Curtas
Fonte: João Brites | Curtas Vila do Conde

Curtas 2020. Noite esgotada para celebrar a música portuguesa

O ponto alto do primeiro dia (3) do Curtas Vila do Conde 2020 foi a primeira sessão Stereo desta edição do festival. Dedicada aos documentários musicais, a sala um do Teatro Municipal de Vila do Conde esgotou (dentro da limitação de 50% exigida pelas orientações da DGS).

Dois documentários e um mockumentary – fusão entre o estilo documental e a ficção – encabeçaram a primeira grande exibição noturna do Curtas. Todos entre os 20 minutos e a meia-hora, os filmes celebraram aspetos distintos da música portuguesa.

O segundo capítulo de Implantação da Rapública, produção da Antena3Docs, abriu a sessão em estreia nacional. O episódio denominado Pintar o Hip-Hop contou a influência do graffiti no crescimento da cultura hip-hop em Portugal.

Pioneiros da arte de rua como NomenUberOdeith e o incontornável Vhils partilharam os seus testemunhos e a paixão que têm pelo graffiti. O documentário faz uma breve, mas eficaz, contextualização história do começo deste movimento e depois aborda vários dos seus conceitos base.

As peripécias à margem da lei proporcionam momentos divertidos e também provocam algumas reflexões sobre os limites artísticos. Os confrontos com a lei não desanimaram nenhum dos entrevistados que até hoje deixam as suas marcas – os tags – pelas ruas portuguesas.

Um mito nunca morre

A segunda curta desta sessão Stereo foi o seu ponto alto. A Vida Dura Muito Pouco aborda a carreira de uma lenda da noite portuense que foi redescoberta no início do século.

José Pinhal, um cantor de música popular portuguesa, pode não ser um nome familiar para o grande público, mas a sua obra deixou uma marca em muitos ouvintes. A narrativa do documentário explica as origens do artista e como a redescoberta de duas cassetes provocam um movimento de culto nas redes sociais.

Ao som de alguns dos êxitos do cantor, esta curta-metragem é tão caricata e divertida quanto o artista que pretende honrar. Por entre gargalhadas, há também espaço para honrar um homem que partiu demasiado cedo, mas que nunca morreu verdadeiramente. A música de José Pinhal continua nos corações dos fãs e nos espetáculos de tributo.

Para terminar a primeira noite do Curtas Vila do Conde 2020 tivemos o mockumentary Ricardo. Inspirado numa atuação dos Sensible Soccers no festival Paredes de Coura, em 2014, este filme é feito por um fã para os fãs da banda.

O conjunto vilacondense foi recebido calorosamente pelo público presente. A curta é um ensaio experimental que segue a vida ficcional de Ricardo Bueno, o ator com um passo de dança que deixou marca.

Muito improviso, muita comédia e um respeito enorme pelo dançarino e a banda que lhe deu palco. A atuação de Sofrendo Por Você acompanha o artista em crise criativa que se reencontra através do passado e da música.

A sessão Stereo mereceu cada bilhete comprado. Cerca de uma hora de homenagem às histórias dos homens por trás da música portuguesa. De diversas áreas e géneros, sempre com um fator em comum: a paixão pela música.

O sucesso levou a que o festival anunciasse um dia extra para esta exibição. Dia 11 de julho, no último dia do Curtas 2020, esta sessão volta a repetir-se, às 16h, na Sala 2 do Teatro Municipal de Vila do Conde.

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