Marco Galinha
Fotografia: Divulgação

Marco Galinha: “África é o futuro da humanidade” e é onde a Global Media quer estar

O novo acionista do grupo de comunicação social pretende criar um projeto assente nos países de língua portuguesa

Marco Galinha, dono do grupo empresarial Bel, surgiu na passada semana como novo acionista do Global Media Group, assumindo uma quota de 10,5%, anteriormente detida pelo Novo Banco. Em entrevista ao jornal Público, o investidor assume que pretende reestruturar as publicações do grupo e apostar no mercado lusófono, com enfoque nos países africanos.

No que diz respeito às publicações detidas pelo grupo de media, o empresário tenciona manter o Jornal de Notícias como “um título local, muito forte no Norte, quase impenetrável no verdadeiro espírito do Norte“. Quanto ao Diário de Notícias, o plano é o de “passar a diário em papel novamente” – o que deixou de acontecer em 2018 -, com a intenção de “ser o grande jornal da região de Lisboa“. Já a publicação desportiva O Jogo, “vai ter a versão Porto e outra Lisboa“.

Para o empresário, “há mais futuro no jornalismo no mercado local, ser um jornal de proximidade local e não tanto os jornais nacionais“. “O nosso grande objectivo é ser mais proximidade local“, assume, pretendendo, assim, focar o Diário de Notícias na região de Lisboa.

Assumindo que o “mercado português é pequeno“, Marco Galinha pretende criar um projeto que “tem mais a ver com a lusofonia do que Portugal“. “O que queremos é um grupo que olhe para Angola com seriedade, de forma independente, para Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Moçambique, Guiné-Bissau. Brasil não. África é o futuro da humanidade, é onde nós queremos estar“, esclarece.

Para isso, afirma a ambição de “ter diariamente uma reportagem dos países de África“, frisando que “já há lá jornalistas, estudantes de jornalismo da Guiné, Moçambique, Angola, S. Tomé e Príncipe“. Tendo Portugal “um mercado que está em queda“, o empresário vê na lusofonia uma oportunidade de negócio. “Quero procurar parceiros em África, desenvolver projectos lá, com independência e credibilidade“, aponta.

Reestruturação assente na valorização dos jornalistas

O agora detentor de 10,5% do grupo de media assume que o “objectivo final é a maioria: o nosso negócio é de 51%“. Para isso, já está em vista a compra da “participação da Olivemedia (19,25%), e a da Grandes Notícias (10,5%)“, totalizando uma quota de 40,25%.

Para essa segunda fase [que envolve a obtenção da maioria de 51%] há um acordo entre os accionistas [KNJ e José Pedro Soeiro] para a nossa opção de compra, que está assegurada e sujeita a acordo de confidencialidade“, esclarece.

Quanto à visão financeira do grupo, o empresário tenciona “sair de prejuízos em seis meses“, salientando que “nada funciona a perder um milhão de euros por mês“. O seu plano de negócio implica “reduzir os gestores, reduzir os directores, reduzir a parte comercial“.

Isto vai voltar a ser um grupo de jornalistas e há muito poucos despedimentos de jornalistas. O plano que eu conheço não é de redução de jornalistas mas também é um plano de meritocracia“, afirma. Para a reestruturação do grupo, o investidor pretende desfazer-se de tudo o “que não é estratégico e não faz sentido“, como as participações na agência Lusa e na distribuidora VASP.

A entrada do empresário Marco Galinha na estrutura acionista da Global Media Group foi assinada na passada quarta-feira, 30 de setembro. O Novo Banco ficou ainda de comunicar o negócio ao mercado, dado que o anterior acionista é uma sociedade cotada.

O empresário passa, assim, a deter uma quota de 10,5% no grupo que detém títulos como Diário de NotíciasJornal de NotíciasO JogoAçoriano Oriental e a rádio TSF. Este não é o primeiro investimento do empresário na área dos media, detendo, desde 2018, uma participação na Mediafin, dona do Jornal Económico, atualmente de 10%.

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