Borat
Fonte: 20th Century Fox / Divulgação

‘Borat 2’: Sacha Baron Cohen expõe a “perigosa queda no autoritarismo”

O ator afirma que não foge à sátira política em 'Borat Subsequent Movie Film', com estreia marcada para esta sexta-feira (23) na Amazon Prime.

A estreia do segundo capítulo de Borat (2006) chega a passos largos, prometendo aos fãs uma nova aventura no estilo humorístico de Sacha Baron Cohen. O repórter mais famoso do Cazaquistão regressa aos Estados Unidos com Borat Subsequent Movie Film: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan, a estrear esta sexta-feira (23) na Amazon Prime Video.

Em entrevista ao New York Times, o comediante revela detalhes sobre o processo de filmagens, jornada que exigiu bastante de Cohen enquanto ator.

“A coisa mais difícil que tive de fazer foi quando vivi durante cinco dias numa casa em isolamento. Eu estava a acordar, tomar o pequeno-almoço, o almoço, o jantar, a ir dormir enquanto Borat, quando vivi nesta casa com dois teoristas da conspiração. Não podes ter um momento fora do personagem”, afirma.

Adaptar o cómico ao contemporâneo

Há muito por contar no que toca a episódios surpreendentes incluídos na longa-metragem. Desde a encomenda de um bolo com a frase popularizada por supremacistas brancos “Os judeus não nos vão substituir” a um Borat vestido de Donald Trump na Conservative Political Action Conference (CPAC), nada esteve fora de alcance para o ator.

“Acabei por me esconder na casa de banho, a ouvir homens conservadores a ir à sanita durante cinco horas até conseguir entrar na sala. Estávamos rodeados de serviços secretos, polícia e segurança interna.”, recorda Cohen relativamente às peripécias sob disfarce presidencial.

Ainda assim, a dúvida reside na durabilidade do humor controverso, preocupação que levou a um esforço redobrado para adaptar o comentário político. O objetivo está em “fazer as pessoas rir”, sem esquecer a “perigosa queda no autoritarismo”.

“Em 2005, precisávamos de uma personagem como o Borat que era um misógino, racista e antissemita para trazer ao de cima os preconceitos das pessoas. Agora esses preconceitos são evidentes. Os racistas têm orgulho em ser racistas. [Quando um presidente] é abertamente racista, abertamente fascista, autoriza o resto da sociedade a mudar o seu diálogo também”, conclui.

O final de outubro traz uma aguardada sátira, pronta a desafiar os espectadores, mesmo antes das presidenciais norte-americanas. Sacha Baron Cohen pode, também, ser visto na Netflix em Os 7 Chicago, uma das grandes novidades da plataforma para este mês.

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