pedro costa

Realizador Pedro Costa critica operação da Netflix em Portugal

O realizador Pedro Costa mostra-se preocupado com as operações da Netflix em Portugal. O cineasta deu uma entrevista à agência internacional de notícias EFE sobre a estreia do seu novo filme, Vitalina Varela, e aproveitou para criticar a atuação da gigante de streaming.

Segundo Pedro Costa, o país está a sofrer, “através de uma operação de crime organizado pela Netflix, desde Los Angeles“.  “De uma forma fiscal ‘gangsteriana’, com o consentimento dos partidos políticos e o beneplácito de quem vai lucrar, sem declarar impostos, a Netflix desembarcou em Portugal, tal como já o fez em Espanha“, lamenta.

Para o realizador, as plataformas de streaming representam o “horror” da uniformidade, ao invés da desejada diversidade que a “pequena” cultura permite.

Pedro Costa  é um dos elementos do movimento Pelo Cinema Português. A iniciativa critica a forma como Portugal vai transpor a diretiva europeia sobre serviços de comunicação audiovisual. A regulamentação incide sobre a atividade dos serviços de televisão e dos serviços audiovisuais a pedido, conhecidos como VOD (video on demand), como as plataformas de streaming.

O grupo escreveu uma carta aberta dirigida aos órgãos do poder, foi ouvido e conseguiu o adiamento da votação da proposta de lei 44/XIV que transpõe aquela norma de forma a permitir uma maior discussão dos seus termos. Este movimento conta com cerca de 900 profissionais, entre os quais os atore  Albano Jerónimo, Beatriz Batarda, Dalila Carmo e os realizadores João Botelho e João Salaviza.

Filme sobre “pessoas e em confinamento há muitos anos”

Vitalina Varela de Pedro Costa
Fonte: Facebook/Pedro Costa

Já sobre Vitalina Varela, o realizador afirma que vem dar voz e espaço a um grupo de pessoas esquecidas. “Vitalina e os seus irmãos e irmãs africanos ou sul-americanos estão em confinamento há muitos anos; agora todos nos queixamos de como é estranho e desconfortável estar confinado, mas não pensamos em milhões de pessoas que vivem confinadas em condições muito piores do que a nossa há muito“, esclareceu Pedro Costa.

O cineasta deslocou-se a Madrid e Barcelona para apresentar Vitalina Varela. A história centra-se na vida difícil da mulher cujo nome dá o título ao filme e que se estreia como atriz no grande ecrã. O realizador defende que o filme “é tão contido quanto Vitalina: dar essa demonstração de intimidade tão crua, não sei quem seria capaz disso ”.

Quanto à forma de fazer cinema, o realizador defende que os projetos devem ter o tempo necessário para estimular o pensamento dos espectadores. “A paciência é uma coisa perdida; transporta-me para os meus avós, para uma paisagem muito agradável, habitável, para as coisas naturais do olhar, da escuta. Da não urgência. Não acho que a urgência faça bem ao cinema. Para as nossas decisões, para o exercício da profissão e para a vida, é preferível a calma ”.

O filme de 2019 é a nona longa-metragem do realizador português e recebeu o Leopardo de Ouro para Melhor Filme e para Melhor Atriz, prémio máximo do Festival de Locarno do ano passado.

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