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Há 50 anos, Janis Joplin entrava para o Clube dos 27

Há 50 anos, neste dia, falecia uma das maiores e mais promissores vozes do rock’n roll: Janis Joplin. Uma overdose de heroína e álcool marcou o trágico fim da “Rainha do Rock“, como era carinhosamente apelidada. Hoje, celebramos a sua vida e o legado musical gigantesco que deixou para trás.

Natural do Texas, nos Estados Unidos, Janis Joplin cresceu numa família extremamente religiosa e conservadora, que a privava de ouvir a música que realmente a estimulava, blues e rock ‘n’ roll. Foi só quando ingressou na Universidade, em Austin, que finalmente pôde explorar o seu lado artístico. A ansiedade e depressão, que a acompanhavam desde criança, não cessaram. No entanto, com esta nova fase da vida, Janis refugiou-se no álcool e num variado leque de drogas para conseguir ultrapassar os problemas de auto-estima que a assolavam.

Este novo modo de vida, apesar de altamente destrutivo, abriu as portas de um novo mundo à jovem Janis que, após desistir da faculdade, acabou por se mudar para São Francisco, começou a trabalhar como cantora num bar e a frequentar os mesmos espaços que vários poetas e músicos da beat generation (ou beatniks), que levavam uma vida boémia e eram agentes ativos na contracultura americana. Foi nesse meio que Janis viu uma oportunidade para ascender enquanto cantora e compositora e foi nessa altura que começou a gravar as suas primeiras canções.

Janis Joplin foi a terceira personalidade da música a integrar o famoso “Clube dos 27”, formado por músicos que partiram demasiado cedo devido a abuso de substâncias e suicídio. Brian Jones, dos The Rolling Stones, Jimi HendrixKurt Cobain Amy Winehouse são alguns dos músicos que também fazem parte deste grupo.

A ascensão à fama com Big Brother and the Holding Company

Após três conturbados anos em São Francisco, marcados por várias tentativas de reabilitação e recaídas, Janis regressou à sua terra natal onde, entre consultas e internamentos, gravou sete canções acústicas que viriam a ser re-editadas, em 1995, por James Gurley no disco This is Janis Joplin 1965.

A sua voz forte, com um forte travo de blues chamou a atenção de várias bandas. Uma delas foi Big Brother and the Holding Company, uma banda psicadélica natural de São Francisco, que acabou por convidar Janis para se juntar ao grupo enquanto vocalista. De volta à cidade da Califórnia e com uma nova banda, foi em 1967 que a artista viu a sua carreira dar o grande salto. A sua fama disparou sobretudo após a atuação no Monterey Pop Festival, um marco incontornável da contracultura americana, que marcou  o início do “Verão do Amor”. Após o concerto, Janis e os Big Brother acabaram por fechar contrato com a Columbia Records, uma das maiores editoras americanas.

A partir daí, não havia sinais de trégua na carreira de Janis, que concerto após concerto reunia mais fãs e seguidores da sua incrível voz. No entanto, o crescimento explosivo da banda veio causar ainda mais danos a uma frágil Janis, cuja saúde mental e física estava em declínio. O ciclo vicioso de consumo de drogas (já mais pesadas, como a heroína, que se tornou um dos maiores vícios da cantora), de reabilitação e recaídas prejudicaram relações amorosas e não só, pois a agressividade acabava por tomar de assalto a cantora em vários momentos, incluindo nos concertos.

A sua performance em Woodstock foi uma das várias que denunciaram o seu fraco estado de saúde. A enorme quantidade de pessoas que foi ao festival causou várias falhas de organização e, após 10 horas intermináveis de atraso, Janis finalmente subiu ao palco. A heroína tinha sido o seu refúgio antes da apresentação, algo que enfraqueceu o concerto. Mesmo assim, a sua performance em Woodstock ficou para a história com uma das mais poderosas atuações do festival.

1970: A recuperação, a recaída e a entrada no Clube dos 27

Em 1970, Janis decidiu fazer uma pausa na vida frenética que levava e viajou pelo Brasil. O objetivo era livrar-se do vício, relaxar e aproveitar o carnaval brasileiro. Lá conheceu David Niehaus, um beatnik pouco interessado em drogas e na vida pesada que a cantora vivia. A relação de ambos perdurou pacificamente durante os dois meses em que viajaram juntos pelo país.

De regresso aos Estados Unidos e com intenções de continuar a relação com David, Janis acabou por ter outra recaída que levou ao término da relação. Numa espiral depressiva e auto-destrutiva, a cantora continuava a apresentar-se ao vivo com uma nova banda, Full Tilt Boogie Band, e a manter a sua postura de figura pública ativa.

A 4 de outubro de 1970, as preocupações agudizaram-se após Janis não ter aparecido para a gravação da canção “Buried Alive in the Blues”, “Enterrada viva nos Blues” em português. Uma overdose de heroína potenciada pelo consumo de álcool acabou por tirar a vida à artista, pondo um ponto final abrupto na sua carreira em ascensão.

Ao entrar para o “Clube dos 27”, Janis deixou um gigante legado na música blues americana, com quatro álbuns editados, incluindo o póstumo Pearl, e vários discos das suas apresentações ao vivo. Para além dos feitos musicais, Janis Joplin deixou ainda uma miríade de pessoas que a adoravam e continuam a honrar não só a sua música mas a belíssima pessoa que revelou ser apesar de todas as suas idiossincrasias.

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