Star Wars
Fotografia: Lucasfilm

Dos práticos ao CGI: A evolução dos efeitos especiais em ‘Star Wars’

A saga Star Wars é uma das mais relevantes da história do cinema. Começou em 1977 e resultou num império multimédia que perdura até os dias de hoje. Para além do storytelling, um dos elementos responsáveis por despertar a criatividade e desenvolver a própria indústria de Hollywood foi o departamento dos efeitos especiais.

Desde o primeiro filme até à mais recente série, The Mandalorian, a saga das estrelas continua a estar na vanguarda na execução dos efeitos visuais no cinema. Neste Dia Mundial do Cinema, que se comemora esta quarta-feira (5), o Espalha-Factos tece uma retrospetiva sobre a importância dos efeitos especiais da franquia na indústria cinematográfica.

A Ascenção dos Efeitos Práticos [1977-1982]

Falar de efeitos especiais é quase impossível não referir a Industrial Light and Magic (ILM). A produtora de foi fundada em 1975 na mesma altura em que o primeiro filme de Star Wars começou a ser produzido. Sugerido por Douglas Trumbull (responsável pelos efeitos especiais em 2001: Odisseia no Espaço), John Dykstra foi recrutado por George Lucas para liderar essa mesma companhia. Ken Ralston, Richard Edlund, Dennis Muren, Joe Johnston, Phil Tippett, Steve Gawley, Lorne Peterson e Paul Huston foram os escolhidos para compor o que viria a ser a equipa original da ILM, quando eram ainda estudantes universitários.

Antes de Star Wars de 1977, os planos de naves no espaço em longas-metragens eram filmados com modelos de grande e pequena escala, o que permitia apenas movimentos lentos e rígidos.

Star Wars
Fotografia: StarWars.com

Dykstra, o principal supervisor de efeitos especiais, concebeu um novo sistema de câmara de movimento controlado por computador. Apelidado de Dykstraflex, a câmara permite um modelo de nave espacial ser filmado num fundo de blue screen numa única posição enquanto a câmara se movia em torno dele, com a ideia de fornecer a ilusão de movimento.

Outros objetos poderiam ser também filmados com o mesmo movimento de câmara, uma vez que esta era controlada por computador. Quando todos esses elementos diferentes foram combinados ou “compostos” juntos, parecia um único plano dinâmico.

No filme seguinte, O Império Contra Ataca, a mesma técnica foi usada, em conjunto com stop-motion, nas sequências de ação da Batalha de Hoth e com as criaturas Tauntaun. Dennis Murren e Phil Tippet foram os responsáveis pela criação deste efeito especial, que se viria a chamar Go-Motion. A técnica foi usada também em outros blockbusters como ET, Indiana Jones, Blade Runner ou Os Caça Fantasmas.

Richard Edlund criou a sua própria câmara “controlada por movimento” que podia captar filme a um frame por segundo. A técnica também foi aplicada na sequências como Hoth e em cenas de voo do Millennium Falcon.

Em O Regresso de Jedi, Dennis Murren e Garrett Brown, inventor da Steadicam, caminharam até à floresta de sequoias na Califórnia para capturar imagens de fundo. Murren e Brown fotografavam a floresta a cada poucos segundos. Quando isso foi executado no sentido contrário em 24 frames por segundo, parecia mostrar a floresta e as árvores a passar rapidamente. Os personagens poderiam então ser filmados em blue screen e o resultado que vemos no final provém de uma composição dos dois.

O CGI Contra Ataca [1999-2005]

Após várias décadas a aperfeiçoar os efeitos especiais em múltiplas longa-metragens, George Lucas e a ILM estavam focados em trazer os mais recentes avanços tecnológicos numa nova trilogia de Star Wars. No final dos anos 1990, o CGI (computer generated images ou imagens geradas por computador) era visto como o futuro nos efeitos especiais em Hollywood. Lucas quis apostar nesse recurso para o desenvolvimento dos três novos filmes.

John Knool, o principal responsável pelo departamento dos efeitos especiais desta trilogia, salienta o aumento de número de cenas quando comparada com a original. “[A trilogia original] tem cerca de 1,700. O original A New Hope tinha cerca de 360. Império Contra Ataca tinha cerca de 700. O Regresso de Jedi foi cerca de 900 ou 950. Episódio I tem, por volta, de 1950. Episódio II foi 2.200. Episódio III foi 2.400″, realça numa entrevista de 2017.

Um dos mais desafiantes e inéditos efeitos usados foi ao conceber a personagem Jar Jar Binks. Apesar de não ter sido bem recebido pelos fãs, a integração do ator juntamente com a animação 3D da criatura Gungan foi visto como inovadora na época. Anos mais tarde, a tecnologia permitia “ressuscitar” personagens como Grand Moff Tarkin no filme spin-off, Rogue One.

Apesar de predominância do blue screen em maior parte das cenas, os filmes ainda usaram modelos de pequena escala para gravarem certas cenas – a corrida dos podraces é um desses casos. Nos restantes dois episódios, o blue screen foi tomado como norma para a conceção dos cenários e, como resultado, causou estranheza aos atores.

Hoje em dia, os efeitos especiais da trilogia das prequelas envelheceram mal, mas a ambição em querer elevar a fasquia da indústria cinematográfica é de certo modo louvável.

O impacto dos efeitos especiais de Star Wars até hoje

Na nova trilogia lançada entre 2015 e 2019, juntamente com os dois filmes spin-off, a franquia abraçou o meio termo entre os efeitos especiais práticos e a CGI. Até na série The Mandalorian as inovações dos efeitos especiais continuam a surpreender – a utilização de sets virtuais de 360º é um dos exemplos.

No entanto, George Lucas, num documentário de 1983, lembra que “efeitos especiais sem um enredo, torna-se aborrecido“. E é essa a máxima que qualquer filme blockbuster não pode esquecer.

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