Manifestação

Trabalhadores da Cultura vão protestar em frente ao parlamento em Lisboa

O Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos promove a concentração Nem Parados Nem Calados

O Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE) vai apoiar o protesto Nem Parados Nem Calados. A manifestação ocorre dia 9 de novembro, segunda-feira, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, onde também falará a ministra da Cultura.

De acordo com um comunicado emitido esta terça-feira, a manifestação decorrerá entre as 15h30 e as 17h30, enquanto o Parlamento estará a discutir o Orçamento de Estado para o setor cultural.

O sindicato critica o Orçamento de Estado, afirmando que não dá resposta aos problemas do setor, pois “limita-se a validar ou criar novas formas de trabalho precário“.

“Só com um valor substancialmente maior do que o até agora apresentado, aproximando-se o mais possível de 1% do OE, será possível o que temos exigido nestes tempos: que se cumpram de facto as medidas de fundo e de emergência para o sector, para garantir que existimos daqui a um ano e se criem verdadeiras condições, em prol que no futuro nunca mais aconteça o que vivemos nestes tempos”, argumenta o sindicato.

O CENA-STE acusa também o governo de “adiar uma verdadeira intervenção de emergência, limitando-se a pequenas ações claramente insuficientes”, quando os trabalhadores da Cultura, dos espetáculos e do audiovisual vivem um momento particularmente difícil e confrontam-se diariamente com situações dramáticas do ponto de vista laboral e social”.

“No momento em que os trabalhadores do setor procuram manter os teatros abertos, os espetáculos a decorrer, manter a segurança e proteção de todos, o Governo continua a assobiar para o lado para um setor que é dever do estado garantir que tem futuro”, acrescentou.

Com base nestas declarações, o sindicato “apela à presença dos trabalhadores na concentração à frente da Assembleia da República, no próximo dia nove de novembro”.

O CENA-STE tem divulgado, durante os últimos meses, resultados de inquéritos realizados aos profissionais do setor, durante o período da pandemia da covid-19. Segundo o terceiro inquérito, 12% dos trabalhadores da Cultura têm contrato sem termo e 70% têm um segundo emprego.

Confirma-se que mais de 80% da atividade prevista foi cancelada ou adiada e, ao contrário do que tem sido dito pelo Governo, apenas 7% diz ter visto as suas atividades profissionais reagendadas com data concreta”, alerta o sindicato.

Em inícios de abril, o sindicato partilhou que 98% dos profissionais tiveram os seus espetáculos cancelados, sendo que 33% foram adiados por mais de 30 dias.

No âmbito do Plano de Desconfinamento, o Governo autorizou a reabertura das salas de espetáculo, respeitando as medidas de segurança e higiene impostas. Segundo a Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos, entre março e finais de abril, foram cancelados, adiados ou suspensos cerca de 27 mil espetáculos. De acordo com a GDA – Gestão dos Direitos dos Artistas, por cada espetáculo cancelado até 31 de março, em média, ficaram sem rendimentos 18 artistas, 1,3 profissionais de produção e 2,5 técnicos.

Quanto à concentração da próxima segunda-feira, o CENA-STE recorda as medidas de segurança e de higiene, sendo que será obrigatório o uso de máscara e o distanciamento físico.

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