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Fotografia: Jonathan Velasquez/Unsplash

O futuro dos podcasts: “Falta um sistema de monetização como o YouTube tem”

Esta quarta-feira (30) foi assinalado o Dia Internacional do Podcast. Ruben Martins, jornalista do Público e investigador do Iscte na área dos Media, considera que em Portugal os podcasts têm “um mercado pequeno” e que ainda não chegou à profissionalização porque “falta um sistema de monetização como o YouTube tem para o vídeo“.

Em declarações ao podcast Fita Isoladora, do Espalha-Factos, aponta a falta de rentabilização do formato como um dos maiores obstáculos ao seu crescimento. “Hoje em dia quer tu tenhas um milhão de visualizações ou tu tenhas mil, não vais fazer mais dinheiro por isso, a não ser que tenhas contratos de publicidade associados. E isso leva a que os produtores não tenham muito tempo para gastar e para produzir um conteúdo com o qual sabem que não irão fazer dinheiro“, explica.

Essa é, no seu entender, também uma limitação à qualidade dos conteúdos. “A partir do momento em que os conteúdos não dão dinheiro, os produtores também não investem em produzir coisas com mais qualidade, com maiores equipas, com mais sonoplastia, com guiões e tudo mais, como vemos lá fora nos podcasts de sucesso, que são podcasts com grandes equipas a trabalhar. Cá não tens nada disso, porque não tens um mercado profissional, não tens produtores a fazer coisas profissionais e isso acaba por ser um ciclo vicioso“, conclui.

Podcast é “espaço de liberdade” para figuras públicas

Dos 15 podcasts mais ouvidos em Portugal de acordo com o ranking da Apple Podcasts, oito são conteúdos transmitidos na televisão ou na rádio que também são editados neste formato, como O Homem que Mordeu o Cão, Tubo de Ensaio ou Governo Sombra.

Nos outros sete contam-se formatos internacionais, mas também ask.tm, de Pedro Teixeira da Mota, Maluco Beleza, de Rui Unas, e Janela Aberta, de Miguel Luz. Figuras públicas que utilizam o podcast como complemento à sua exposição nos meios tradicionais.

Começas a ter marcas de media a produzir conteúdos e também, já há alguns anos, as figuras públicas, que encontram num podcast um espaço de liberdade. Numa primeira fase foram muitos os humoristas que passaram a ter podcasts, porque eles estão nas rádios, mas aí têm limitações de tempo, na forma como falam… não podem dizer asneiras, têm de se dirigir ao público daquela rádio… e num podcast não há esses limites, pelo menos até agora. Não há conteúdos eliminados, não há conteúdos barrados.“, aponta Ruben Martins.

Podes ouvir a conversa completa no episódio lançado este sábado (3), que fala ainda do final do programa de debate Prós e Contras e do que é desejável num formato deste género na televisão pública, e ainda de Depois do Crime, a série documental de true crime criada pela jornalista Rita Marrafa de Carvalho, que também marca presença no episódio.

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