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Imagem: Divulgação Netflix

Crítica. Em ‘The Haunting of Bly Manor’, a realidade é o monstro mais temido

A segunda temporada de 'The Haunting of the Hill House' já está disponível na Netflix

The Haunting of Bly Manor é a mais recente série de terror da Netflix. A série, que estreia esta sexta-feira (9), é a sucessora da aclamada The Haunting of Hill House, ambas do produtor Mike Flanagan. Uma história dividida em nove episódios, que promete conquistar o coração dos amantes do género de terror.

A série é baseada na obra de Henry James, The Turn Of The Screw, de 1898. A história acompanha Danielle Clayton (Victoria Pedretti), uma jovem americana a viver em Londres. Dany, como é chamada, é contratada por Henry Wingrave (Henry Thomas) para cuidar dos seus dois sobrinhos, Flora e Miles. A jovem muda-se para a casa de campo da família, onde vivem as duas crianças. Na mansão, Dany tem como função cuidar e educar os irmãos que ficaram recentemente órfãos. Em Bly trabalham mais três funcionários, Hannah Grose (T’Nia Miller), a governanta, Owen (Rahul Kohli), o cozinheiro, e Jamie (Amélia Eve), a jardineira.

The Haunting of Bly Manor Netflix
Fotografia: Divulgação Netflix

O que parecia um trabalho normal, depressa se revela ser um pesadelo. A mansão Bly esconde muitos segredos, que são revelados ao longo da série. Cada personagem tem os seus fantasmas e amarguras pessoais, e tudo é explorado ao detalhe. Os segredos da família, dos funcionários e até mesmo da própria casa são retratados numa narrativa que não aborrece nem desilude.

Uma “confusão” necessária

Para quem viu a primeira temporada, os saltos temporais não serão nenhuma novidade. Toda a série é feita entre o passado e o presente. As voltas consecutivas ao passado esclarecem o espectador do porquê de algo estar a acontecer no presente sendo, portanto, uma parte importante da narrativa. Mas o que pode tornar tudo mais confuso, é a nova forma que Mike Flanagan arranjou de mostrar um pouco mais do íntimo dos personagens. Para além dos flashbacks, Flanagan faz com que os espectadores tenham acesso às memórias guardadas pelos personagens. É recorrente ver um personagem preso numa outra realidade, uma que já não existe mas que existiu em tempos – uma memória.

O uso deste recurso é ao princípio confuso, mas com o desenrolar da série vai ficando cada vez mais evidente quando estamos a ver uma memória ou uma cena a passar-se no presente. Um dos episódios em que este acesso às memórias mais acontece é o quinto episódio. As cenas saltam de uma para outra memória, voltando a repetir-se vezes sem conta, o que deixa o espectador confuso e sem entender o que está a acontecer. Mas toda esta confusão é necessária. Mike Flanagan confunde para que, quando a verdade for revelada, se transforme num momento de ainda maior clareza e choque. É uma série para ser vista com atenção e onde todos os pormenores contam, já ao estilo do franchising.

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Imagem: Divulgação Netflix

Um terror não muito assustador

O terror de The Haunting of Bly Manor é gracioso e de bom gosto. No entanto, o fator susto ficou, muitas vezes, de lado. Ao contrário da primeira temporada – The Haunting of The Hill House, adaptação da obra do mesmo nome de Shirley Jackson -, que foi capaz de nos fazer saltar do sofá várias vezes, esta temporada não recorreu tanto ao susto. O medo que se possa sentir ao ver a série advém da incerteza de se estar em constante suspense. O facto de percebermos que algo está errado mas de não conseguirmos desvendar logo o que é faz com que fiquemos com aquela sensação incómoda de que a qualquer momento algo pode acontecer. Apesar de existir uma cena ou outra em que realmente nos assustamos, o terror está na história em si e nas personagens que vagueiam por Bly Manor. As imagens das almas perdidas são suficientemente desconcertantes para ficarem gravadas na memória.

Mike Flanagan concentrou-se mais em nos relembrar da efemeridade do tempo do que em nos pregar sustos. O tempo e a rapidez com que este passa é provavelmente o mais arrepiante da série. Bly Manor ensina-nos como o tempo pode fazer com que uma alma se perca ou se encontre. E, mais ainda, como o tempo não para ou não volta atrás. São momentos, acontecimentos, ações que mudaram o curso da história de cada um dos personagens, momentos que não voltam e que são irremediáveis. A fragilidade do ser e o tempo que cada um de nós ainda tem é o mais assustador, sendo a realidade o maior trunfo da história.

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Imagem: Divulgação Netflix

Afinal, uma história de amor

Mais do que uma história de terror, The Haunting of Bly Manor é uma história de amor. Amores perdidos, esquecidos ou enlouquecidos que assombram mas que são também o combustível que dá força a cada uma das personagens, seja este sentimento em relação à família, a amigos ou romântico. A série conta-nos as histórias de amor que ficaram por contar, ou até mesmo por acontecer, e é aqui que o efémero entra novamente em cena, para nos relembrar do tempo que temos com quem nos é querido e como é tão fácil perdê-los. A reflexão que tantas vezes queremos deixar de lado mas que The Haunting nos obriga a fazer.

O espectador cria empatia por todas histórias contadas, e é exatamente por amor que compreende e sente tristeza por cada uma delas. Enquanto a temática da primeira temporada se prendia nos demónios de cada um, esta segunda temporada leva-nos a explorar um lado mais emocional e frágil, com uma narrativa que é, desta vez, romântica e trágica. The Haunting of Bly Manor acabar por nos ensinar sobre a vida – e a morte – e o que a faz valer a pena: o amor.

 

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