booker prize 2020
Fotografia: Martyn Pickersgill / Divulgação Booker Prize

Douglas Stuart vence o Booker Prize de 2020

O autor venceu o prémio graças ao seu livro de estreia, 'Shaggie Bain'.

Douglas Stuart foi o grande vencedor do Booker Prize de 2020. Um dos maiores prémios da literatura em língua inglesa foi atribuído hoje, 19 de novembro, numa cerimónia adaptada às circunstâncias pandémicas.

O Booker Prize é um dos maiores prémios da literatura em língua inglesa. O galardão distingue o melhor livro de ficção publicado no último ano em inglês e publicado no Reino Unido ou Irlanda. Ao contrário do Prémio Nobel de Literatura, por exemplo, este prémio procura olhar apenas para o livro como obra literária, e não para a carreira de um autor, e pretende trazer atenção, publicidade e reconhecimento ao seu vencedor. O prémio monetário é também significativo: o vencedor ganha quase 56 mil euros.

booker 2020
Imagem: Booker Prize 2020

Douglas Stuart é o segundo autor escocês a vencer o prémio em 51 anos. Shuggie Bain conta a história de um rapaz que cresce em Glasgow, Escócia, durante a década de 1980, e cuja mãe luta contra o alcoolismo. O livro, apesar de ficcional, é fortemente baseado na história pessoal do autor, e a obra é dedicada à sua mãe, que morreu devido ao alcoolismo quando o autor tinha 16 anos. Este é o seu romance de estreia. O autor mudou-se para Nova Iorque após se formar no Royal College of Art, para trabalhar em moda, onde ainda hoje reside com o marido, e está agora a preparar o seu segundo livro, Loch Awe.

O júri afirmou que a obra “está destinada a ser um clássico – um comovente, imersivo e complexo retrato de um mundo social coeso, das suas pessoas e dos seus valores. A emocionante história fala-nos do amor incondicional entre Agnes Bain – que cai no alcoolismo dadas as difíceis circunstâncias de vida com que tem de lidar – e o seu filho mais novo. Shuggie tem dificuldades em assumir a responsabilidade, para lá daquela que lhe deveria ser pedida, dada a sua idade, de salvar a sua mãe de si própria, ao mesmo tempo que lida com novos sentimentos e questões quanto à sua própria alteridade.”

Uma lista de finalistas diversa e inclusiva

A lista de seis finalistas da edição deste ano do Booker Prize era composta por quatro obras de estreia – as dos autores Avni Doshi, Douglas Stuart, Brandon Taylor e Diane Cook. A seleção ficou completa com Maaza Mengiste e Tsitsi Dangarembga. Os finalistas são autores oriundos de vários países, entre eles Etiópia, Zimbabué, India e Escócia. Nenhum deles, no entanto, reside no Reino Unido. A lista deste ano foi também aplaudida pela sua diversidade, não só quanto ao tipo de histórias contadas mas, também, quanto à origem dos seus autores.

A cerimónia deste ano foi realizada num estúdio espaçoso, com o cumprimento de distanciamento social, e com a presença no local de apenas alguns convidados, como uma das vencedoras de 2019, Bernardine Evaristo. Alguns dos convidados virtuais incluíram a Camilla, Duquesa da Cornualha e o ex-Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama – cujo mais recente livro, Uma Terra Prometida, foi lançado dia 17 de novembro, causando o adiamento da cerimónia.

O júri que atribuiu o prémio foi composto por Lee Child (autor britânico, vencedor de um Anthony Award em 1997), Lemn Sissay (escritor etíope-inglês), Sameer Rahim (jornalista literário e autor britânico) e Emily Wilson (classicista britânica, professora da Universidade da Pensilvânia e autora de seis livros, incluindo a tradução da Odisseia de Homero), e liderado por Margaret Busby (editora, escritora e crítica literária nascida no Gana e criada no Reino Unido).

Em 2019, uma decisão controversa do painel de jurados levou à divisão do prémio entre Margaret Atwood, com Os Testamentos, e Bernardine Evaristo, com Rapariga, Mulher, Outra. Ambos foram, entretanto, lançados em Portugal no decorrer deste ano.

O Booker Prize é atribuído anualmente desde 1969. A vitória de Evaristo marcou a primeira vez que o prémio foi atribuído a uma mulher negra, e a divisão do prémio com Atwood foi apenas a terceira vez que tal aconteceu em 50 anos. Antes da vitória de Douglas Stuart, apenas outros quatro autores estreantes tinham ganho o galardão: Keri Hulme em 1985, Arundhati Roy em 1997, DCB Pierre em 2003 e George Sanders em 2017.

Em 2013, foi anunciado que autores americanos poderiam entrar na competição a partir de 2014 – antes disso, apenas eram elegíveis livros escritos por autores provenientes da Grã-Bretanha, Irelanda e países da Commonwealth. Desde então, e apesar da resistência à decisão por parte da comunidade literária britânica, apenas dois vencedores foram americanos: Paul Beatty com O Vendido, em 2016, e George Saunders, com Lincoln no Bardo em 2017.