Enola Holmes
Imagem: Enola Holmes | Netflix

Crítica. Enola Holmes: Investigação divertida, mas esquecível

Enola Holmes chegou à Netflix esta quarta-feira (23). O filme adapta os livros do mesmo nome que nos apresentam a irmã mais nova de Sherlock Holmes. A atriz Millie Bobby Brown é a protagonista da produção.

A mãe (Helena Bonham Carter) dos irmãos Holmes desaparece misteriosamente. Enola foge de Sherlock (Henry Cavill) e Mycroft (Sam Claflin) para tentar desvendar o mistério. Pelo caminho, vai conhecer um jovem Lorde (Louis Partridge) que está a tentar fugir da família e de um assassino contratado.

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Uma estrela acima do resto

Não se pode dissociar Enola Holmes de Millie Bobby Brown. Este filme é um verdadeiro star vehicle, ou seja, uma obra feita para encaixar perfeitamente com a atriz em questão. Para além de ser a estrela principal, Millie é igualmente produtora do projeto. E no primeiro grande trabalho fora de Stranger Things, a jovem britânica não desilude.

Millie Bobby Brown carrega a energia do filme às costas. O carisma natural da atriz chega e sobra para entreter o espetador, mas aliado a isso está um enorme talento interpretativo. Não dá para negar, Millie é uma artista fantástica que terá certamente uma carreira à medida. Enola Holmes coloca-a no centro das atenções e Millie não acusa pressão, enquanto vira o melhor elemento de todas os momentos em que a sua personagem aparece.

Apesar de ser a estrela de Stranger Things o grande destaque, Louis Partridge também merece muita atenção. A proteção da personagem do jovem ator é, no fundo, o ponto crucial da narrativa e isso leva a que se forme um par (que também tem toques românticos) com Enola. E Louis é mesmo o único ator que consegue acompanhar o carisma de Millie Bobby Brown, ao longo do filme. Vale a pena ficar de olho no futuro deste jovem talento.

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Infelizmente, os louros não podem ser divididos com Henry Cavill. Talvez pela direção que lhe foi dada, pela forma como a personagem está escrita, ou, simplesmente, por culpa própria, o ator apresenta uma interpretação dececionante de Sherlock Holmes. Insosso, sem muita emoção, a relembrar os piores momentos enquanto Super-Homem. A personagem em si também não é bem escrita, tanto a nível de personalidade como de efeito na narrativa. É óbvio que Enola é a protagonista e tem de ser ela a solucionar os problemas, porém Sherlock é absolutamente irrelevante para tudo o que acontece. Parece que só entra no filme por ser a figura incontornável deste universo ficcional, sem que tenha um verdadeiro propósito.

O irmão Mycroft tem um impacto muito mais claro na história, contudo sofre de outro problema. A personagem é uma fonte superficial de mensagens conservadoras que o filme pretende criticar. Não há nada de errado em usar o irmão mais velho como figura do patriarcado elitista que tenta condicionar Enola. O problema surge quando o guião só dá este traço de personalidade a Mycroft, ao ponto de um exagero desconfortável e abusivo, que em nada tem a ver com a identidade original da figura. No meio de tudo isto, o ator Sam Claflin faz o que pode e cumpre o papel que lhe é atribuído.

Enola Holmes
Imagem: Enola Holmes | Netflix

Um caso sem grande mistério

Enola Holmes é sobretudo uma aventura juvenil que pretende ser divertida e leve. Em contrapartida, não há grande mérito na história que sustenta a jornada da protagonista a Londres. O desaparecimento da mãe é uma desculpa para introduzir o caso do jovem Lorde em fuga.

O mistério nunca chega a ser verdadeiramente digno do nome e a falta de sumo é tão evidente que o próprio filme introduz sub histórias para encher tempo até resumir o objetivo principal. O desfecho é bastante previsível e mesmo assim não é bem-fundamentado. Em geral, a grande investigação parece apenas uma desculpa para ter Millie Bobby Brown a passear por Londres em cenas de ação e/ou comédia.

O que salva Enola Holmes é mesmo isso. Os momentos de tensão, as fugas espertas no limite do perigo, as lutas bem coreografadas e editadas. E no centro de tudo, uma estrela carismática que acrescenta entretenimento e emoção a tudo o que faz.

A realização não impressiona, porém é sólida. Os cenários e roupas de época estão bem feitos e transportam-nos para a famosa Inglaterra Vitoriana. A banda sonora falha em criar um trecho sonoro icónico para Enola, ao nível dos que o seu irmão possui.

Enola Holmes
Imagem: Enola Holmes | Netflix

O final deixa a narrativa aberta a continuações. As estrelas parecem estar abertas a tal e a Netflix deve apenas estar à espera de confirmar o sucesso do filme perante o público para partir para uma sequela.

Enola Holmes é uma aventura divertida, mas que não deixa grande memória (e só as sequelas é que a poderão prolongar). O talento de Millie Bobby Brown carrega o filme a um patamar razoável e as cenas de ação compensam em parte a falta de uma narrativa que as una. Sem ser um clássico da família Holmes, o filme é uma forma leve de passar duas horas no serviço de streaming.

Enola Holmes
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