Curtas
Fonte: Curtas Vila do Conde

Curtas Vila do Conde 2020. Festival abriu com uma estreia nacional

Curtas Vila do Conde 2020 começou este sábado (3) com uma estreia nacionalCasa de Antiguidades foi exibido na cerimónia de abertura.

A 28.ª edição realiza-se até ao próximo domingo (11) e conta com 261 filmes provenientes de 42 países. Um número que não vai ficar só pela cidade de Vila do Conde, já que o Curtas este ano marca presença também no Porto, em Faro e em Lisboa. As exibições “além fronteiras” são dedicadas à Competição Nacional que este ano conta com 17 obras portuguesas.

Nuno Rodrigues, elemento da direção do festival, afirmou na cerimónia de abertura que o Curtas pela primeira vez assume “a missão de promover o cinema português”. O histórico do evento exije para Nuno Rodrigues “uma seleção de excelência” e a exibição em sala – a forma ideal de consumir Cinema.

No entanto, para quem preferir ficar em casa, o festival chega ao mundo do streaming. A plataforma digital do Curtas permite visionar uma grande parte do cartaz desta edição. Um total de 180 filmes podem ser adquiridos individualmente, ou através de um passe geral de 10 euros.

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A presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde Elisa Ferraz marcou presença na cerimónia de abertura, como habitual. A autarca admitiu que este momento “vive-se com alguma emoção”. Depois do “aterrador” mês de julho, o Curtas Vila do Conde teve de ser adiado para outubro, uma prova de “resiliência” que Elisa Ferraz quis destacar.

A vice-presidente do Instituto de Cinema e Audiovisual (ICA) Maria Mineiro também subiu ao palco para realçar que o Curtas é um “festival fundamental no panorama nacional e internacional”. Numa altura difícil para o Cinema, a representante do ICA louvou a capacidade de adaptação do evento – algo que todo o setor do audiovisual tem de fazer.

Entrada em falso

A cerimónia de abertura concluiu com a estreia nacional de Casa de Antiguidades. O filme brasileiro é a primeira longa-metragem de João Paulo Miranda Maria – artista cujo toda a filmografia marcou presença no Curtas. Selecionada para o Festival de Cannes 2020, até este ter sido cancelado, a obra pretende afirmar uma mensagem antirracismo.

Cristovam (Antônio Pitanga) é um idoso negro que emigrou do interior de Goiás para uma comunidade de austríacos no sul do Brasil em busca de melhores condições de vida. Um dia encontra, numa casa abandonada, uma série de objetos da sua região natal. As memórias do passado assaltam-no, deixando-o louco a ponto de ele se transformar num animal.

Se é evidente que o protagonista está deslocado no ambiente em que se insere, o filme falha em transmitir o seu tema mais amplo. Personagens superficiais, sem emoção, com linhas de diálogo sem lógica e uma falta de consistência nas suas ações impedem o espetador de conectar com uma narrativa sem muitos acontecimentos e de ritmo lento.

A cinematografia é a componente mais forte. Quer o enquadramento dos planos, quer a dinâmica dos movimentos de câmara e da iluminação do cenário são agradáveis à vista. Infelizmente, a qualidade técnica não tem grande conteúdo para dar à vida. A história não é propriamente complexa, mas perde-se em simbolismos que não resultam ou são abandonados pelo próprio filme.

Casa de Antiguidades é uma entrada em falso de João Paulo Miranda Maria no mundo das longa-metragens e um desfecho anticlimático para a sessão de abertura do Curtas Vila do Conde 2020. Mesmo assim, o festival ainda só agora é que começou e há muitos filmes, longos e curtos, para ver. Vamos a isso.

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