente a alguém, mas que por estar numa maré auto-destrutiva, consequente das minhas inseguranças existenciais”, explica Ella Nor.

Adolfo Luxúria Canibal junta-se a Peluche em ‘Figurante

Paulo Fontes, José Rios, Diogo Costa e Afonso Costeira são Peluche, uma banda de rock alternativo fundada em 2018, em Braga. Para o single Figurante‘ junta-se a eles Adolfo Luxúria Canibal, o icónico fundador e vocalista dos Mão Morta e escritor. A canção pende mais para o lado do heavy rock, e o seu ex-líbris é o longo solo de guitarra, sucedido pela inconfundível voz de Luxúria Canibal em spoken word nos versos seguintes.

single foi produzido por Diogo Agapito na I Scream Studios. A banda encontra-se a gravar o seu segundo EP, ainda sem data de edição, no seguimento de Qualquer Coisa no Espaço, lançado em março de 2020.

‘Não tenho tinta‘ é o drama que assola Tiro No Escuro, o projeto a solo de Artur Gomes da Costa

Artur Gomes da Costa estreia-se a solo em Tiro No Escuro. Após ‘Amordaçar‘ e ‘Ansioso‘, lançadas este ano, chega agora ‘Não Tenho Tinta’, a mais recente canção do cantor. Com influências na dream pop, j-pop e no funk, à aura dançável do beat alia-se a lírica espontânea na canção mais vibrante do artista até agora.

Das possibilidades temáticas, Tirno No Escuro escolhe “[denunciar] as ansiedades e as dores de crescimento dos vintes, frutos de um quotidiano que dita a aceleração dos ponteiros do relógio sem dar muito em troca“. A frescura e o arrojo com que Tiro No Escuro aborda estas questões são exímios, através de instrumentais dinâmicos e vibrantes, tornando as adversidades numa esplêndida desculpa para celebrar à beira de uma bola de espelhos.

Anticorpo é o EP de estreia de Narciso

Quatro canções puramente instrumentais formam Anticorpo, o EP de estreia de Narciso. Todas diferentes entre si, as canções percorrem um caminho que perpassa desde a êxtase à melancolia. Há muito que Vasco Narciso atravessa o mundo da música (foi aluno do Hot Club Portugal e do Conservatório de Amsterdão onde começou a atuar com a sua primeira banda, Hammond Crash). No entanto, é em Anticorpo que o artista explora os sintetizadores e a sua própria percepção enquanto produtor musical. As canções compõem a banda sonora do filme animado Son of A Prick, que foi nomeado no Festival de Animação de Berlim 2020.

 

Zeen is a next generation WordPress theme. It’s powerful, beautifully designed and comes with everything you need to engage your visitors and increase conversions.

Mais Artigos
'The Disciple' venceu o galardão de Melhor Filme LEFFEST.
LEFFEST’20. ‘The Disciple’ e ‘The Best Is Yet To Come’ são os grandes vencedores