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Kate Winslet: uma carreira que vai da tragédia de Shakespeare ao erotismo moderno

Kate Winslet completa 45 anos este domingo, dia 4 de outubro. Com um grande leque de personagens femininas fortes, a atriz britânica participou em filmes como Sensibilidade e Bom SensoFumo SagradoQuills – As Penas do DesejoTitanic Steve Jobs.

Kate Elizabeth Winslet nasceu em Reading, no condado inglês de Berkshire. Filha de dois atores de teatro (Roger Winslet e Sally Anne Bridges-Winslet) e neta de dirigentes do Reading Repertory Theatre (Oliver e Linda Bridges), começou cedo a talhar o caminho no mundo das artes cénicas: participou em anúncios televisivos, teve aulas de representação e chegou a participar em peças de teatro e mesmo em alguns sitcoms. Numa entrevista, a atriz chegou a afirmar: “Eu era uma criança rebelde, muito apaixonada e determinada. Se eu decidisse fazer algo, não havia como me impedir”.

Kate Winslet em Amizade Sem Limites
Kate Winslet é Juliet Hulme em Amizade Sem Limites (IMDb)

A primeira aparição de Kate Winslet na televisão foi aos 15 anos, na série britânica Dark Season. No entanto, a primeira grande oportunidade de Kate Winslet chegou em 1994, com Amizade Sem Limites. A artista chegou a revelar que quando leu o guião disse ao pai que tinha de conseguir o papel, ao que o pai respondeu: “Então vais conseguir”. E assim foi: Winslet ultrapassou 175 outras candidatas ao papel e acabou por vestir a pele Juliet Hulme no filme de Peter Jackson baseado na história real de duas raparigas apaixonadas pela fantasia que cometem um assassinato brutal.

Após o sucesso neste projeto, um crítico previu que Kate Winslet ficaria para sempre associada àquela personagem e que, por isso, nunca seria uma grande estrela. Contudo, pouco tempo depois a artista mostrou-lhe exatamente o contrário.

Ainda mal a fama de Amizade Sem Limites repousava, já a intérprete apresentava mais provas do talento que possui, com Sensibilidade e Bom Senso (1995), de Ang Lee. Mais uma vez, Winslet batalhou pelo papel que queria – uma vez que inicialmente lhe queriam dar apenas um papel pequeno como o de Lucy Steele -, impressionou a atriz principal, Emma Thompson, e voltou a derrotar mais de uma centena de outras aspirantes ao papel da fervorosa Marianne Dashwood. O esforço valeu-lhe um British Academy Award e uma nomeação a um Óscar na categoria de Melhor Atriz Secundária.

Kate Winslet em Sensibilidade e Bom Senso
Kate Winslet é Marianne Dashwood em Sensibilidade e Bom Senso (IMDb)

No mesmo ano, Winslet aceitou o papel de Princesa Sarah no filme da Disney Uma Viagem à Corte do Rei Artur. O filme foi considerado por muitos críticos e espectadores um fracasso, e a própria atriz chegou a dizer o mesmo. Para compensar, em 1996, atuou em dois filmes de época em que representa duas personagens de sucesso: a heroína Sue Bridehead, em Jude, e Ofélia, no filme de Hamlet de Kenneth Branagh.

O ano de 1997 chegou para Kate Winslet como uma bomba: a jovem aristocrata de bochechas rosadas, Rose DeWitt Bukater, no filme de James CameronTitanic, transportou a atriz para o estrelato internacional num abrir e fechar de olhos. Pela terceira vez na carreira, a artista teve de lutar pelo papel que desejada, uma vez que Cameron e a FOX estavam relutantes em atribuir-lho, por não ser conhecida o suficiente. Winslet mostrou a ambos que estavam errados e contribuiu para um filme que se tornou um fenómeno mundial e que lhe valeu uma nomeação ao Óscar de Melhor Atriz (Titanic venceu 11 Óscares). Winslet não levou para casa a estatueta, mas tornou-se numa das atrizes mais requisitadas num ápice.

Afogada pelo sucesso da produçaõ de James Cameron, a atriz começou a recusar propostas para grandes produções e passou a trabalhar em filmes britânicos independentes. Numa entrevista, chegou a mencionar teria sido “completamente idiota” tentar superar o sucesso de Titanic. Para além de explicar que adora a Inglaterra e nunca sentiu vontade de a deixar por motivo algum a artista explicou, numa outra entrevista: Prefiro fazer teatro e filmes britânicos a me mudar para Los Angeles na esperança de conseguir pequenos papéis em filmes americanos”.

Kate Winslet em Titanic
Kate Winslet é Rose DeWitt Bukater em Titanic (IMDb)

Mas não só fama e sucesso trouxe a participação em Titanic a Kate Winslet. A parceria com Leonardo DiCaprio gerou uma amizade que ainda dura até aos dias de hoje. De acordo com a Rolling Stone, o ator chegou a mencionar: “Ela [Winslet] é uma pessoa tão fantástica que a nossa química aconteceu naturalmente na tela. Nós apenas gostamos um do outro como pessoas”. Por sua vez, a atriz tanto trata o amigo por “velho e tonto Leo” como “amor da minha vida”.

Na rota dos filmes britânicos independentes, a atriz participou em Hideous Kinky (1998), onde conheceu o primeiro marido, Jim Threapleton, que trabalhava como assistente de direção. Durante o casamento, estrelou em Fumo Sagrado (1999) e Quills – As Penas do Desejo (2000). Em 2001, separou-se de Jim e, mais tarde no mesmo ano, anunciou o namoro com o diretor Sam Mendes, com o qual viria a casar em 2003 e do qual se divorciou em outubro de 2010.

Nos anos seguintes, Kate Winslet fez parte do elenco de filmes como Iris (2001), Enigma (2001), O Despertar da Mente (2003), À Procura da Terra do Nunca (2004), O Amor Não Tira Férias (2006), Pecados Íntimos (2006) e O Leitor (2008). Ao interpretar um ex-guarda de campo de concentração, no último, a atriz chegou à sua sexta nomeação aos Óscares, na categoria de Melhor Atriz, e acabou por vencer pela primeira vez.

Kate Winslet em O Leitor
Kate Winslet é Hanna Schmitz em O Leitor (IMDb)

Depois de um ano em cheio, Winslet afastou-se do grande ecrã. Regressou em 2011 e protagonizou filmes como O Deus da CarnificinaContágioMovie 43 (2013), Um Segredo do Passado (2013) e Nos Jardins do Rei(2014). Ainda em 2014, ganhou uma estrela na calçada da fama e, enquanto esperava o terceiro filho – Bear, fruto do casamento com Ned Rocknroll -, Kate Winslet estreou-se no papel de vilã, ao interpretar Jeanine Matthews, no filme Divergente. Numa entrevista, a artista chegou a admitir: “Eu não sou nenhuma idiota. A ideia de que eu nunca tinha interpretado uma vilã antes passou pela minha cabeça, eu era quase uma espécie de surpresa”.

Surpresa ou não, Winslet apenas esteve presente no set do filme de Neil Burger durante quatro semanas e, devido à gravidez, chegou a ter que ser filmada apenas acima da cintura e sempre a carregar arquivos, pastas ou iPads, para cobrir a barriga. Mesmo assim, logo cinco meses depois de dar à luz Bear, a atriz voltou ao trabalho, para filmar Insurgente (2015), o segundo filme da saga best-seller.

Kate Winslet em Steve Jobs
Kate Winslet é Joanna Hoffman em Steve Jobs (IMDb)

Em 2016, conquistou a sétima nomeação aos Óscares, na categoria de Melhor Atriz Secundária, graças ao papel de Joanna Hoffman, em Steve Jobs (2015). A partir daí, Kate Winslet manteve-se no ativo, com participação em filmes como Triplo 9 (2016), Beleza Colateral (2016), Roda Gigante (2017) e Blackbird (2019). Aguarda-se ainda pela estreia de mais dois filmes que contam com o nome da artista: Ammonite (2020) e Avatar 2 (2021).

Conhecida fora das câmaras pelas partidas engenhosas e pela grande devoção familiar, Kate Winslet é uma atriz que soube lutar por aquilo que desejava, sempre com os pés bem assentes na terra. Apesar de, a certo ponto, se ter afastado da fama e encontrado caminho no meio dos filmes independentes, é impossível dizer que o nome da artista não está marcado na memória dos espectadores e na história do cinema, pela determinação e garra com que agarra tudo o que faz. Celebra este domingo (4) 45 anos de vida.

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