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Benjamim por Vera Marmelo

À Escuta. Benjamim, Noiserv e Slow J preenchem a semana

A semana que passou revelou-se fortíssima no âmbito de lançamentos musicais à volta de todo o globo e Portugal não foi exceção. O dia 25 foi especialmente potente, com um lançamento triplo: Benjamim e Noiserv abrem a porta a dois novos discos, Vias de Extinção Uma Palavra Começada por N, respectivamente, e Slow J lança um novo single onde mostra que não tem “Nada a Esconder”. Para além deste poderoso trio, constam ainda na lista dos lançamentos nacionais nomes como Bárbara Tinoco, Os Quatro e Meia, Chico da Tina Sara Correia, Chameleon Collective, Virgul, Picas e degelo.

Internacionalmente, as bombas esta semana também não pararam de chegar. Foi uma semana de fortes emoções – abanámos a cabeça ao som de Ultra Mono, de IDLES, sentimos o aconchego do outono com Fleet Foxes em Shore e também já chorámos com The Ascension, o novo de Sufjan Stevens.

Benjamim regressa com o novo disco Vias de Extinção

O regresso de Benjamim é marcado pela edição do disco Vias de Extinção, onde o músico e produtor troca a guitarra acústica pelas teclas e sintetizadores. O músico revelou, em entrevista à Rádio Comercial, que o seu grande companheiro no percurso da gravação deste novo disco foi o seu Roland Jupiter 6, sintetizador dos anos 1980 que Benjamim caracteriza como “um instrumento muito expressivo”, cujos sons acabaram por servir de base muitas das canções de Vias de Extinção.

Todo o processo de gravação do disco foi feito de modo analógico, como já é habitual com o músico, que o descreve como sendo um álbum “muito pessoal”, que nos mostra um Benjamim que “vive atormentado com o presente e com o futuro”. Gravado no Submarino, estúdio caseiro onde o produtor trabalha as suas canções (e de vários outros músicos que cruzam o seu caminho), *Vias de Extinção* é um projeto que está há muito para ver a luz do dia. A pandemia veio atrasar o polimento final, mas o disco está finalmente cá fora para escuta. A apresentação ao vivo terá lugar no Teatro Maria Matos (Lisboa) no dia 6 de outubro, na Casa da Música (Porto) a 29 de outubro. No dia 6 de novembro Benjamim tem encontro marcado no Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra).

A odisseia de Noiserv culmina em Uma Palavra Começada Por N 

Nos últimos meses, Noiserv foi apresentando, a cada última sexta-feira do mês, uma nova canção de Uma Palavra Começada Por N. “Sempre rente ao chão” foi a última canção a ser revelada antes do culminar desta odisseia, e o vídeo-clipe mostra exatamente a junção final do disco completo – Noiserv passa pelos vários cenários e personagens que acompanharam visualmente cada tema, atribuindo uma canção a cada um.

A componente visual foi parte fulcral do desvendar deste novo álbum, sendo que cada canção veio acompanhada de um teledisco. Para isto, Noiserv contou com a Casota Collective, um coletivo artístico multidisciplinar fundado pela banda leiriense First Breath After Coma, que participou na realização e pós-produção de cada um dos vídeos.

Conhecido por usar objetos inusitados como instrumentos e de recorrer a pedais de loops para os unir em palco, Noiserv prepara-se agora para transpor as canções para um registo ao vivo. A digressão de apresentação de Uma palavra começada por N passará por Fafe a 26 de setembro, Castelo Branco a 2 de outubro, Ponte de Lima a dia 3, Piodão a dia 4 e Marinha Grande no dia 10.

Nada a Esconder” é o novo single de Slow J

Sensivelmente um ano depois da edição de You Are Forgiven, largamente considerado um dos melhores discos portugueses de 2019, Slow J regressa com um novo single, “Nada a Esconder“. Acompanhada por um vídeo-clipe realizado por Fiti, a canção abre uma pequena fresta à vida pessoal do rapper. A guitarra portuguesa que se pode ouvir numa das camadas é tocada por Nuno Cacho e a guitarra por Francisco Dale.

Já é o terceiro single que o músico nos apresenta desde o seu longa-duração: as sucessoras a “Nada a esconder” foram as canções “2020”, com produção de Charlie Beats, com quem Slow J volta a colaborar no novo single, e “bem vindo a casa”. O músico setubalense, que venceu a categoria de Melhor Artista Masculino nos Prémios PLAY, conta ainda com Danny G na produção desta nova música.

Novo disco d’Os Quatro e Meia, O Tempo Vai Esperar

Os Quatro e Meia regressam três após o seu primeiro disco, Pontos nos Is, com a edição de O Tempo Vai Esperar. O disco foi apresentado em primeira mão antes mesmo da edição do disco num concerto no Convento de São Francisco, em Coimbra, onde a banda se formou. A partir de casa, mais de 5000 mil pessoas assistiram ao espetáculo via streaming. Com data de lançamento marcada para abril, mas por conta da pandemia acabou por “ficar na gaveta” por mais seis meses.

Produzido por João SóO Tempo Vai Esperar conta também com participações de Tatanka na canção “Se Eu Pudesse Voltar” – que já estava incluída no disco anterior mas que mereceu agora uma versão com o vocalista dos Black Mamba – e do icónico Carlão, que participa em “Bom Rapaz”. Em entrevista ao Espalha-Factos, Os Quatro e Meia explicaram que a participação do rapper surgiu como uma brincadeira: “por brincadeira, acabámos por comentar entre nós que fazia sentido uma música com o Carlão. Quando chegámos realmente ao estúdio e estávamos já no processo de gravação, falámos com o João Só [que produziu o álbum] e ele entrou em contacto com o Carlão”.

Bárbara Tinoco surpreende com “Outras Línguas”

Outras Línguas” é o single de Bárbara Tinoco que ninguém estava à espera de ouvir esta semana. No seu perfil de Instagram, a jovem cantora revelou: “Ser artista independente às vezes tem destas coisas! Eu não sabia que ia lançar uma música hoje mas ela decidiu ter vida própria e lançou-se sozinha”. Na mesma publicação, a compositora deixou entrever a possibilidade de um novo disco a lançar em novembro que, para já, “é “segredo””.

No novo single, Bárbara Tinoco narra uma relação que já não funciona, onde o casal já não fala a mesma língua. A melodia otimista contrasta com a letra “romântico-deprimente”, adjetivo que a própria cantora usa para descrever as suas canções.

Em Do Coração, Sara Correia abre-se a novas influências

Do Coração é o segundo disco da fadista Sara Correia. Conta com letras de músicos como Jorge Cruz, Carolina Deslandes, Joana Espadinha, Luísa Sobral e António Zambujo, com quem gravou um dueto. A cantora confessa que o percurso que passou a pensar e a completar este disco foi também um de se abrir mais para a música e para novas influências além do fado tradicional.  “Sou portuguesa a cantar e o fado é a minha condição. Neste disco abri portas a outras influências e a músicos admiro muito. Quis arriscar, mas continua com o balanço do primeiro disco“, contou à Agência Lusa.

Para fadista, este segundo disco baseia-se muito sobre o amor, em todas as formas que pode adquirir e as várias formas de se ser amado.

Chico da Tina edita “Ronaldo”

Ronaldo” é o novo single de antevisão de E Agora Como é Que é, novo álbum de Chico da Tina ainda sem data para estrear. A canção narra o percurso do “trapstar minhoto” que viu a sua fama a crescer da noite para o dia: “Que tive falido eu nunca neguei / Mas as dívidas de ontem hoje eu saldei“.

Produzida por Bejaflor Co$tanza, a música faz uso de autotune e de beats mais lentos e emotivos que contrastam com a ligeireza e fugacidade do single antecessor, “Resort“, também a ser inserido no novo disco.

Chameleon Collective prestam homenagem à música da costa oeste americana dos anos 1970 em The LA Sound is Back – 1979

Formado pelo trio anglo-português composto por Jonathan Miller (músico e produtor inglês com fortes ligações musicais em Portugal), Jed Allen (teclista em várias bandas britânicas), e Maria Leon, os Chameleon Collective lançam o seu disco de estreia The LA Sound is Back – 1979, uma homenagem à música produzida na Costa Oeste americana nos anos 1970. De entre as várias influências, destacam-se bandas como Fleetwood Mac, Steely Dan e Sergio Mendes.

Produzido entre o Reino Unido e Portugal, o disco é editado em território nacional pela Sony Music Portugal. Algumas canções já tinham sido composta nos anos 1990, como foi o caso de “Snowball“, que Miller e Leon compuseram “no estúdio de gravação 1 Só Céu, em Cascais,  numa noite já tardia de intenso trabalho“. Para além de homenagear os vários músicos que marcaram os anos ’70, o trio pretende ainda cantar sobre “uma reveladora história romântica de amor desvanecido“.

Dividir Amor” é o novo single de Virgul

Dividir Amor” é o mais recente single de Virgul, onde o cantor e compositor reflete sobre os esforços e complexidades entre pais que seguem caminhos separados e o amor que fica para sempre – o dos filhos. A canção tem letra de Virgul, a dupla pop D’Alva, formada por Alex D’Alva Teixeira e Ben Monteiro

A canção vem acompanhada por um vídeo-clipe que tem como protagonistas os bailarinos Ana Moreno e Guilherme Leal  e realização da LxxL. Juntamente com “Difícil Demais” e “Cada Um No Seu Lugar“, “Dividir Amor” deverá estar inserida no novo disco, ainda sem título conhecido, a editar em breve.

degelo apresenta novo single intitulado “Apologia”

4 versos. Muitas samples. Guitarra e bateria“: é assim que o novo single de degelo é apresentado no comunicado à imprensa. Em “Apologia”, o músico e compositor Pedro Ruela Braga procura um novo olhar sobre as suas ideias ao recorrer a uma sonoridade electrónica, sendo esta canção a música “mais integrada no género post-rock entre os quatro temas que compõem o EP“.

Apologia” é o segundo single de antevisão do novo EP, cujo nome ainda não conhecemos. As letras são compostas por Pedro Ruela Braga, que contou com Pedro Simões, parte integrante da banda Escumalha, e Iuri Landolt.

Serenô é o disco de estreia de Picas

Duas semanas após estreia do single de apresentação, “Amor Tropical”, Picas retorna com o trabalho completo – Serenô é um EP de quatro faixas, onde a compositora pretende expor “estórias e confissões sobre amores e dissabores, a saudade inerente ao ser português, todos os livros que ficam por ler e tudo aquilo que fica por dizer”.

É a primeira vez que Picas edita um álbum cantado em português, e a artista aproveita todo o lirismo que a língua-mãe oferece. Aluna de Estudos de Música e cantora de jazz no Hot Clube de Portugal, Picas mistura o jazz e a bossa nova para criar um gingado amável em cada uma das quatro faixas de Serenô.

Places Around the Sun lançam disco homónimo

Places Around the Sun é o título do novo disco da banda que se identifica pelo mesmo nome. É o terceiro longa-duração da banda composta por António Santos (voz, guitarra), João Gomes (guitarra), Alexandre Sousa (baixo) e Ricardo Martins (bateria). A mistura de rock alternativo e stoner rock culmina neste disco de dez faixas cantadas em inglês, onde o ruído e as guitarras pesadas ajudam a configurar o tom e a criar a identidade deste novo álbum.

Novo single de Chavalier de Pas, “303

O novo single de Chavalier de Pas, intitulado “303” é uma viagem pelo “jardim onde frutas psicadélicas seguram-se em árvores roxas” – a pesada guitarra psicadélica e as palavras sussurradas criam uma vibe transcendental, onde as cores parecem fluir de cada corda. Segundo o próprio músico, “Chavalier de Pas é um “psico trip” pelo recreio de um guitarrista e resultado do processo criativo onde Simão Reis redefine as concepções pré-definidas do género”.

À melodia acompanha-se um vídeo realizado pelo próprio compositor e por Beatriz Szwarc, que consegue tornar a canção ainda mais trippy do que quando ouvida sem o suporte visual.

 

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