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Fotografia: Divulgação

Crítica. ‘#AnneFrank – Vidas Paralelas’ mostra o que nunca deve ser esquecido

#AnneFrank – Vidas Paralelas estreou no dia 24 de setembro, nos cinemas, e é um poderoso documentário que revive a história de Anne Frank através das páginas do diário que escreveu durante o tempo em que esteve escondida.

Narrado pela voz da atriz Helen Mirren e com testemunhos de cinco mulheres que sobreviveram ao Holocausto, durante 95 minutos, a leitura de passagens do diário de Anne é complementada com as experiências dos sobreviventes que nos contam a sua história.

A melhor amiga de Anne Frank

Entre os vários campos de concentração situados na Polónia, Auschwitz tornou-se no lugar onde mais de um milhão de judeus morrerem às mãos dos nazis. O horror do Holocausto ficará para sempre marcado na nossa História, assim como o nome de Anne Frank.

Aos 15 anos, e apenas alguns dias antes do campo de concentração ser libertado, Anne foi vítima da epidemia de tifo que assolou Bergen-Belsen, mas o seu nome ficou imortalizado quando o diário que escreveu enquanto estava escondida foi descoberto.

O diário chamava-se Kitty e Anne via-o como uma melhor amiga a quem contava todos os seus sonhos e esperanças. Publicado em 1947, O Diário de Anne Frank está repleto de testemunhos que relatam em primeira pessoa as alegrias, ambições, medos e frustrações da jovem, e mostra a capacidade que Anne teve de usar estas páginas para canalizar a sua energia e lutar contra a escuridão que engoliu o esconderijo durante dois anos.

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Páginas do diário de Anne Frank | Fotografia: Divulgação

A prova de que este não é só mais um documentário sobre o holocausto

Realizado por Sabina Fedeli e Anna Migotto, este documentário é a homenagem perfeita à vida e ao legado de Anne Frank, assim como aos sobreviventes que escaparam às consequências do regime de Hitler.

A incrível narração da atriz Helen Mirren entrelaça as páginas históricas do diário com a vida de cinco sobreviventes: Arianna Szörenyi, Sarah Lichtsztejn-Montard, Helga Weiss e as irmãs Andra e Tatiana Bucci, que têm aproximadamente a mesma idade que Anne Frank teria se estivesse viva: 91 anos.

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Sarah sentia-se reconfortada quando cantava músicas da Edith Piaf. Anne Frank estava na cela ao lado da sua e Sarah descreve-a como estando já muito magra e frágil | Fotografia: Divulgação.

Intercaladas com depoimentos dos filhos e netos, que descreveram como a experiência das mães e avós os afetou, temos a partilha dos traumas vividos pelas sobreviventes, que admitem ter deixado uma parte de si naquele campo. Contamos ainda com o contributo de historiadores, psicólogos, jornalistas e fotógrafos responsáveis pela casa de Anne Frank e que nos ajudam a reconstituir todo o cenário.

Para além de todas estas contribuições, o foco principal do filme está a cargo de Helen Mirren, que assume o papel de contadora de histórias e interpreta Anne Frank como uma personagem, diretamente do quarto onde Anne originalmente escreveu estes relatos, tudo filmado em planos fechados e sob uma luz aconchegante.

Helen Mirren em #annefrank vidas paralelas
Helen Mirren no quarto de Anne Frank | Fotografia: Divulgação

O elemento crucial do filme prende-se com a ligação entre essa época e as novas gerações. Katerina é uma jovem com a mesma idade que Anne tinha quando morreu, que vai visitando os lugares por onde a jovem passou e que marcaram o horror nazi e o sofrimento dos judeus.

A viagem parte da necessidade que Katerina tem em entender a história da jovem judia, visto que desenvolveu uma ligação com Anne e um grande interesse pela época trágica. Enquanto segue os mesmos caminhos de Anne Frank, Katerina regista todos os passos através de publicações nas redes sociais e em que, de forma retórica, questiona Anne Frank sobre os horrores que viveu.

O diário de Anne Frank é, então, o instrumento de conhecimento ideal para passar de geração em geração e dar a conhecer às camadas mais jovens a tragédia que não pode cair em esquecimento. Assim, esta necessidade de empatia pela história de Anne e o alerta para questões que possam ameaçar a nossa geração é a base de #AnneFrank – Vidas Paralelas.

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Katerina a visitar a campa de Anne Frank e da irmã Margot | Fotografia: Divulgação

É imperativo que esta memória permaneça viva no futuro

Assim que Katerina visita os lugares necessários para perceber a monstruosidade que foi o Holocausto, eis que chega ao quarto de Anne. “Elas [as cinco sobreviventes entrevistadas] passam o testemunho para as novas gerações”, diz Helen enquanto Katerina entra no cubículo.

A imagem da jovem no quarto de Anne é a cena final do documentário. Este detalhe é quase um pedido para que não nos prendamos a esta história apenas com o sentimento de pena mas sim que perpetuemos o legado daqueles que, um dia, vão partir e deixar para trás testemunhos que merecem ser relembrados.

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Katerina a publicar uma das muitas fotografias que tirou na jornada pelos caminhos que Anne Frank percorreu Fotografia: Divulgação

O paralelismo entre o Holocausto e as questões com que a nossa geração se vê obrigada a lidar, como o racismo, as desigualdades sociais ou as dificuldades enfrentadas por crianças e jovens refugiados que se veem, desde cedo, obrigadas a lutar pela sobrevivência, servem para nos alertar que, apesar de terem passado 75 anos desde o final do regime nazi, ainda lidamos com algumas das suas consequências.

Este documentário pretende consciencializar os jovens para a responsabilidade de preservar a memória do Holocausto, já que algumas ações do ser humano ainda são uma ameaça para a humanidade e cabe-nos a nós impedir que escalem para algo de maior dimensão.

#AnneFrank – Vidas Paralelas não é um documentário somente sobre o Holocausto, o nazismo ou Anne Frank. É, acima de tudo, sobre importância de resistência a injustiças, sobre responsabilidade social e a perspetiva de um futuro justo.

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