Catarina Vasconcelos
Fotografia: Berlinale

‘Metamorfose dos Pássaros’ de Catarina Vasconcelos premiado no festival de San Sebastián

O filme A Metamorfose dos Pássaros, de Catarina Vasconcelos, recebeu este sábado (26) o prémio Zabaltegi — Tabakalera no Festival de Cinema de San Sebastián. Ao aceitar o prémio, a cineasta portuguesa afirmou que “é uma grande honra para mim receber este prémio. É extraordinário. Muito obrigado, San Sebastián. Sinto um enorme orgulho por estar aqui”.

Desde a estreia mundial no festival de Berlim, em fevereiro, onde conquistou o Prémio da Crítica Internacional, o filme tem vindo a receber diversas menções honrosas. Ganhou o prémio de Melhor Filme no Festival de Vílnius, na Lituânia; o Prémio Especial do Júri no Festival de Taipei, em Taiwan; e o Prémio de Melhor Filme no Festival Dokufest, no Kosovo. Em Portugal, o filme foi distinguido no IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema de Lisboa, com o prémio de Melhor Realização e de Melhor Longa-Metragem.

Nesta secção do Festival de Cinema de San Sebastián estavam também selecionados a curta-metragem Noite Perpétua, de Pedro Peralta – sobre a ditadura e a repressão no regime franquista espanhol – e a longa-metragem Simon Chama, a primeira obra da portuguesa Marta Ribeiro.

O filme demorou seis anos a ser produzido

A cineasta portuguesa demorou seis anos na conceção do filme. Antes disso apenas tinha produzido uma curta-metragem Metáfora ou a Tristeza Virada do Avesso (2013), em contexto académico, em Londres. A primeira obra da artista interliga-se com o filme agora premiado nas temáticas e noutros aspetos formais.

Sobre este filme, Catarina Vasconcelos fala de “um processo altamente íntimo e pessoal”, explicitado na conjugação da montagem de som e imagem. A realizadora filmou a família em ambos os documentários, abordando questões como a relação dos pais e a morte da mãe – na curta-metragem – e a história de amor dos avós e a morte da avó paterna que nunca chegou a conhecer – na longa-metragem.

Em entrevista à agência Lusa, conta que “queria que [o filme] fosse sobre esta família, mas que pudesse falar com outras pessoas. […] O tempo que ele demora é quase o tempo que eu demoro a conseguir sair de mim para chegar aos outros. Consegui libertar-me da minha família e do medo de inventar sobre eles, para poder inventar à vontade. Isso foi muito importante“.

Catarina Vasconcelos apresenta A Metamorfose dos Pássaros como um ‘documentário-ficção’. Um filme “híbrido de formas”, baseado nas memórias de infância e juventude da família e complementado por momentos de ficção.

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