Foto: Tarzan e Arab Nasser no Festival de Cinema de Veneza | Bienal de Veneza

Coprodução portuguesa ‘Gaza, mon amour’ escolhida para representar a Palestina nos Óscares

Filme de origem palestiniana foi parcialmente rodado no Algarve e já recebeu um prémio em Toronto

Narradora de uma história real de um pescador palestiniano que descobriu, em 2014, uma estátua do deus mitológico grego Apolo, nas águas que banham Gaza, a longa-metragem Gaza, mon amour é a candidata da Palestina a uma nomeação para o Óscar de melhor filme internacional.

O anúncio foi feito, esta sexta-feira, pela coprodutora portuguesa Pandora da Cunha Telles, responsável pela gravação parcial do filme palestiniano no Algarve, região onde se recriaram os portos marítimos de Gaza, e pelo inerente trabalho de tratamento de som, de caracterização e de mistura desses atos.

“Temos a ideia que de Gaza só vêm histórias de guerra, mas esta não. […] É um filme muito narrativo, uma história de amor, tem humor, embora estejam implícitos os problemas sociais do território e a relação com Israel”, caracterizou a cineasta Pandora da Cunha Telles, a obra assinada pelos realizadores e irmãos palestinianos Tarzan e Arab Nasser.

A submissão da nomeação da longa-metragem da Palestina para o Óscar de melhor filme internacional terá que ficar definida em 1 de dezembro, enquanto o prazo de elegibilidade dos filmes para os Óscares, estreados em salas norte-americanas, foi excecionalmente alargado até 28 de fevereiro de 2021.

A 92.ª edição da cerimónia que atribui as estatuetas mais importantes da indústria da sétima arte sofreu um adiamento para 25 de abril do próximo ano, motivado pela pandemia, que influenciou os processos de candidaturas, de votações e de nomeações do célebre evento cinematográfico.

A candidatura da Palestina à nomeação para o Óscar de melhor filme internacional, com Gaza, mon amour, tem o apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e também da RTPA estreia da película nas salas de cinema portuguesas está prevista para o primeiro trimestre do próximo ano.

“Comovente, poético…”

O filme Gaza, mon amour, protagonizado por Hiam Abbass e Salim Daw, estreou oficialmente no Festival Internacional de Cinema de Veneza, o mais antigo da indústria cinematográfica, e já foi premiado, em setembro, no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, no qual foi elogiado, conforme noticiou o Espalha-Factos.

A organização do TIFF informara que o painel de júri do evento canadiense selecionou Gaza, mon amour para vencer o prémio NETPAC pelo “comovente, instigante e poético conto de emoções não ditas retratando a vida diária de Gaza”.

Tarzan e Arab Nasser, a dupla de autores da longa-metragem palestiniana, rodada também em Portugal, nasceram em Gaza em 1988, ano em que já ocorria o conflito fragmentador do território palestiniano por força da ocupação parcial por Israel, que ainda perdura e que influenciou na criação da história e argumentação de Gaza, mon amour. 

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