Fotografia: HBO Europe

Crítica. “Beartown”: Uma história pesada, mas necessária

A série está disponível em todos os territórios da HBO Europe

Beartown estreou este domingo, 18 de outubro, na HBO. A minissérie, inspirada no livro homónimo de Fredrik Backman, conta com cinco episódios, dos quais dois já se encontram disponíveis nos territórios da HBO Europe. Nos Estados Unidos, a série tem estreia marcada para 2021.

Beartown conta a história de uma família acabada de se mudar para a sua cidade natal, no norte da Suécia. A mudança ocorre após o pai, um conhecido jogador de hóquei, aceitar o cargo de treinador da equipa local. Com a sua ajuda, a cidade assiste ao progresso da equipa júnior e a uma oportunidade na final do campeonato. No entanto, uma festa de celebração da vitória nas semifinais culmina num ato violento que vem colocar a cidade de pernas para o ar.

O drama sueco lida com temas pesados e já conhecidos dos espectadores, em que o desporto e a impunidade são os focos principais.

Beartown
Fotografia: HBO Portugal/Divulgação

Uma história pesada cheia de temas difíceis

Apesar de o primeiro episódio ser relativamente leve, não nos devemos deixar enganar: a série é feita de cenas intensas e que deixam o espectador num estranho desconforto. Tudo parece estar a correr bem para a família recém-chegada, até que, no final do segundo episódio, um crime violento é cometido.

Este acontecimento vem afetar todo o enredo, as relações entre as personagens e a posição do novo treinador da equipa júnior.

Este é, no entanto, um dos pontos negativos da série: o acontecimento que conduz a história surge no fim do segundo episódio, quase a meio da série. Esta escolha por parte da produção transmite a ideia de que tudo o que aconteceu anteriormente podia ter sido mais condensado, que a história demorou demasiado tempo a desenvolver-se. É possível argumentar que os dois primeiros episódios serviram como apresentação das personagens, mas numa série em que cada episódio tem praticamente uma hora, a demora parece um pouco exagerada.

Nem tudo são pontos negativos: as personagens são bem desenvolvidas, o que faz com que quem vê invista no seu futuro e preocupe-se com elas. Conhecemos Peter Andersson (Ulf Stenberg), um famoso jogador de hóquei que regressa a Beartown, com o objetivo de treinar a equipa local. Rapidamente, descobre que a equipa não está bem preparada e decide começar a treinar a equipa júnior, por considerar que esta terá maiores hipóteses de avançar no campeonato.  A sua filha, Maya (Miriam Ingrid), está matriculada na mesma escola que os jogadores frequentam e acaba por conhecer Kevin Erdahl (Oliver Dufåker), a estrela da equipa, que é seu vizinho e filho de Mats Erdahl (Tobias Zilliacus), antigo companheiro de equipa do seu pai. Entre crimes, acusações e rumores, a vida destas personagens vem alterar-se após uma vitória nas semi-finais.

Um enredo atual e importante

Beartown tem um enorme foco em adolescentes e nos problemas que estes atravessam. Amor não correspondido, pressão dos pais para ser bem-sucedido e vitórias desportivas têm uma grande presença no drama. Além disto, presenciamos dificuldades financeiras, famílias mono-parentais e coerção de jovens impressionáveis. Estes são os aspetos que tornam as personagens quase reais, com problemas reais e dificuldades em encontrar soluções. Ainda assim, conseguimos também observar as dificuldades que os adultos atravessam: arrependimentos, complicações no emprego, alcoolismo e mortes familiares enchem a trama, o que torna o argumento ainda mais pesado e complexo.

Beartown
Fotografia: HBO Europe

Cinematografia impressionante

Uma das partes mais impressionantes do drama é a cinematografia, em que a beleza das paisagens contrasta com o tema da história. Toda a série foi gravada no norte da Suécia, o que gera paisagens incríveis cobertas de neve e floresta. Estas paisagens acabam por contrastar também com as cenas gravadas durante a noite, num equilíbrio entre o preto e o branco.

Beartown
Fotografia: HBO Europe

Apesar de o catalisador principal ser algo bastante retratado em diferentes produções, é tão atual como sempre foi. A culpabilização da vítima, desconfiança da sua história e impunidade de quem comete o crime são temas bastante vistos, mas isso é apenas a imagem do que acontece na vida real, onde muitas vezes quem tem poder tem facilidade em livrar-se das consequências dos seus atos.

Na sua maioria, o drama sueco prende o espectador e, com as suas personagens envolventes e enredo autêntico, faz com que este aguarde ansiosamente o desfecho da trama.

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Beartown
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