The Boys
Imagem: Amazon

Crítica. ‘The Boys’: uma vela que queima devagar

A segunda temporada é mais complexa, mais completa, e leva a série a um novo patamar.

The Boys é a joia da coroa da Amazon Prime. A segunda temporada já estava confirmada antes da primeira estrear. A série foi criada e co-produzida por Eric Kripke. Kripke escreveu todos os 17 episódios em conjunto com Garth Ennis e Darick Roberston. É inspirada na graphic-novel homónima, criada por Ennis e Roberston.

Ao início, pareceu uma aposta estranha: a adaptação live-action de uma graphic-novel pouco conhecida. No entanto, os ratings das duas primeiras temporadas esclareceram qualquer dúvida: The Boys é uma das melhores séries que está a ser produzida de momento.

O enredo centra-se num grupo de vigilantes, The Boys, que está numa cruzada, em conjunto com a C.I.A., contra a Voughtuma empresa de super-heróis, ou supes, como são chamados. A Vaught orienta uma equipa de sete heróis chamados Os Sete, ou simplesmente 7. 

gang é liderado por William ‘Billy’ Butcher (Karl Urban) e coordenado por Grace Mallary (Laila Robins). A estes dois juntam-se Frenchie (Tomer Capon), Mother’s Milk (Laz Alonso), Kimiko Myashiro (Karen Fukuhara), uma supe misteriosa que se recusa a falar, e o protagonista Hugh ‘Hughie’ Campbell (Jack Quaid). A série é também protagonizada pelo super-herói/ super-vilão da Vough, Homelander (Antony Starr) e Annie /Starlight (Erin Moriarty), que se junta ao grupo de vigilantes.

A série superou as expectativas estabelecidas depois do sucesso da primeira temporada: os ratings da Nielsen mostraram que The Boys fez concorrência às séries da Netflix, obteve elogios da crítica e dos fãs, e continua a crescer em popularidade no IMDb. O Espalha-Factos explica-te o que correu bem nesta segunda temporada, o que podia ter sido melhor, e o que esperar da já confirmada terceira temporada.

Um começo que estica as pontas soltas da primeira temporada

A primeira temporada teve um final caótico e o início da segunda recusa-se a atar as pontas soltas. O gang está de volta, mas parece ter desistido de expor a verdade sobre a Vought, e foca-se em caçar um super-terrorista, Kenji Myashiro, irmão de Kimiko.

No final da primeira temporada, percebemos as motivações de Butcher para caçar super-heróis: Homelander, a cara da Vaught e o homem poderoso do mundo, violou a sua esposa Becca Butcher (Shantel VanSanten), e matou-a. Contudo, descobrimos que Becca está viva e a criar o filho de Homelander, Ryan (Cameron Crovetti).

O primeiro episódio não nos dá o que queremos saber, e atiça cada vez mais a nossa curiosidade para continuarmos a ver a série. Em vez de nos entregar um confronto direto entre ButcherHomelander: separam-se as personagens, que lentamente voltam a caminhar uma para a outra.

No entanto, é também algo confuso: entramos num novo enredo. O objetivo de Butcher e do gang nunca foi caçar super-terroristas, mas sim super-heróis. Contudo, este fragmento de história é rapidamente desenvolvido, e acaba por inserir-se perfeitamente na história que os argumentistas querem contar.

O argumento da segunda temporada da série é uma vela que arde devagar, mas que deixa um aroma intenso. Todas as pontas soltas da temporada anterior são resolvidas, mas muito lentamente, e com muita mestria, como se os argumentistas fossem cirurgiões e o enredo estivesse numa sala de operações. A isto, une-se uma realização cuidada de cada episódio e prestações incríveis e convincentes de cada membro do elenco, principalmente da parte de Antony Starr, que domina qualquer cena em que é incluído. É um forte candidato a ser nomeado para um Emmy. 

A agenda política de The Boys

São adicionadas duas novas variantes à equação: a super-heroína Stormfront (Aya Cash) e Church of the Collective, que adota Deep (Chace Crawford) com a promessa de o meter a fazer parte dos 7. Deep foi expulso dos 7, depois de Annie ter exposto que foi sexualmente abusada por ele, quando entrou para a equipa. Consequentemente, Stormfront é a substituição, uma mulher relâmpago que aparece para completar  o novo slogan da VoughtAs miúdas tratam do assunto. 

Ao longo da temporada, percebemos que a Vought é uma organização Nazi e que Stormfront é uma super-herói centenária, antigamente apelidada de Liberty, e que foi responsável pelo assassinato de um homem negro. Enquanto Stormfront, destrói um casa habitada por uma família negra e mata o irmão de Kimiko. 

A série mantém uma agenda política aguçada. Não poupa críticas a grandes empresas por usarem feminismo liberal como marketing, ou o LGBT History Month. Por exemplo, quando Homelander revela numa entrevista que Queen Maeve (Dominique McElligott) é lésbica (embora a própria tenha esclarecido várias vezes que é bissexual), a Vought lança uma linha de produtos chamada Brave Maeve (Maeve Corajosa), com Pride Pizzas ou Pride Bars. 

Outro aspeto mencionado é a futilidade das redes sociais e dos programas de televisão dedicados a escavar a vida de figuras públicas. Deep é aconselhado a casar-se com uma mulher, mesmo que não a conheça, para ganhar pontos de popularidade; Stormfront tem uma assitente pessoal só para fazer memes e publicá-los no Reddit; Black Noir (Nathan Mitchell) não permite que ninguém saiba que é alérgico a frutos secos. O facto dos produtores não terem optado por um elenco de atores mundialmente conhecidos acaba por ajudar neste aspeto: não somos tentados a procurar pelas redes sociais dos atores, e misturá-los com as personagens, porque, para muitos, é a primeira vez que os estão a ver.

Estas críticas resultam, porque derivam do enredo, ou seja, não são exteriores a ele. As personagens que pertencem à Vaught são montadas com estes defeitos. Por exemplo, Ashley Barrett (Colby Minifie)responsável pela administração da Vought, é criada para funcionar como um estereótipo de um executivo da Marvel ou de uma influencer: vive em função de números de bilheteiras, de likes num post do Facebook, ou das tendências do Twitter.

O humor negro que caraterizou a primeira temporada da série também está presente e continua sublime. Tal como a mensagem social da série, não funciona como uma muleta, é inerente ao enredo e às suas personagens.

Homelander: o homem mais poderoso do mundo precisa de uma mãe

Nesta temporada, percebemos a compasso moral de Homelander. O super-herói é o produto de uma infância sem mãe, passada num laboratório, enquanto é testado pelo “pai” Jonah Vogelbaum (Joh Doman).

Isto explica a relação freudiana que tem com três mulheres diferentes: Madelyn Stillwell (Elisabeth Shue), Becca StormfrontHomelander inveja o filho bebé de Stilwell, chegando a roubar-lhe o leite materno. No entanto, tem relações sexuais com Stillwell.

Homelander é incapaz de respeitar Queen Maeve, porque nunca teve uma mãe que o ensinasse a respeitar as outras pessoas. Portanto, mata todos os homens que já tiveram avanços sexuais com a sua suposta “melhor amiga”, e expõe a relação de Maeve com Elena (Nicole Correia-Damude), para causar desgaste emocional.

Desde cedo que é adorado por ser o homem mais forte do mundo e tenta incutir os seus valores em Ryan, o seu filho. Porém, não consegue, pois Ryan foi criado por Becca. No entanto, não se atreve a tirar o filho à mãe, até começar um relacionamento com Stormfront, que promete nunca desistir dele e lhe revela que já foi mãe. Todas as peças do puzzle que é o cérebro de Homelander começam a encaixar-se.

A personagem de Antony Starr é a mais complexa da série e, aos poucos, o espectador começa a compreender e quase a desculpar as ações de Homelander. Contudo, a personagem acaba a temporada como começou, a achar que pode fazer tudo o que lhe apetece.

O que esperar da terceira temporada

O segundo capítulo da série encerra ao som de Only the Good Die Young, de Billy Joel, cantor favorito de Hughie. A escolha da música pode ser lida como um presságio para o destino da personagem de Jack Quaid. Hughie junta-se, sem saber, à nova vilã da série, Victoria Neuman (Claudia Doumit).

A terceira temporada terá de trazer de volta Robin (Jesse Salgueiro), uma supe desenvolvida num hospital psiquiátrico, às mãos de Stormfront.

Fica a questão de quem irá criar Ryan, depois deste ter morto, acidentalmente, a mãe. Será que a Vought ou Homelander tentarão roubar Ryan à C.I.A.? Será que Ryan vai crescer para se tornar em Homelander?  Foi oferecido um trabalho a Butcher, na Casa Branca, mas ele rejeitou. Será que vai ocupar o lugar de Becca na vida de Ryan?  Será que Butcher ainda tem um grupo, visto que Hughie se aliou a Victoria para “combater a Vought da maneira certa”, visto que Frenchie Kimiko abandonaram o quartel-general, e visto que Mother’s Milk voltou para casa para se reconciliar com a família?

Annie Queen Maeve continuam a pertence aos 7, mas durante quanto mais tempo é que irão esconder o lado negro de Homelander? O que é que nos falta saber sobre a infância de Homelander?

Se a primeira temporada teve um final pesado fisicamente, a segunda temporada acarreta um final pesado psicologicamente, devido ao futuro incerto das personagens e da questionabilidade das suas decisões e novas alianças.

Uma coisa é certo, The Boys é uma das melhores séries a ser produzidas e o futuro da Amazon Prime está assegurado, com a ajuda de Eric Kripke, Garth Ennis e Darick RoberstonTodos os olhos devem ser postos nestes heróis, que escreveram um argumento sublime, com uma mensagem importante, com humor negro q.b.

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Crítica. ‘The Boys’: uma vela que queima devagar
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