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Conta-me Como Foi, na RTP (2007).

15 séries e novelas que marcaram a televisão portuguesa

São muitas as novelas e séries que passaram pelos ecrãs portugueses, mas há algumas que não nos saíram da memória. Ora porque nos fizeram rir, outras chorar, algumas até sonhar mais alto. Nas últimas décadas, são muitas as que ficaram guardadas connosco e que marcaram várias gerações de espectadores.

Neste Dia Mundial da Televisão, o Espalha-Factos reuniu as produções mais marcantes que ficaram para a história da televisão em Portugal. De quais te lembras?

Gabriela (1975 e 2012)

Esta novela brasileira é a adaptação do romance do escritor brasileiro Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela. A personagem principal é Gabriela, uma jovem ingénua e bonita, que segue em direção a Ilhéus, onde conhecerá Nacib, um árabe que a emprega como cozinheira. A telenovela mostra-nos o romance entre os dois jovens, porém o essencial a retirar é que Gabriela é um espírito livre, que dificilmente mudará por um homem.

Foi a primeira telenovela a ser exibida em Portugal, na RTP, com transmissão a partir de maio de 1977. Apesar do baixo índice de consumo televisivo do povo português na década de 70, tendo a maioria da população baixo rendimento ou, por outro lado, fazendo vida em aldeias, foi com Gabriela que este consumo se espalhou para todos os estratos sociais e lugares em Portugal, com os habitantes a deslocar-se a cafés para ver o episódio diário da novela que do Brasil chegava.

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Gabriela e Nacib (1975). | Fotografia: Acervo/Globo

Em 2012, a Rede Globo reproduziu uma novela baseada na mesma obra do mesmo autor, apesar da intenção inicial ser a adaptação de outro romance de Amado, para a qual não conseguiu os direitos. Enquanto que a primeira versão da adaptação televisiva do romance tem Sônia Brava como Gabriela, Juliana Paes interpretou o papel da jovem protagonista na versão de 2012.

Vila Faia (1982)

Criada por Francisco Nicholson e Nicolau Breyner, Vila Faia centra-se na marca de vinhos de nome homónimo à telenovela, produzida pela  Sociedade Vinícola Marques Vila, cujo nome vem do empresário Gonçalo Marques Vila (Ruy de Carvalho). No meio de várias personagens que trabalham para os Marques Vila destaca-se João Godunha (Nicolau Breyner), um ex-pugilista solitário que, depois de se exilar em África, voltou para Portugal e encontrou emprego como motorista do empresário.

Esta foi a primeira telenovela portuguesa, transmitida na RTP1 em 1982. Em 2008, houve um remake da mesma, que contou com nomes como Albano Jerónimo e Virgílio Castelo nos papéis principais.

Malucos do Riso (1995)

Quem não se lembra dos Malucos do Riso? Este que é um dos formatos de humor mais antigos e mais conhecidos da televisão portuguesa é também dos que mais deixa saudades. Transmitida pela SIC, a fórmula da sitcom é bem simples: anedotas já antigas e contadas por atores bem queridos dos portugueses.

Camacho Costa, Carla Andrino, Carlos Areia, Ildeberto Beirão, Nuno Melo e Raquel Maria são só alguns dos artistas que fizeram parte deste elenco de luxo. Desta sitcom ficaram conhecidas frases que ainda hoje são ditas por muitos portugueses: “Vai lá, vai! Até a barraca abana“, “Cabecinha pensadora!”, “Isto é que vai p’ra aqui uma açorda, hein?“. 

A Próxima Vítima (1995)

A novela brasileira da Rede Globo foi transmitida pela SIC em Portugal. No meio de uma trama recheada de adultério e famílias disfuncionais, o que tornou A Próxima Vítima numa novela verdadeiramente cativante foi a série de homicídios de que vamos tendo conhecimento. Irene, uma jovem estudante de Direito, começa uma investigação da ligação entre estes assassinatos quando encontra uma lista com códigos que os parecem conectar: uma lista em que o tema principal é o Horóscopo Chinês, e onde figuram as datas de nascimento das vítimas destes assassinatos.

A série também marcou a sua audiência ao explorar situações sociais que, à luz dos anos 90, ainda eram controversas: a relação homossexual de duas personagens, a prostituição de uma das amigas de uma das protagonista, e ainda a convivência com ex-toxicodependentes, em recuperação.

Camilo & Filho Lda. (1995)

Esta sitcom portuguesa foi a primeira de muitas protagonizadas por Camilo de Oliveira. Na verdade, qualquer uma delas mereceria fazer parte desta lista. Camilo de Oliveira é Camilo Chumbinho, pai de Alberto Chumbinho (Nuno Melo), ambos sucateiros e a viver em constante risco de falência. Vivem e trabalham juntos e levam uma vida simples. No meio de muitas discussões e discordâncias sabem que podem sempre contar um com o outro. São 26 os episódios recheados de humor, que acompanham as peripécias de pai e filho. Muitos dos episódios estão disponíveis no YouTube.

Anjo Selvagem (2001)

Mariana de Jesus (Paula Neves) nasceu e cresceu num convento, mas sempre foi o oposto do esperado no local, tendo crescido como uma maria-rapaz que brincava com os miúdos nas ruas da aldeia onde o convento ficava. Durante uma das noites em que escapava pela janela, para ir cantar e dançar com a sua amiga São para uma discoteca local, conhece Pedro Brandão Salgado (José Carlos Pereira), com quem haveria de se cruzar mais tarde.

Aos 18 anos, Mariana sai do convento e procura trabalho – e os fantasmas do passado, tanto de Mariana como dos Brandão Salgado, acabarão por vaguear pela Quinta de Nossa Senhora do Carmo.

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Fotografia: TVI

Chocolate com Pimenta (2003)

A colaboração entre a SIC e a Rede Globo é já antiga, ligação esta que deu a conhecer aos portugueses algumas das melhores novelas brasileiras. Chocolate com Pimenta é uma novela protagonizada por Mariana Ximenes e Murilo Benício. O enredo passa-se nos anos 20 e acompanha a história de Ana Francisca, uma jovem que ficou recentemente órfã e que se vê obrigada a ir viver para outra cidade com familiares que não conhece. A trabalhar numa fábrica de chocolates, Ana Francisca faz amizade com o dono da fábrica, que lhe deixa no seu testamento a sua fortuna. Uma comédia romântica com um elenco de luxo.

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Ana Francisca, interpretada por Mariana Ximenes. | Fotografia: João Miguel Júnior/Globo

Inspector Max (2004)

Jorge Mendes (Fernando Luís) é um inspetor da Polícia Judiciária e tem a seu lado um companheiro de equipa bem especial: o Max, um pastor alemão que os seus filhos encontraram. O cão junta-se à dupla de inspetores, da qual Jorge faz parte, e que se completa com Sérgio Calado (Rui Santos). O policial, que estreou na TVI em 2004, voltou em 2016, mostrando a vida da família de Jorge, cuja dinâmica alterou brutalmente em 10 anos – e Max não foi a lado nenhum.

Inspector Max
Fotografia: TVI

Alma Gémea (2005)

Alma Gémea estreou em 2005, na SIC, onde voltou a ser exibida em 2011, e conta a história do botânico Rafael (Eduardo Moscovis), um homem apaixonado pela bailarina Luna (Liliana Castro), mas que vê a relação desmoronar com a morte de Luna num assalto planeado por Cristina (Flávia Alessandra), prima da dançarina que deseja viver a vida dela.

Enquanto Rafael desespera ao ver a mãe do seu filho partir, Luna vê a sua alma sair do próprio corpo e, momentos depois, numa aldeia indígena, nasce Serena (Priscila Fantin). A jovem é, assim, uma reencarnação de Luna, e decide ir para São Paulo atrás dos seus sonhos, até que encontra Rafael. Juntos, os dois vão perceber a forte ligação que os une e que estão destinados a ficar juntos, independentemente da sabotagem constante da maquiavélica Cristina.

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Serena e Rafael. | Fotografia: Divulgação

Ninguém Como Tu (2005)

A novela da TVI foi escrita por Rui Vilhena e é interpretada por nomes importantes na ficção nacional, como Alexandra Lencastre, Vítor Norte, Benedita Pereira, Dalila Carmo, Nuno Homem de Sá, José Fidalgo, Pedro Lima, Joaquim Horta e Vera Alves. Os personagens são-nos apresentados através de três acontecimentos distintos (que podem ou não relacionar-se entre si): um casamento cujo futuro é incerto, um desfalque e o desaparecimento de uma criança.

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Alexandra Lencastre é Luíza Albuquerque em Ninguém Como Tu | Fotografia: TVI

Floribella (2006)

A partir do original Floricienta (2004), a adaptação portuguesa da novela juvenil, produzida por Cris Morena e Teresa Guilherme, tornou-se um fenómeno de audiência e foi o primeiro grande sucesso da ficção nacional da SIC da última década.

A nossa querida Flor, protagonizada por Luciana Abreu, é a humilde personagem principal desta história mesmo à Cinderela, onde há uma madrasta (e irmãs) maquiavélica e um príncipe encantado – com o twist moderno que faz com que Flor seja a vocalista de uma banda (e estaríamos a mentir se dissermos que não cantamos a ‘Pobres dos Ricos em diversas ocasiões).

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A banda da Flor. | Fotografia: Arquivo/D.R.

Chiquititas (2007)

Madalena Santana (Marta Fernandes) é uma criança escondida numa empresária de sucesso, e mostrá-lo-á quando se transforma em Lili, a nova companheira das crianças que estão sob o cuidado dos De Mont, no orfanato que estes (terrivelmente) gerem.

Por trás das duas aparências bastante distintas desta personagem principal, está a história que encantou miúdos e graúdos: uma menina que engravidou muito nova e, a mando do pai, teve de deixar o filho naquela instituição. Embora Lili prometa rebeldia e diversão para todas as crianças que conhecerá no orfanato, a sua verdadeira motivação é encontrar o filho (ou filha) que não chegara a conhecer.

Conta-me Como Foi (2007)

António e Margarida Lopes criam os seus filhos, Toni, Isabel e Carlos, num bairro social da capital, e a história desta família é reconstituída através da narração de Carlos, já em adulto. A série, adaptada pela RTP da versão espanhola Cuéntame… como pasó, mostra a cidade de Lisboa nos anos 60, acompanhando a História portuguesa num país fechado ao resto do mundo.

A última temporada seguida, em 2011, terminou a série no dia 25 de abril de 1974. A série regressou em 2019, mostrando os filhos dos Lopes mais velhos e a contar as vidas portuguesas nos anos 80.

Laços de Sangue (2010)

Esta novela da SIC não só foi impactante a nível nacional como venceu o Emmy Internacional para Melhor Telenovela, em 2011. O enredo gira em torno de duas irmãs, separadas por um trágico acidente onde uma (Marta, interpretada por Joana Santos) desapareceu e o pai, a tentar salvar ambas, faleceu.

Inês (Diana Chaves) cresceu e vive atormentada pelos fantasmas do seu passado – o pai e a irmã, que perdeu -, embora aparentemente feliz e realizada. Marta não faleceu mas, após desaparecer, ganhou uma nova identidade e uma nova família: é Diana, e nos dias correntes, a sede materialista consome-a do pior modo possível.

Laços de Sangue celebra 10 anos
Fotografia: SIC / Divulgação

Dancin’ Days (2012)

A novela da SIC contou com quatro grandes nomes da ficção nacional: Soraia Chaves, Joana Santos, Joana Ribeiro e Albano Jerónimo. As duas primeiras interpretam duas irmãs que levam vidas bastante diferentes: Júlia (Joana Santos) é ex-presidiária e Raquel (Soraia Chaves) é uma socialite. Poucos meses depois de ser presa por um crime que não cometeu, Júlia deu à luz Mariana (Joana Ribeiro), que ficou a cargo da sua irmã até que saísse da prisão. 16 anos depois, no entanto, o reencontro entre as duas não será facilitado, o decorrer do tempo tendo alterado toda a dinâmica familiar que poderia vir a existir entre as três. 

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Júlia e Raquel, aquando do nascimento de Mariana. | Fotografia: SP Televisão
Artigo de Matilde Costa Alves com Ana Silva, Débora Felicidade e Miguel Cunha dos Santos.
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