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Fotografia: Solen Feyissa/Unsplash

Google atribui 7,7 milhões de euros a projetos de jornalismo em Portugal

O programa apoiou 32 projetos de jornalismo digital. Portugal é o sexto país que mais financiamento recebeu

O fundo Digital News Initiative (DNI), criado pela Google para potenciar a transição digital dos media na Europa, atribuiu perto de 7,8 milhões de euros a 32 projetos de jornalismo em Portugal entre 2015 e 2019, anunciou esta quinta-feira (29) a tecnológica.

O projeto, que decorreu ao longo dos últimos cinco anos, atribuiu ao todo cerca de 150 milhões de euros a 662 projetos digitais de notícias de 30 países europeus. Portugal é o sexto país que mais beneficiou da iniciativa, depois da Alemanha (21,5M), França (20,1M), Espanha (12,1M), Itália (11,5M) e Reino Unido (14,9M).

Seguindo a tendência geral de aplicação de fundos a nível europeu, quase metade (49%) dos projetos apresentados pelos media portugueses consistiam na exploração de novas tecnologias – na Europa o número sobre para 52% -, 24% para combate à desinformação, 15% para potenciar a divulgação de histórias e notícias locais e 12% para impulsionar receitas digitais.

Fundos dividem-se por vários tipos de projetos

A nível europeu, um quarto dos apoios da Google (27,2%) foram atribuídos a publishers de caráter nacional ou regional. As startups de notícias (14,5%) e agências noticiosas ou organizações sem fins lucrativos (14,2%) foram as que também mais receberam fundos, seguindo-se publishers estritamente locais (11%) e players unicamente online (10,4%). As quantias dividem-se ainda por instituições académicas, televisão, rádio, revistas e coletivos de publicação.

Os fundos da DNI contribuíram para a criação de ferramentas distintas de inovação – como um login único para portais noticiosos em Espanha, uma paywall inteligente em França ou uma app que personaliza conteúdos noticiosos na Suíça – e para potenciar a produção de conteúdo noticioso relevante – como uma plataforma de crowdfunding para a produção de investigação noticiosa na Irlanda ou o desenvolvimento de uma comunidade de notícias participativa com os cidadãos na Alemanha.

Fotografia: Unsplash

Em Portugal foram várias as entidades a receber financiamento. Entre elas constam os principais media portugueses, entre os quais o Público, a Impresa, a agência Lusa, a Cofina, a Impresa, o Diário de Notícias e a Global Media. Fazem ainda parte da lista o INESC TEC, a Universidade do Porto, a empresa jornalística Região de Leiria, entre outros.

Dos projetos financiados, a Google dá especial destaque ao caso do jornal digital Observador, que utilizou os fundos do DNI para alargar a sua atividade ao áudio e desenvolver um serviço de voz para conteúdos de rádio e podcasts. Além da criação da Rádio Observador, com abrangência nacional, tornou-se um dos maiores serviços de podcasts do país, ocupando 25% do mercado de áudio on-demand.

O relatório da DNI mostra ainda que os financiamentos atribuídos serviram para a criação de outras potencialidades pelos órgãos e entidades premiados em Portugal. A iniciativa financiou a Plataforma de Media Privados (PMP) – o Nónio, a plataforma tecnológica única criada pelos maiores grupos de comunicação que oferece conteúdos personalizados; a agência Lusa pôde criar uma hub de produção e circulação de notícias para e sobre outros países de língua portuguesa; o Jornal de Notícias investiu em conteúdo vídeo para a web; o Público desenvolveu o P24; o INESC TEC investiu em experiências de realidade aumentada com vídeos interativos em 360º. A lista completa de projetos criados pode ser consultada na plataforma da iniciativa.

O fundo Digital News Initiative, criado em 2015 e ativo até ao ano passado, permitia aos candidatos apresentar projetos até 1 milhão de euros, focados em resolver questões prementes do ecossistema noticioso. Além deste financiamento, a Google lançou há dois anos a Google News Initiative, que pretende investir 300 milhões de dólares para o desenvolvimento do jornalismo. A iniciativa anunciou também esta quinta-feira que já apoiou mais de 6250 parceiros em 118 países – 189 milhões investidos até ao momento -, dos quais 54,3 milhões estão a financiar organizações europeias.

Atualizado às 20h44 de 29 de outubro

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