Guerra dos Tronos
Fotografia: Divulgação

Um ano depois, ainda gostamos de ‘Game of Thrones’?

Um ano e meio após o fim da história de Westeros, a série parece ter caído no esquecimento. Após a desilusão da temporada final, será que ainda gostamos de Game of Thrones?

Quando o mundo ainda não conhecia a série, As Crónicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, já passeavam nas estantes dos mais apaixonados pelos mundos fantásticos. Editado pela Bantam Spectra, o primeiro livro da coleção — A Game of Thrones — foi lançado em 1996, chegando a Portugal apenas vários anos mais tarde. Até à data, a saga já conta com cinco livros publicados e com dois com publicação futura, para concluir a história que apaixonou milhões de leitores e telespectadores. Em Portugal, a história de George R. R. Martin foi editada pela Saída de Emergência, em dez volumes, todos eles com grande sucesso. Porém, a escalada de Game of Thrones na montanha do sucesso começou mundialmente a 17 de abril de 2011, com a chegada da adaptação televisiva.

Protagonizada por Emilia Clark, Kit Harington, Lena Headey, Peter Dinklage e muitos outros, o universo de Westeros caminhou lentamente para o topo das séries mais vistas nos Estados Unidos e no mundo, enquanto a aclamação da crítica começava a chegar a cada episódio. Em menos de três anos, na terceira temporada, a história de Daenerys e dos outros soberanos num jogo de poder, tornou-se uma das séries mais comentadas do mundo inteiro, até se tornar a mais vista e com mais downloads ilegais. O fenómeno de Game of Thrones instalou-se e ninguém falava de outra coisa. Desde as personagens aos dragões, o universo de Westeros tornou-se um fenómeno da cultura pop e passou a fazer parte do epicentro da definição de televisão da década de 2010. Nada conseguia chegar perto do sucesso de Game of Thrones, que batia sucessivos recordes de audiência nos Estados Unidos — mesmo sendo exibida num canal por cabo — mas também em Portugal, onde nos chegava pelas mãos do SyFy. Ao longo de oito temporadas, a euforia de Game of Thrones nunca se esbateu, até terminar.

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Após sete temporadas aclamadas pela crítica, a oitava temporada da série começou com o pé direito, mas rapidamente se atrapalhou e destruiu o castelo de cartas construído ao longo de quase uma década. O episódio final de Game of Thrones, denominado The Iron Throne, conta com uma classificação de 4,0 estrelas no IMDb, a mais fraca de toda a série e uma das mais fracas de sempre no que a episódios finais diz respeito. O desfecho da saga de Gelo e Fogo foi tão anticlimático para grande parte dos fãs, que as críticas trovejaram nas redes sociais, chovendo comentários sobre o quão destrutiva tinha sido a conclusão encontrada para uma série que, de alguma forma, tinha moldado os últimos anos das produções televisivas. Um fenómeno da cultura pop acabava assim, sem brilho, sem brio e pronto a cair no esquecimento.

Numa altura de bingewatching, em que as séries são vistas de forma desenfreada e os episódios são consumidos rapidamente, o mundo de Game of Thrones parece ter sido guardado numa caixa em que foi escrito “Não vale a pena“. Hoje, ninguém fala de Game of Thrones. As menções nas redes sociais desapareceram, a permanência da inspiração do formato em eventos da cultura pop desvaneceu-se e os novos possíveis fãs, que ainda não conheciam o mundo dos dragões, perderam o interesse, saltando para outras séries que podem até não ser tão aclamadas no seu geral, mas que não terminaram em polémica e desilusão. A verdade é só uma: o final de Game of Thrones foi tão catastrófico que afetou toda a perceção do público sobre os 73 episódios.

Guerra dos Tronos
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É um facto raro, este. Existem várias séries que terminaram com episódios que não agradaram o público, como Dexter (que agora regressa com uma hipótese de se redimir) ou How I Met Your Mother, mas que em comparação com Game of Thrones, não deixaram de receber várias menções e novos fãs ao longo dos anos. O jogo dos tronos terminou sem glória e destruiu o legado que a série poderia deixar. Após o fim, o que sobre da Guerra dos Tronos? A resposta é simples e imediata: muito pouco.

Séries como Breaking Bad — cujo final é um dos mais aclamados da história da televisão — permanecem vivas nas nossas memórias e continuam a ser revisitadas por milhões de telespectadores, desde aqueles que agora as descobrem pela primeira vez, como aqueles que ficam com saudades das personagens, enredo e todo o universo. O sucesso da história de Walter White é tão marcante, que a produção conseguiu até ganhar um filme (El Camino) em 2019, também ele bem recebido pela crítica. Já Game of Thrones, embora tenha uma prequela em andamento, não tem o mesmo entusiasmo e o mediatismo à volta do regresso ao universo da série. É caso para dizer: Game Over.

Guerra dos Tronos
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O final encontrado para algumas das personagens, que George R. R. Martin confirmou que poderá ser semelhante ao desfecho dos livros, embora com algumas mudanças, não foi o único dos problemas. Habituados a dez episódios por ano, na sétima e na oitava temporada da série, Game of Thrones viu-se reduzida para sete e seis episódios, respetivamente. Ou seja, segundo a HBO, treze episódios eram suficientes para responder à necessidade de fechar o ciclo de Cersei, Daenerys ou Jon Snow. Porém, após uma sétima temporada já a pecar pelo ritmo apressado, a oitava temporada trocou as mudanças, acelerou e, em alta velocidade, não conseguiu evitar o embate. Apressado e com um ritmo desconhecido para os fãs da série, o final de Game of Thrones desiludiu e fez-nos querer esquecer que alguma vez vimos toda a série.

Um ano e meio depois, Game of Thrones continua a ser um dos melhores projetos já produzidas para a televisão, com episódios inesquecíveis, atuações brilhantes e desenvolvimentos fantásticos, aos olhos dos fãs. Porém, é também a prova de que as séries de televisão não sobrevivem se não agradarem os seus fiéis seguidores. Carice Van Houten, Melisandre na série, considerou “ingrata” a reação dos fãs ao final da série, mas ingratidão foi entregar um desfecho inglório a quem permitiu o sucesso de Game of Thrones. O público merecia mais.

Lê também: Podcast. ‘Game of Thrones’: O legado dos livros que mudaram a televisão

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