Amor com Data Marcada

Crítica. ‘Amor Com Data Marcada’ é mais uma comédia romântica banal

Amor Com Data Marcada é a nova comédia romântica da Netflix. Produzida por John Whitesell, estreou esta esta quinta-feira (28) e é o filme mais visto da plataforma de streaming, mas não surpreende.

Amor Com Data Marcada narra a história de Sloane e Jackson, dois estranhos fartos de estarem solteiros nas épocas festivas, da pressão de arranjar um encontro nestas alturas do ano e do constante julgamento familiar. As duas personagens conhecem-se na fila de uma loja, quando estão a devolver as prendas de Natal, e acabam por ter uma pequena discussão sobre o quão difíceis podem ser estes dias.

Surge assim o conceito de “feripar”. Tal como o nome indica, é uma pessoa com quem estamos nos feriados, mas que só serve para não nos sentirmos sozinhos, sem qualquer teor sentimental. Uma vez que ambos precisam de alguém para passar o final do ano, concordam em serem “feripares” um do outro.

Ao longo de um ano, Sloane e Jackson passam todos os feriados, eventos familiares e comemorações juntos, dão-se bem e podem dizer o que quiserem, visto que não estão juntos como casal, mas sim como amigos. Como é de esperar, ao longo do filme os sentimentos vão desenvolvendo-se, embora haja resistência das duas partes.

Amor Com Data Marcada falha em fugir aos clichés

Toda a gente conhece os clichés imperativos de um romance. Um rapaz conhece uma rapariga, não se dão bem ao início e não querem nada um com o outro, mas entre voltas e reviravoltas, acabam por ficar juntos.  Todavia este não é o único grande cliché das comédias românicas. Podemos acrescentar à lista o encontro aleatório das personagens, o aparecimento do ex-namorado como o antagonista que impede que a relação entre os dois se desenvolva, uma clássica discussão no meio do filme e ainda aquela criança sábia que dá uma lição aos adultos no final.

Um exemplo disso é a cena do Dia dos Namorados. Sloane não tem um ninguém com quem sair e decide comprar chocolates e ficar em casa. Porém, durante as compras, é surpreendida pelo ex-namorado e a sua companheira, “mais nova e mais bonita”. Por sorte, ou por mais um clichê, aparece Jackson que a salva de um momento embaraçoso.

É engraçado que, numa das cenas do filme, Sloane use a palavra “banal” para descrever todas as comédias românticas que existem, uma vez que, embora exista sempre algum problema para as pessoas não ficarem juntas, o público saiba que tudo acaba bem. Ora, esta cena parece dar o mote para que o filme fuja dos clichés mais básicos que existem, contudo, a produção falha redondamente. Ficamos com esperança que Amor Com Data Marcada seja diferente e pensamos no que o poderá diferenciar de todos os outros do género. Poderão eles não ficar juntos? Será que no meio disto tudo acabam por encontrar a sua verdadeira alma-gémea e ficam amigos? Infelizmente, pouco tempo depois, percebemos que o filme cai na mesma narrativa que o resto das comédias românticas.

Segue-se então um irritante jogo do gato e do rato entre as duas personagens principais. Ambos gostam um do outro, mas não assumem isso e passamos o filme todo à espera que aconteça algo entre eles. Jackson não tem intenções de arranjar uma namorada e Sloane tem medo de voltar a entrar numa relação e sair magoada. É por isso que, quando a tensão entre os dois começa a aumentar, eles afastam-se.

Um final previsível

Claro que faz parte de uma boa história criar algum drama e prender o espectador ao ecrã, mas quando se trata de um enredo usado e abusado por Hollywood, torna-se cansativo. Este tipo de histórias já não é original, basta analisar minimamente o conteúdo do filme para nos lembramos de inúmeros outros iguais. É o caso de Amigos Coloridos, Como Perder Um Homem Em 10 Dias ou qualquer outro protagonizado por Julia Roberts, que, se pensarmos bem, são todos mais do mesmo. Pode não ser uma coisa má, se quisermos assistir a um filme cujo fim adivinhamos nos primeiros minutos. Contudo, é triste que os argumentos para as comédias românticas estejam estagnados há anos.

O final, que também não poderia ser mais previsível, acaba da forma mais comum de todas: um grande gesto romântico. Quantas vezes já se viu o príncipe encantado vir a correr atrás da donzela, no meio do Central Park à chuva? Ou até mesmo aquela corrida até ao aeroporto para não deixar a nossa cara metade fugir? Já para não falar dos incríveis flashmobs, típicos do início do século, que se faziam para as pessoas se declararem. Amor Com Data Marcada não escapa muito a isso e vemos Sloane a fazer um discurso, em público, dizendo que está apaixonada por Jackson e que tem saudades dele.

Eu sei que as pessoas recorrem ao cinema como um escape da “vida real”, onde nem sempre as coisas acabam da melhor maneira, e por isso, quando vemos um romance, esperamos que ele tenha um final feliz. Sinceramente, eu acho que são os filmes mais realistas que estão a ganhar fama, e era mesmo isso que eu esperava em Amor Com Data Marcada — algo verdadeiro. Assim, o filme acaba ou com uma lágrima no canto do olho, ou com um enjoo de todo o “mel” que existe. Para mim foi um conjunto dos dois, já que, lamentavelmente, o final confirma o que já se sabia desde o início.

Amor Com Data Marcada
Emma Roberts e Luke Bracey interpretam Sloane e Jackson. (Divulgação/Netflix)

 

Elenco secundário é o mais cómico

Emma Roberts dá vida a Sloane, uma rapariga que acabou um relacionamento recentemente e que não está preparada para outro, apesar das tentativas da família de lhe arranjarem alguém. Roberts, mais conhecida pelos seus papéis em American Horror Story, é uma atriz conceituada e com uma carreira vasta, logo já sabíamos o que esperar. Dessa forma, a atriz não foge do que sempre fez, e que sabe fazer tão bem. É engraçada, porém todos os filmes em que participa seguem a mesma linha condutora, o que faz com que as suas personagens não sejam muitos diversificadas. Em Amor Com Data Marcada, Emma Roberts não desilude, mas também não surpreende.

Também Luke Bracey, que interpreta Jackson, tem uma prestação que não diz muito. Jackson é um homem que sai com várias raparigas, embora não se queira comprometer com ninguém. O ator é mais conhecido pelo filme Dei-te o Melhor de Mim, onde também assume um papel romântico. Agora, com mais anos de carreira, Bracey volta a entrar no universo dos filmes sentimentais. Infelizmente, Amor Com Data Marcada não lhe dá tanto espaço como à sua co-protagonista, o que faz com que o ator não consiga brilhar. Além disso, Luke Bracey não é alguém que se possa considerar propriamente engraçado e, por isso, as cenas de comédia não são grande coisa. Apesar de tudo, enquanto casal, as duas personagens funcionam bem, com uma química visível que faz com que os fãs torçam para que fiquem juntos.

Passamos agora ao elenco secundário, que realmente oferece a parte cómica ao filme. Destaca-se a atriz Kristin Chenoweth, a tia solteirona de Sloane, que todos os feriados traz um homem diferente para conhecer a família, introduzindo, assim, o conceito de “feripar”. Embora não seja uma personagem com muito tempo de ecrã, faz-nos rir sempre que aparece. Frances Fisher, que assume o papel de Elaine, a mãe de Sloane, merece também um lugar de relevância no filme. Constantemente a tentar juntar a filha com o vizinho e a criticá-la, Elaine é, de uma maneira subtil, a voz das cenas com mais piada do filme. Por fim, contamos com King Bash, cuja existência transpira humor. O elenco inclui ainda, entre outros, Jake Manley, Jessica Capshaw e Manish Dayal.

Amor Com Data Marcada
Kristin Chenoweth no papel de tia Susan (Divulgação/Netflix)

A parte romântica alia-se à comédia em Amor com Data Marcada. No entanto, as cenas que são efetivamente engraçadas, são de um humor fácil. Nota-se que não existiu um esforço por parte da produção para provocar o riso, limitando-se, assim, àquilo que “resulta”. Apesar disso, Amor Com Data Marcada é um filme leve, bom para passar o tempo e que irá agradar aos fãs das comédias românticas.

Amor com Data Marcada
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